Aos 11 anos, Helena Fonseca Baroni precisou buscar na Justiça o direito de continuar praticando o esporte que escolheu. A jovem atleta foi impedida de participar de uma partida do Campeonato Pernambucano de Futsal Sub-11 por ser menina, mesmo já integrando normalmente a equipe do CT Barão. Uma decisão judicial, no entanto, permitiu que ela retornasse à competição.
O caso ganhou uma dimensão maior depois que o sistema de inscrições das competições oficiais de futsal em Pernambuco foi alterado. Desde então, meninas de até 13 anos passaram a poder ser cadastradas em equipes masculinas, permitindo que participem de torneios oficiais em categorias nas quais ainda não existem campeonatos femininos.
CONTEÚDOS RELACIONADOS:
- Você sabia que mulheres foram proibidas de jogar futebol?
- Câmara aprova nova lei para promover o futebol feminino no Brasil
Para Maria Gabriela Guimarães, advogada responsável pela ação, a mudança representa uma conquista importante, mas também evidencia uma situação que, segundo ela, não deveria ter chegado ao Judiciário.
“Para a gente foi muito gratificante garantir esse direito, mas, ao mesmo tempo, também é muito frustrante a gente estar aqui hoje lutando por um direito que já estava claro. Ela não precisava estar vindo à Justiça, movimentar o Judiciário por algo que é direito dela”, afirmou.
Paixão pelo futsal começou na Copa do Mundo
O contato de Helena com o futsal ganhou força durante a Copa do Mundo de 2022. Além de acompanhar a competição, ela passou a observar os colegas jogando na escola e decidiu que também queria entrar em quadra.
Por iniciativa própria, começou a treinar no CT Barão e disputou normalmente a Copa Pernambuco Sub-11. No Campeonato Pernambucano, também participou da primeira rodada, sem qualquer impedimento.
Quer mais notícias de esporte? Acesse nosso canal no WhatsApp
A situação mudou na partida seguinte. Segundo o técnico Barão Xavier, a comissão técnica só foi informada de que Helena não poderia atuar pouco antes do início do confronto.
“Na segunda rodada, quando a gente fez tudo, entregou a relação do jogo, entregou as carteiras, tudo certinho, na hora de iniciar, a gente foi informado através da mesária que a Helena não podia jogar por ordem da Federação”, relatou.
Diante da proibição, o pai da atleta, Ernesto Baroni, decidiu procurar a Justiça. O pedido foi acolhido, e Helena recebeu autorização para voltar a disputar o campeonato a partir da terceira rodada.
Meninas enfrentam falta de competições femininas
O caso expôs uma dificuldade enfrentada por jovens jogadoras em Pernambuco. Atualmente, os campeonatos femininos de futsal no estado têm início somente na categoria Sub-15. Com isso, meninas mais novas que desejam participar de competições oficiais precisam integrar equipes masculinas.
Até então, porém, o sistema de inscrições utilizado no Campeonato Pernambucano não permitia o registro de atletas do sexo feminino nessas equipes.
A Federação Pernambucana de Futsal justificou que o Estadual Sub-11 Masculino integra o processo classificatório para a definição do representante de Pernambuco na Taça Brasil do ano seguinte. Por esse motivo, de acordo com a entidade, o torneio precisa respeitar os critérios estabelecidos para a competição nacional.
Já a Confederação Brasileira de Futsal informou que não participa da definição dos critérios ou da organização do Campeonato Pernambucano. Segundo a entidade, a decisão sobre a presença de uma atleta feminina na competição caberia exclusivamente à Federação Pernambucana. A CBFS não respondeu aos questionamentos sobre o sistema de inscrições.
Mudança beneficia outras atletas
A alteração no sistema aconteceu no dia seguinte à partida em que Helena voltou a jogar após a decisão judicial. Além de liberar o cadastro da jovem, a plataforma passou a aceitar inscrições de outras meninas de até 13 anos.
Na prática, a decisão abriu uma nova possibilidade para atletas que estão na mesma situação. Caso não exista uma competição feminina disponível para determinada faixa etária, meninas poderão disputar torneios oficiais em equipes masculinas sem precisar enfrentar a mesma barreira encontrada por Helena.
A conquista também pode levar a jovem a uma competição nacional. Se o CT Barão conquistar o Campeonato Pernambucano Sub-11, Helena estará autorizada a representar Pernambuco na Taça Brasil de Clubes.
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar