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SEGURANÇA DA INFORMAÇÃO

Privacidade digital: por que brasileiros estão menos preocupados em proteger seus dados?

Especialista da UFPA aponta aumento dos serviços online, desconhecimento dos riscos e sensação de perda de controle como fatores para a redução dos cuidados.

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Imagem ilustrativa da notícia Privacidade digital: por que brasileiros estão menos preocupados em proteger seus dados? camera Especialista da UFPA alerta que a falta de cuidado com dados pessoais pode facilitar golpes, fraudes, phishing e uso indevido de informações pessoais no ambiente digital. | Reprodução/Magnific

Mesmo com o crescimento dos golpes virtuais e dos casos de exposição de informações pessoais, os brasileiros estão adotando menos medidas para proteger a própria privacidade digital. Dados do Cetic.br mostram uma queda, entre 2021 e 2025, na adoção de mecanismos de proteção. Para o professor Roberto Samarone Araújo, da Universidade Federal do Pará (UFPA), o comportamento pode ser explicado por uma combinação de fatores que vão desde a necessidade de utilizar cada vez mais serviços pela internet até a sensação de que os dados pessoais já estão fora de controle.

Especialista em Segurança da Informação e Criptografia Aplicada, Samarone explica que a própria transformação da internet em uma ferramenta indispensável para atividades do cotidiano contribui para aumentar a exposição.

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O professor Roberto Samarone Araújo, da UFPA, alerta para os riscos da exposição de dados pessoais e destaca cuidados básicos para aumentar a segurança e a privacidade no ambiente digital.
📷 O professor Roberto Samarone Araújo, da UFPA, alerta para os riscos da exposição de dados pessoais e destaca cuidados básicos para aumentar a segurança e a privacidade no ambiente digital. |Reprodução/Arquivo pessoal

Segundo o professor, a expansão dos serviços oferecidos pela internet faz com que o compartilhamento de informações pessoais se torne praticamente uma exigência para quem deseja utilizar determinadas plataformas. "A disponibilização cada vez maior de serviços via Internet" é um dos fatores que podem estar associados à menor proteção da privacidade, afirma.

De acordo com ele, muitos desses serviços exigem informações pessoais para permitir o acesso. A necessidade ou o interesse em utilizá-los pode fazer com que o usuário se torne menos cauteloso. "A necessidade ou o interesse em utilizar esses serviços pode fazer com que os usuários sejam menos cautelosos com a proteção de seus dados, levando-os a revelar informações que, em outras circunstâncias, talvez preferissem manter privadas", explica.

Ou seja, muitas vezes o usuário não compartilha determinado dado porque considera a exposição segura, mas porque entende que não há alternativa para conseguir acessar um serviço.

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USUÁRIO NEM SEMPRE CONHECE O TAMANHO DO RISCO

Outro problema apontado pelo especialista é a falta de conhecimento sobre o que pode acontecer depois que uma informação pessoal é disponibilizada. Casos de golpes envolvendo dados pessoais aparecem com frequência nas notícias, mas isso não significa necessariamente que o usuário consiga compreender como essas informações podem ser exploradas.

"Outro fator é o desconhecimento dos riscos associados à revelação de informações pessoais e das consequências que podem decorrer dessa exposição", afirma Samarone.

Para ele, embora os meios de comunicação divulguem frequentemente casos de golpes, “muitas pessoas podem não compreender plenamente os riscos associados à sua exposição, nem as diferentes formas pelas quais esses dados podem ser utilizados de maneira indevida”.

FERRAMENTAS DE PROTEÇÃO TAMBÉM PODEM SER DIFÍCEIS

A redução dos cuidados não significa necessariamente que as ferramentas de proteção deixaram de existir. Em muitos casos, o problema pode estar justamente na dificuldade de utilizá-las.

Configurações de privacidade, gerenciamento de permissões e outros mecanismos de segurança estão disponíveis em diferentes plataformas, mas podem não ser simples para todos os usuários. "Outro aspecto que pode estar associado a uma menor proteção da privacidade é a dificuldade em utilizar as ferramentas disponíveis para esse fim, ou mesmo o desconhecimento de que elas existem", destaca o professor.

Segundo Samarone, algumas dessas ferramentas exigem conhecimentos ou ações que nem sempre são fáceis de compreender. "Configurações de privacidade, gerenciamento de permissões e outras medidas de proteção podem exigir conhecimentos ou ações que nem sempre são simples para os usuários."

"MEUS DADOS JÁ ESTÃO NA INTERNET"

Existe ainda um componente psicológico nesse comportamento: a sensação de que não há mais como recuperar o controle sobre as próprias informações. Grandes vazamentos de dados ocorridos nos últimos anos expuseram enormes quantidades de informações pessoais.

Para o especialista, isso pode provocar uma espécie de conformismo entre os usuários. "A percepção de perda de controle sobre os próprios dados também pode estar associada a uma menor proteção da privacidade", afirma.

Samarone cita como exemplo os vazamentos que tornaram públicos dados como números de CPF. Diante de situações desse tipo, algumas pessoas podem concluir que seus dados já estão disponíveis na internet e, consequentemente, deixar de adotar medidas preventivas. "Alguns usuários podem considerar que seus dados já estão disponíveis na Internet e, por essa razão, sentir-se menos motivados a adotar medidas para protegê-los."

MENOS CUIDADO PODE FACILITAR GOLPES

O problema é que essa sensação de que "não adianta mais proteger" pode aumentar a vulnerabilidade do usuário. Para Samarone, um dos principais riscos associados à redução dos cuidados com informações pessoais é justamente a possibilidade de esses dados chegarem às mãos de criminosos.

"Um dos principais riscos associados ao menor cuidado com informações pessoais é a sua revelação a terceiros mal-intencionados, que podem utilizá-las para realizar fraudes e golpes."

Nesse cenário, uma das medidas mais importantes é reduzir a quantidade de informações fornecidas desnecessariamente.

COMPARTILHE APENAS O QUE FOR NECESSÁRIO

A recomendação do especialista é simples: antes de fornecer qualquer informação pessoal, o usuário deve avaliar se aquele dado é realmente necessário. "Uma delas é evitar a exposição desnecessária de dados pessoais na Internet e, quando for necessário fornecê-los, limitar-se àqueles estritamente necessários."

Na prática, isso significa evitar o envio de documentos ou informações além do que foi solicitado. Samarone dá um exemplo bastante comum: "Se for solicitado apenas a cópia do CPF, não há razão para fornecer uma cópia da CNH, que contém outras informações pessoais."

A lógica é diminuir a quantidade de informações disponíveis caso aquele cadastro, sistema ou serviço seja posteriormente comprometido.

CUIDADO COM LINKS RECEBIDOS POR SMS E E-MAIL

Outro ponto de atenção está nas mensagens que chegam por SMS e e-mail, especialmente aquelas que levam o usuário a clicar em um link e preencher dados pessoais.

Segundo o professor, criminosos podem utilizar ataques de phishing para explorar justamente a distração ou a confiança das vítimas. "Atacantes podem se aproveitar da desatenção dos usuários para obter informações pessoais por meio de ataques de phishing", alerta.

Uma das estratégias utilizadas é a criação de endereços eletrônicos semelhantes aos de serviços conhecidos. "São utilizados, por exemplo, endereços de sites semelhantes aos de serviços conhecidos com o objetivo de induzir as vítimas a fornecer seus dados."

Por isso, uma mensagem aparentemente comum - de banco, loja, serviço público ou outra plataforma - pode ser utilizada como porta de entrada para o roubo de informações.

O CUIDADO ANTES DO CLIQUE

A queda na adoção de medidas de proteção da privacidade, portanto, ocorre em um cenário paradoxal: ao mesmo tempo em que a vida cotidiana está cada vez mais conectada, cresce também a quantidade de informações pessoais circulando no ambiente digital.

Para o professor Roberto Samarone, retomar cuidados básicos não significa abandonar os serviços online, mas desenvolver uma postura mais criteriosa diante das informações solicitadas.

Antes de compartilhar um documento, fornecer um dado ou clicar em um link, a pergunta deve ser simples: isso é realmente necessário e sei para onde essa informação está indo?

Portanto, em um ambiente no qual dados pessoais podem ser utilizados para diferentes finalidades, inclusive por criminosos, reduzir a exposição desnecessária continua sendo uma das formas mais básicas de proteção.

O QUE O USUÁRIO PODE FAZER?

A recomendação do especialista pode ser resumida em dois movimentos: expor menos e desconfiar mais.

Entre os cuidados básicos estão:

  • Evitar publicar ou fornecer dados pessoais sem necessidade;
  • Compartilhar somente as informações indispensáveis para determinado serviço;
  • Não enviar documentos adicionais quando apenas um dado específico foi solicitado;
  • Conferir cuidadosamente links recebidos por SMS e e-mail;
  • Desconfiar de páginas que imitam sites de bancos, lojas ou outros serviços conhecidos;
  • Conhecer e revisar as configurações de privacidade das plataformas utilizadas;
  • Observar quais permissões estão sendo concedidas a aplicativos e serviços.
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