plus
plus

Edição do dia

Leia a edição completa grátis
Edição do Dia
Previsão do Tempo 34°
cotação atual R$


home
MÊS DEPRESSIVO?

Agosto é o mês do desgosto? Psicóloga revela o que está por trás dessa sensação

Especialista afirma que a fama de agosto como um período emocionalmente "pesado" está mais ligada ao contexto de vida das pessoas do que ao mês em si.

twitter Google News
Imagem ilustrativa da notícia Agosto é o mês do desgosto? Psicóloga revela o que está por trás dessa sensação camera Retorno à rotina após as férias, contas e cobranças podem aumentar o estresse e afetar o bem-estar emocional em agosto. | Reprodução/Imagem gerada por IA

Agosto costuma carregar uma reputação curiosa: para muitas pessoas, é considerado o "mês do desgosto", mais longo e até associado ao aumento do cansaço emocional. A volta definitiva à rotina após as férias de julho, o retorno das obrigações profissionais e escolares, além das preocupações financeiras provocadas por gastos extras, podem criar a sensação de que o período exige mais esforço para ser enfrentado.

Mas será que agosto realmente é um mês mais difícil do ponto de vista da saúde mental? Para a psicóloga Julianna Cerbino (CRP 10/04332), a resposta é mais complexa. Segundo ela, não existe uma característica específica no mês que o torne emocionalmente mais complicado. O que ocorre é uma coincidência entre diferentes fatores da vida das pessoas que podem aumentar a sensação de sobrecarga. "Eu não diria que agosto, por si só, é um mês psicologicamente mais difícil. O que acontece é que ele pode coincidir com uma série de mudanças e demandas na vida das pessoas”, explica a especialista.

CONTEÚDO RELACIONADO

Segundo a psicóloga, depois de períodos de férias, recessos ou momentos em que a rotina fica mais flexível, muitas pessoas precisam lidar novamente com uma agenda cheia de compromissos.

Quer mais notícias de saúde? Acesse o canal do DOL no WhatsApp.

A retomada envolve horários mais rígidos, responsabilidades profissionais, tarefas escolares, demandas familiares e preocupações financeiras. Essa mudança brusca de ritmo pode gerar uma sensação de cansaço e dificuldade de adaptação.

A psicóloga Julianna Cerbino explica que a fama de agosto como um mês "pesado" está mais relacionada ao contexto de vida, às cobranças e ao estresse acumulado do que ao calendário.
📷 A psicóloga Julianna Cerbino explica que a fama de agosto como um mês "pesado" está mais relacionada ao contexto de vida, às cobranças e ao estresse acumulado do que ao calendário. |Reprodução/Arquivo pessoal

O MÊS NÃO É O PROBLEMA: O CONTEXTO DE VIDA FAZ DIFERENÇA

Julianna explica que, dentro da abordagem da Análise do Comportamento, o indivíduo não deve ser analisado de forma isolada, mas sempre considerando o ambiente e as circunstâncias que fazem parte da sua realidade.

Isso significa que o mesmo mês pode ser vivido de maneiras completamente diferentes por pessoas diferentes. Enquanto alguém pode passar por agosto com tranquilidade, outra pessoa pode enfrentar um período de intensa pressão por estar lidando com problemas financeiros, excesso de tarefas ou mudanças importantes na vida. "Mais do que pensar que existe algo no mês de agosto, é importante olhar para o que está acontecendo na vida daquela pessoa naquele momento", destaca.

A especialista ressalta que sentimentos como desânimo, irritação ou falta de energia não aparecem simplesmente porque o calendário mudou. Eles são respostas às experiências acumuladas e às condições enfrentadas no dia a dia.

A EXPECTATIVA DE QUE AGOSTO SERÁ RUIM TAMBÉM PODE INFLUENCIAR

Além das questões práticas, existe também um fator cultural envolvido na fama negativa do mês. A ideia de que agosto é um período difícil é repetida há anos e pode influenciar a maneira como as pessoas interpretam os acontecimentos.

Segundo Julianna, quando alguém inicia o mês acreditando que ele será complicado, pode acabar direcionando mais atenção para situações negativas, "Se a pessoa já começa o mês esperando que ele seja difícil, pode ficar mais atenta às situações negativas e perceber o período como ainda mais cansativo", explica.

Esse processo não significa que os problemas sejam imaginários, mas que as expectativas podem influenciar a forma como cada pessoa percebe e reage aos acontecimentos. Um atraso no trabalho, uma conta inesperada ou uma dificuldade na rotina, por exemplo, podem ganhar um peso maior quando a pessoa já está convencida de que aquele período será ruim.

ESTRESSE FINANCEIRA PODE AUMENTAR SENSAÇÃO DE ESGOTAMENTO

Um dos fatores que mais contribuem para o desgaste emocional em agosto é a questão financeira. Depois das férias de julho, muitas famílias precisam reorganizar o orçamento por causa de gastos com viagens, passeios, alimentação, compras e outros compromissos. Quando essas despesas se acumulam com contas fixas do mês, a preocupação aumenta e pode gerar um estado constante de alerta.

Julianna explica que o estresse financeiro afeta o bem-estar porque mantém a pessoa em contato frequente com preocupações e problemas que precisam ser resolvidos. "O estresse financeiro e a sobrecarga da rotina podem afetar bastante o bem-estar porque colocam a pessoa diante de preocupações e demandas constantes", afirma.

A especialista destaca que, quando alguém passa muito tempo tentando solucionar problemas, cumprir prazos e administrar diversas responsabilidades, acaba reduzindo o espaço destinado ao descanso, ao lazer e a experiências que também são importantes para a saúde emocional.

NÃO É APENAS UMA QUESTÃO DE "PENSAR POSITIVO"

Em momentos de dificuldade, é comum ouvir que a pessoa precisa apenas mudar a forma de pensar ou manter uma atitude positiva. No entanto, segundo Julianna, essa visão simplifica uma situação que envolve diversos fatores. Ela reforça que, pela perspectiva da Análise do Comportamento, os sentimentos e atitudes humanas estão relacionados ao contexto em que a pessoa está inserida.

"Não é simplesmente uma questão de 'pensar positivo' ou ter força de vontade. O comportamento acontece dentro de um contexto. Se esse contexto é formado principalmente por cobranças e situações estressantes, é esperado que a pessoa se sinta mais cansada, irritada ou desmotivada", explica.

Ou seja, uma rotina marcada por pressão constante, falta de descanso e preocupações pode naturalmente produzir efeitos emocionais, independentemente da disposição individual.

COMO CUIDAR DA SAÚDE EMOCIONAL DURANTE PERÍODOS DE PRESSÃO

Para enfrentar momentos em que as demandas parecem maiores, a psicóloga recomenda algumas mudanças práticas na rotina.

Entre elas estão:

  • organizar prioridades e evitar tentar resolver tudo ao mesmo tempo;
  • estabelecer limites para reduzir a sobrecarga;
  • dividir responsabilidades sempre que possível;
  • reservar momentos de descanso e lazer;
  • manter atividades que proporcionem prazer e recuperação emocional;
  • buscar apoio quando as dificuldades se tornam intensas.

Segundo Julianna, cuidar da saúde mental não significa eliminar todos os problemas, mas criar condições para lidar melhor com eles.

QUANDO PROCURAR AJUDA PROFISSIONAL

A especialista também alerta para a importância de observar quando o cansaço emocional deixa de ser apenas uma fase passageira e começa a comprometer a rotina.

Sensações persistentes de tristeza, irritação, ansiedade, falta de motivação ou dificuldade para realizar atividades do cotidiano podem indicar a necessidade de acompanhamento psicológico. "Quando esse sofrimento começa a ser persistente e interfere na vida cotidiana, procurar acompanhamento psicológico também é importante", orienta.

A PERGUNTA NÃO É SOBRE AGOSTO, MAS SOBRE A VIDA EM AGOSTO

Apesar da fama de ser um mês complicado, a psicóloga reforça que o calendário não é o principal responsável pelo desgaste emocional. Para ela, a reflexão mais importante é entender quais fatores estão influenciando o bem-estar de cada pessoa naquele momento.

"No final, é muito mais sobre olhar para o contexto do que simplesmente tentar 'sobreviver' ao mês. Mais do que perguntar o que existe em agosto, é importante perguntar: o que está acontecendo na vida dessa pessoa em agosto?", conclui Julianna Cerbino.

Assim, a sensação de que agosto é um mês mais difícil pode ser entendida como resultado da combinação entre mudanças de rotina, preocupações financeiras, expectativas culturais e excesso de responsabilidades. O desafio não está no mês, mas na forma como cada pessoa está vivendo esse período.

VEM SEGUIR OS CANAIS DO DOL!

Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.

tags

Quer receber mais notícias como essa?

Cadastre seu email e comece o dia com as notícias selecionadas pelo nosso editor

Conteúdo Relacionado

0 Comentário(s)

plus

    Mais em Te Cuida

    Leia mais notícias de Te Cuida. Clique aqui!