No universo digital, onde cifras circulam com a velocidade de um clique, o crime também se reinventa - silencioso, sofisticado e muitas vezes invisível. Foi nesse ambiente virtual que a operação "Último Boleto" voltou a ganhar força, ampliando o cerco contra uma organização criminosa especializada em fraudes eletrônicas.
A Polícia Civil do Estado do Pará, por meio da Divisão de Combate a Crimes Econômicos e Patrimoniais Praticados por Meios Cibernéticos (DCCCEP), vinculada à Diretoria Estadual de Combate a Crimes Cibernéticos (DECCC), deflagrou na última terça-feira (10) a segunda fase da operação, em apoio à Polícia Civil de Goiás. A investigação apura um esquema de adulteração de boletos e invasão de e-mails corporativos que teria causado prejuízos a uma empresa sediada em Rio Verde (GO). Em Belém, um dos presos seria o cantor de uma famosa banda de melody paraense, apontado como suspeito de integrar a organização criminosa.
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APREENSÕES E PRISÕES

Durante a ação, foram cumpridos três mandados de busca e apreensão e dois de prisão preventiva contra investigados por organização criminosa, furto qualificado mediante fraude, invasão de dispositivo informático e uso de documento falso. Aparelhos celulares foram apreendidos e serão submetidos à perícia para aprofundar a coleta de provas.
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As investigações começaram em junho de 2023, quando foi identificado um esquema estruturado de fraude bancária baseado na alteração de boletos para desvio de valores empresariais. Segundo o delegado João Amorim, titular da DECCC, o grupo obtinha acesso indevido a contas de e-mail corporativas, interceptava comunicações e modificava dados de pagamento. Para ocultar os recursos ilícitos, utilizava documentação falsa na abertura de contas bancárias em nome de pessoas jurídicas.

PRIMEIRA FASE DA "ÚLTIMO BOLETO"
A primeira fase da operação ocorreu em outubro de 2025, em Belém, quando houve cumprimento de mandado de prisão preventiva e apreensão de equipamentos que operavam uma plataforma digital destinada à disseminação de boletos fraudulentos. Laudos periciais apontaram elevado grau de sofisticação, com disparo automatizado de e-mails e estrutura organizada de gerenciamento financeiro. Também foram recolhidos dispositivos eletrônicos, dinheiro e um veículo de luxo.
"Durante a primeira fase da operação, a análise pericial revelou a participação de outros três integrantes e a existência de uma rede permanente de comunicação, divisão de tarefas e gerenciamento conjunto de contas bancárias, caracterizando o crime de associação criminosa, voltada à prática de fraudes digitais. Isso resultou na segunda fase da ação", explicou o delegado.
CUSTODIADO FOI ALVO DE MANDADO DE PRISÃO
Um dos mandados de prisão foi cumprido pela Seccional Urbana de Santa Izabel do Pará, onde o investigado já se encontra custodiado. Outros dois alvos seguem sendo procurados, e as diligências continuam para efetivar as capturas.
A reportagem do DOL entrou em contato com a Polícia Civil do Pará solicitando informações adicionais sobre a segunda fase da operação "Último Boleto", incluindo a identificação oficial dos suspeitos presos e se procede a informação sobre o cantor estar entre os envolvidos no esquema criminoso. Até o fechamento desta edição, a redação aguardava retorno da instituição.
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