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ATENÇÃO AOS SINAIS

Escovação previne bolas de pelos e outras doenças nos gatos

Veterinária explica como a escovação reduz a ingestão de pelos, ajuda a prevenir complicações e permite identificar sinais de doenças na pele dos gatos.

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Imagem ilustrativa da notícia Escovação previne bolas de pelos e outras doenças nos gatos camera Descubra como a escovação ajuda a prevenir bolas de pelo e doenças em gatos. Dicas e cuidados essenciais para a saúde do seu pet. | . Foto: Wirestock / Freepik

A escovação dos gatos é um cuidado que vai muito além da estética. O hábito ajuda a retirar os pelos mortos antes que sejam ingeridos durante a higiene do animal e também permite que o tutor observe possíveis alterações na pele, na pelagem e no comportamento do pet.

A veterinária Tainá Barbosa explica que a frequência pode aumentar em períodos de maior troca de pelos. Pescoço, barriga, axilas e a região posterior das pernas estão entre os locais que exigem maior atenção.

CONTEÚDOS RELACIONADOS

“A escovação é um hábito muito bom porque ajuda a remover os pelos mortos antes de eles serem ingeridos pelo gato durante a lambedura. Além de reduzir a formação de bolas de pelo, permite que o tutor observe alterações na pele.”

A frequência ideal depende do tipo de pelagem, da densidade dos pelos e dos hábitos de higiene de cada gato. Animais de pelo curto podem ser escovados algumas vezes por semana. Já os de pelagem média ou longa podem precisar de uma rotina mais frequente, principalmente nas regiões onde há maior formação de nós.

“A frequência vai depender muito do tipo de pelagem, do hábito de higiene de cada gato e também da densidade. Os gatos de pelo curto geralmente podem ser escovados algumas vezes por semana. Já aqueles de pelagem média ou longa podem precisar de escovações mais regulares.”

Tainá Barbosa, médica veterinária
📷 Tainá Barbosa, médica veterinária |Arquivo pessoal

Bolas de pelo exigem atenção

É comum que os gatos engulam pelos durante a própria higiene. Porém, episódios frequentes de vômito não devem ser considerados normais apenas porque o animal tem esse hábito.

“Os gatos podem ingerir uma quantidade de pelo durante a higiene diariamente, mas os vômitos recorrentes não podem ser considerados normais simplesmente por ser um gato e ter a ingestão de pelo durante a higiene.”

A situação merece ainda mais atenção quando aparecem outros sintomas, como falta de apetite, dor abdominal, apatia ou dificuldade para evacuar.

“Quando verificamos episódios frequentes de vômito ou tentativas repetidas de vomitar, falta de apetite, dor abdominal, apatia ou dificuldade ou ausência de evacuação, é necessária uma avaliação veterinária.”

Em alguns casos, a ingestão excessiva de pelos pode contribuir para uma obstrução gastrointestinal, condição que pode exigir atendimento rápido.

“Quando o animal ingere uma quantidade muito grande de pelo, isso pode sim contribuir para uma obstrução gastrointestinal, que é uma condição grave.”

Escovação ajuda a identificar problemas de pele

Outro benefício da escovação está na possibilidade de acompanhar de perto a condição da pele e da pelagem. Durante o procedimento, o tutor pode encontrar sinais que indicam a necessidade de uma avaliação profissional.

“A escovação também funciona como uma forma de fazer uma avaliação visual daquela pelagem e da pele. O tutor deve observar falhas de pelo, excesso de queda, vermelhidão, feridas, crostas, descamação, secreções e alterações de odor.”

A presença de parasitas também pode ser identificada durante esse momento de cuidado.

“É importante sempre procurar sinais de ectoparasitas, como pulgas e carrapatos, além de observar se o animal está se coçando ou se lambendo excessivamente em determinadas regiões.”

Lesões circulares e áreas com perda de pelo também precisam ser observadas. Segundo Tainá, esses sinais podem ter diferentes causas e não devem ser avaliados apenas pela aparência.

“Quando o tutor observar qualquer alteração na pelagem, formação de crostas, vermelhidão ou o animal se coçando muito, é importante levar para uma consulta veterinária. Qualquer alteração que persista ou esteja aumentando deve ser avaliada.”

Nem toda lesão tem a mesma causa

A aparência de uma alteração na pele não é suficiente para identificar o problema. Dependendo do caso, podem ser necessários exames para descobrir a origem da lesão.

“Só a aparência da lesão nem sempre permite determinar uma causa. É preciso avaliar direitinho, com exames, para saber a causa daquela lesão, daquela infecção ou daquela inflamação na pele.”

Por isso, o acompanhamento do tutor durante a escovação pode ser importante para perceber mudanças logo no início.

Como acostumar o gato à escovação?

Alguns gatos podem apresentar resistência ao contato com a escova. Para esses animais, a recomendação é fazer uma adaptação progressiva, sem forçar o procedimento.

“Quando a gente fala sobre gatos, sempre tem que fazer uma adaptação gradual e respeitar o limite do gato para que ele não tenha estresse ou medo.”

Tainá Barbosa explica que não é recomendado segurar o animal à força para realizar uma escovação prolongada.

“A gente não recomenda segurar o gato à força para realizar uma escovação longa, porque isso pode aumentar o estresse e o medo. O animal pode associar a escovação a uma experiência negativa.”

Uma alternativa é começar aos poucos, permitindo que o gato conheça a escova antes de iniciar o procedimento.

“Podemos começar fazendo escovações em períodos curtos, permitindo que o animal cheire e se aproxime da escova. Depois, fazer escovações rápidas, sempre associando o momento a algo positivo.”

Carinho, brincadeiras e petiscos podem ajudar nesse processo de adaptação.

“Com o tempo, a duração da escovação pode ser aumentada gradualmente. O objetivo não é obrigar o gato a aceitar imediatamente, mas construir uma associação positiva e reduzir o estresse.”

Vômito pode não ter relação com pelos

Outro alerta importante é evitar atribuir automaticamente vômitos e tosse às bolas de pelo. Esses sintomas podem estar relacionados a outras condições de saúde.

“Um erro que a gente sempre tem em comum é atribuir qualquer vômito ou tosse à presença de pelo só porque o animal é um gato.”

A veterinária explica que doenças gastrointestinais, respiratórias e metabólicas, além da presença de corpos estranhos, também podem provocar sintomas semelhantes.

“Quando existem sintomas, eles podem estar relacionados a doenças gastrointestinais, doenças respiratórias, metabólicas ou até mesmo à presença de um corpo estranho.”

Por isso, Tainá alerta para alguns sinais que devem ser considerados motivo para procurar atendimento.

“O tutor deve sempre procurar atendimento veterinário, principalmente quando o gato apresenta vômitos repetidos, não consegue manter no estômago água ou alimento, fica apático, demonstra falta de apetite, apresenta dificuldade ou ausência de evacuação ou esforço para defecar.”

Dificuldade para respirar é sinal de alerta

Alterações respiratórias também exigem atenção e não devem ser confundidas com uma tentativa de eliminar bolas de pelo.

“A tosse persistente ou alguma dificuldade respiratória também são sinais de alerta. A dificuldade para respirar, a respiração intensa e a incapacidade de se alimentar ou beber precisam de atendimento com a maior urgência", explicou Tainá.

A recomendação final é observar não apenas a frequência da escovação, mas também qualquer mudança na rotina do animal.

“O mais importante é não esperar o problema evoluir ou que se resolva sozinho quando os sintomas são persistentes e estão associados à alteração do comportamento do animal", orienta a veterinária.

A escovação, portanto, pode fazer parte da rotina de cuidados com os gatos, não apenas para controlar os pelos, mas também como uma oportunidade de observar a saúde da pele e identificar alterações que precisam de avaliação veterinária.

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