O Nepal retomou neste sábado (29) as operações de busca e resgate das vítimas de uma das maiores tragédias recentes registradas na região do Himalaia. Os trabalhos haviam sido interrompidos temporariamente por causa da chuva e do nevoeiro, mas foram retomados após uma melhora nas condições climáticas. Quase 3 mil pessoas ainda estão desaparecidas após uma enchente devastadora que atingiu áreas próximas à fronteira com o Tibete.
De acordo com as autoridades, pelo menos 669 pessoas morreram no Nepal e outras sete no Tibete chinês. A tragédia também destruiu casas, pontes, estradas e usinas de energia. Entre os desaparecidos estão 2.426 pessoas no Nepal e outras 554 no condado de Gyirong, no Tibete. Pelo menos 540 estrangeiros estão entre os desaparecidos, muitos deles peregrinos hindus vindos da Índia.
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Buscas são retomadas após melhora do tempo
Um policial do distrito de Rasuwa, uma das áreas mais afetadas, informou que helicópteros voltaram a sobrevoar a região no fim da tarde deste sábado. Segundo ele, a operação foi retomada depois que as condições meteorológicas apresentaram melhora.
Na sexta-feira (28), os trabalhos já haviam sido suspensos devido ao aumento do nível de um lago formado na fronteira entre Nepal e China. A água começou a transbordar para os rios Lhende Khola e Trishuli, elevando o risco de novas enchentes.
Neste sábado, autoridades chinesas e a emissora estatal CCTV informaram que o risco havia diminuído. Imagens de satélite indicaram que a água estava escoando lentamente, provocando uma redução gradual no tamanho do lago.
O Nepal monitora dois lagos localizados a montante da região atingida. Segundo as autoridades, o risco de novas inundações permanecerá até que os dois reservatórios naturais sejam completamente esvaziados.
Corpos serão enterrados devido ao estado de decomposição
Três dias após o desastre, equipes de resgate começaram a encontrar corpos em avançado estado de decomposição, alguns deles irreconhecíveis. Diante das dificuldades para identificação e dos riscos sanitários, as autoridades decidiram realizar os sepultamentos após o cumprimento das formalidades legais.
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A administração do distrito de Chitwan informou que amostras de DNA serão coletadas antes dos enterros. Os corpos serão sepultados em uma área aberta devido ao risco de contaminação e de possíveis surtos de doenças.
Famílias aguardam notícias dos desaparecidos
Em Katmandu, capital nepalesa, familiares de pessoas desaparecidas se concentraram em frente ao Campus Médico de Maharajgunj, para onde parte dos corpos recuperados foi encaminhada. Muitos tentaram identificar parentes por meio de fotografias colocadas nos portões e muros da unidade.
Na Malásia, parentes de 91 cidadãos considerados "inacessíveis" no Nepal e no Tibete também aguardam informações. Manivannan Rethinam, representante de parte das famílias, pediu ao Ministério das Relações Exteriores malaio a criação de um canal de comunicação para acelerar a divulgação de informações.
O governo da Malásia informou que os trabalhos de busca, resgate e identificação das vítimas continuam.
Sobreviventes enfrentam reconstrução
Para os sobreviventes, o fim das operações de resgate não representa o fim da crise. Milhares de pessoas perderam casas, familiares e meios de subsistência e agora precisam lidar com a reconstrução.
A nepalesa Saraswati Ghale, de 43 anos, contou que perdeu a casa durante a enchente. Segundo ela, a força da água fez o chão tremer "como se fosse um terremoto". A mulher conseguiu escapar ao subir rapidamente uma colina.
"Não tenho mais nada... Estou salva, mas quem sabe como as coisas vão se desenrolar", afirmou.
O ministro das Finanças do Nepal, Swarnim Wagle, afirmou à Reuters que a estimativa inicial do governo aponta para um custo entre US$ 4 bilhões e US$ 5 bilhões para reconstruir as áreas destruídas. Ele ressaltou, porém, que o valor ainda pode mudar, já que os danos continuam sendo avaliados.
Nepal pede ajuda técnica internacional
O ministro das Relações Exteriores do Nepal, Shisir Khanal, afirmou que o país não precisa de reforços estrangeiros para as operações convencionais de busca e resgate, mas solicitou assistência especializada em áreas nas quais possui menor capacidade técnica.
Entre as necessidades estão o resgate de pessoas presas em túneis, a reconstrução de vias de transporte e comunicação destruídas, a identificação de corpos, a realização de testes de DNA e o armazenamento das vítimas por períodos prolongados.
Uma equipe indiana especializada em túneis chegou ao Nepal neste sábado. A China também enviou cinco especialistas para auxiliar nas operações, enquanto outros quatro profissionais devem se juntar à equipe.
A Índia já encaminhou três voos ao país, transportando cerca de 60 toneladas de suprimentos emergenciais, incluindo cobertores, medicamentos e alimentos. O governo indiano também ofereceu equipes de resposta a desastres, pontes pré-fabricadas e técnicos para ajudar na recuperação das conexões de transporte e comunicação.
Tibete também registra desaparecidos
Na China, as equipes de emergência continuam procurando mais de 500 pessoas desaparecidas após a enchente no Tibete. Os trabalhos chegaram, na sexta-feira, ao complexo da passagem de fronteira de Gyirong, considerado o ponto mais atingido pela tragédia.
Com as estradas destruídas, os socorristas precisaram utilizar cordas para atravessar áreas de floresta e penhascos. Imagens de câmeras de vigilância registraram o momento em que grandes volumes de água e detritos atingiram a passagem de fronteira e destruíram construções enquanto moradores tentavam escapar.
A enchente foi provocada pelo colapso de uma geleira. Uma enorme massa de rochas, gelo, lama e outros detritos desceu rapidamente pelas redes fluviais das montanhas na quarta-feira, deixando um rastro de destruição no Nepal e no Tibete.
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