A saúde do homem ainda é marcada por desafios importantes relacionados à prevenção e ao diagnóstico precoce de doenças que, quando identificadas em estágio inicial, têm maiores chances de tratamento eficaz. Nesse contexto, campanhas de conscientização desempenham um papel fundamental na disseminação de informações e no incentivo ao cuidado com a própria saúde.
Encerrando o mês, o Abril Lilás é uma campanha realizada pela Sociedade Brasileira de Urologia com o objetivo de informar e conscientizar a população brasileira sobre o câncer de testículo. No mundo todo, esse é o tipo de câncer mais comum entre homens jovens, de 20 a 40 anos. Corresponde a cerca 5% dos cânceres urológicos. O diagnóstico tardio é um problema. Nos últimos 3 anos, no Brasil, 56% dos pacientes iniciaram o tratamento em estágios avançados.
“Apesar de não estar entre os tipos de maior incidência, o câncer de testículo é motivo de preocupação, pois as chances de cura, que geralmente são superiores a 90% quando a doença é descoberta no início, têm sido reduzidas, em muitos casos, no Brasil”, destaca o médico oncologista Lucas Aguiar.
De acordo com o Sistema de Informações sobre Mortalidade do Ministério da Saúde, foram registradas 527 mortes pela doença em 2024. E nos últimos dez anos foram realizadas mais de 47 mil cirurgias para remoção de testículo, segundo o Sistema de Informações Hospitalares do SUS. São dados alarmantes, especialmente porque afetam jovens em plena vida social, familiar, reprodutiva e profissional. Diante desse cenário, é fundamental unir esforços para conscientizar a população.
“No Brasil, normalmente as meninas são levadas ao ginecologista no início da puberdade e, a partir daí, passam a ser acompanhadas por esse especialista. Com os meninos não se tem esse cuidado e os adolescentes do sexo masculino acabam desamparados no que se refere a avaliação médica, ações preventivas e orientação especializada quanto à promoção de saúde. Precisamos mudar essa cultura. Os meninos deveriam ir periodicamente ao urologista, desde a adolescência. Como não temos ainda esse hábito, quando os homens precisam fazer o rastreamento do câncer de próstata, depois dos 45, eles mantêm essa resistência, quando deveriam se relacionar com o urologista de forma natural, sem preconceito”, compara o oncologista.
Quer saber mais notícias sobre saúde? Acesse nosso canal no Whatsapp
Principais fatores de risco
Histórico familiar
Ter um histórico familiar de câncer de testículo, especialmente em parentes de primeiro grau, como pai ou irmão, aumenta significativamente o risco de desenvolvimento da doença.
Síndromes genéticas
A mais conhecida é a síndrome de Klinefelter (presença de um cromossomo X extra), que está associada a um risco aumentado de câncer de testículo.
Condições congênitas
A criptorquidia, ou testículo não descido, é uma condição em que um ou ambos os testículos não descem para o escroto antes do nascimento. Homens com histórico de criptorquidia têm um risco significativamente maior de desenvolver câncer de testículo, mesmo se a condição for corrigida cirurgicamente.
Raça e Etnia
As razões não são bem conhecidas ainda, mas homens brancos têm um risco maior de desenvolver câncer de testículo em comparação com homens de outras raças e etnias.
Autoexame
Adolescentes e adultos jovens devem aprender a fazer o autoexame dos testículos, que é uma importante medida de prevenção. “Não existe um protocolo de rastreamento para câncer de testículo e nem uma periodicidade exata, mas fazer o autoexame uma vez por mês com toda certeza é uma boa ideia. Em um banho morno, quando a pele fica mais relaxada, o homem deve procurar por alterações no tamanho, forma ou consistência dos testículos, assim como caroços, inchaços ou dor”, conclui o oncologista Lucas Aguiar.
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar