O asteroide Bennu voltou a chamar atenção nas redes sociais após novos debates sobre os possíveis efeitos de uma colisão com a Terra. Embora o risco seja considerado muito baixo, o corpo celeste é monitorado constantemente pela Nasa por estar entre os asteroides que passam relativamente próximos do planeta.
Segundo estimativas dos cientistas, Bennu tem uma chance de 1 em 2.700 de atingir a Terra, com uma possível colisão projetada para setembro de 2182. O cenário foi analisado em um estudo baseado em simulações computacionais, divulgado anteriormente pela agência Reuters.
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Como é o asteroide Bennu?
Bennu é classificado como um asteroide próximo da Terra (NEA, na sigla em inglês) e realiza uma aproximação do planeta aproximadamente a cada seis anos.
Com cerca de 500 metros de diâmetro, ele é considerado um asteroide de porte médio. Em sua passagem mais próxima, pode ficar a cerca de 299 mil quilômetros da Terra, distância inferior à que separa o planeta da Lua em alguns momentos.
Apesar de a probabilidade de impacto ser extremamente pequena, o tamanho do objeto é suficiente para provocar consequências globais caso uma colisão realmente aconteça.
O que aconteceria em caso de impacto?
De acordo com o estudo, uma colisão de Bennu com a Terra desencadearia uma série de eventos devastadores.
Entre os efeitos imediatos estariam:
- uma poderosa onda de choque;
- terremotos;
- incêndios florestais em larga escala;
- intensa radiação térmica;
- formação de uma enorme cratera.
Além da destruição inicial, o impacto lançaria entre 100 milhões e 400 milhões de toneladas de poeira na atmosfera.
Esse material bloquearia parte da luz solar e alteraria significativamente o clima terrestre.
Clima poderia mudar por anos
Os pesquisadores afirmam que a poeira suspensa na atmosfera poderia provocar um fenômeno conhecido como "inverno de impacto", caracterizado pela redução da incidência de luz solar, queda das temperaturas e diminuição das chuvas.
No pior cenário simulado, a temperatura média global poderia cair cerca de 4°C, enquanto a precipitação seria reduzida em aproximadamente 15%.
O estudo também prevê:
- redução entre 20% e 30% da fotossíntese das plantas;
- perda de aproximadamente 32% da camada de ozônio;
- dificuldades para o desenvolvimento da vegetação terrestre durante vários anos.
Segundo os cientistas, os efeitos climáticos poderiam persistir por três a quatro anos, comprometendo ecossistemas e a produção de alimentos.
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Oceanos poderiam se recuperar mais rapidamente
Apesar dos impactos negativos, os modelos indicam que a vida marinha poderia reagir de forma diferente.
Os pesquisadores observaram que o plâncton teria condições de se recuperar em cerca de seis meses, impulsionado pela chegada de poeira rica em ferro aos oceanos, o que favoreceria a proliferação de diatomáceas, um grupo de algas microscópicas fundamentais para os ecossistemas marinhos.
Risco existe, mas é muito pequeno
Embora Bennu permaneça sob monitoramento constante, a Nasa reforça que a probabilidade de colisão continua extremamente baixa.
O interesse científico em torno do asteroide se deve justamente ao potencial destrutivo de objetos desse porte e à necessidade de compreender melhor seus movimentos para desenvolver estratégias de defesa planetária no futuro.
O episódio mais conhecido envolvendo um impacto de grandes proporções ocorreu há cerca de 66 milhões de anos, quando um asteroide com cerca de 10 a 15 quilômetros de diâmetro atingiu a região da atual Península de Yucatán, no México, provocando mudanças climáticas globais e levando à extinção de aproximadamente 75% das espécies da Terra, incluindo os dinossauros.
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