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SAÚDE MENTAL

Estudo aponta novo subtipo de depressão ligado ao relógio biológico

Pesquisa australiana estima que cerca de 25% dos pacientes com depressão apresentam alterações associadas ao ciclo circadiano

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Imagem ilustrativa da notícia Estudo aponta novo subtipo de depressão ligado ao relógio biológico camera O levantamento reuniu 11.380 pessoas com depressão grave | Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Uma pesquisa conduzida por cientistas australianos identificou um possível subtipo de depressão associado ao funcionamento do relógio biológico. Batizada de depressão circadiana, a condição estaria presente em aproximadamente uma em cada quatro pessoas com a doença e pode estar relacionada a alterações no sono, na disposição e no ritmo das atividades diárias.

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Os resultados foram divulgados na terça-feira (20), na revista científica British Journal of Psychiatry. De acordo com os pesquisadores, pessoas com esse perfil podem apresentar sintomas depressivos mais intensos, que surgem mais cedo na vida, além de dificuldades para manter uma rotina regular de sono e atividade física.

O levantamento reuniu 11.380 pessoas com depressão grave. Desse total, 2.604 preencheram pelo menos três dos seis critérios estabelecidos pela equipe para identificar o possível subtipo.

Entre os sinais considerados pelos pesquisadores estão:

Sonolência excessiva durante o dia;

Sensação de cansaço ao despertar;

Hábito de dormir muito tarde;

Alterações de humor relacionadas à luminosidade e às estações do ano;

Atraso no horário habitual de sono;

Jet lag social, quando os horários biológicos não coincidem com as exigências da rotina social.

Relógio biológico pode influenciar a saúde mental

Pesquisas anteriores já haviam apontado uma associação entre o ritmo circadiano e os transtornos depressivos. Esse mecanismo, regulado pelo cérebro, organiza o ciclo de sono e vigília e influencia processos como a liberação de hormônios e a digestão.

Quando esse ritmo sofre alterações, a pessoa pode enfrentar dificuldades para dormir, problemas de concentração e mudanças no peso corporal, entre outros efeitos.

Segundo a pesquisadora Emiliana Tonini, os participantes que apresentaram características da depressão circadiana tinham quadros de saúde mental mais complexos. O grupo também registrou início mais precoce da doença, maior número de episódios depressivos e maior propensão ao suicídio, além de mais manifestações hipomaníacas e sintomas associados a quadros psicóticos.

Pesquisa ainda precisa de novas investigações

O estudo também identificou, entre os participantes classificados nesse possível subtipo, maior predisposição genética ao transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) e a outros transtornos do humor. Foram observados ainda marcadores relacionados a processos inflamatórios e metabólicos.

Outro ponto identificado pelos cientistas foi uma possível resposta menos favorável aos medicamentos tradicionalmente utilizados no tratamento da depressão. Para os pesquisadores, reconhecer essas características pode contribuir futuramente para a escolha de abordagens terapêuticas mais adequadas a cada paciente.

Apesar dos resultados, os autores ressaltam que as conclusões ainda são preliminares. A análise envolveu somente pessoas com ascendência europeia, o que limita a possibilidade de generalizar os achados para outras populações.

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Além disso, a pesquisa não avaliou os efeitos das alterações hormonais da menopausa sobre o ritmo circadiano. Novos estudos, com grupos mais diversos e investigações adicionais, serão necessários para compreender melhor esse possível subtipo e suas implicações no diagnóstico e no tratamento da depressão.

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