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Fintechs investigadas movimentaram R$ 26 bilhões em operações

Fintechs brasileiras movimentaram R$ 26 bilhões em operações atípicas, com foco em lavagem de dinheiro do PCC.

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Imagem ilustrativa da notícia Fintechs investigadas movimentaram R$ 26 bilhões em operações camera A investigação tinha como alvo a lavagem de dinheiro feita pelo PCC | Foto: Polícia Federal

As ações integradas entre órgãos de investigação e fiscalização têm se tornado fundamentais no combate ao crime organizado e à lavagem de dinheiro no Brasil. A atuação conjunta entre Ministério Público, Receita Federal e forças policiais busca enfraquecer financeiramente organizações criminosas por meio do rastreamento de movimentações suspeitas, do compartilhamento de inteligência e da ampliação dos mecanismos de controle sobre instituições financeiras.

As seis fintechs investigadas na Operação Fluxo Oculto, deflagrada na manhã desta quinta-feira (28), movimentaram, juntas, cerca de R$ 26 bilhões em operações consideradas atípicas, segundo o secretário especial da Receita Federal, Robinson Sakiyama Barreirinhas.

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A operação foi realizada em conjunto pelo Ministério Público de São Paulo e pela Receita Federal e tinha como foco a investigação de um esquema de lavagem de dinheiro supostamente utilizado pelo Primeiro Comando da Capital (PCC) por meio dessas instituições financeiras.

Durante entrevista coletiva, Barreirinhas afirmou que uma das fintechs investigadas movimentou mais de R$ 1 bilhão em dinheiro vivo, prática considerada incompatível com o funcionamento regular desse tipo de instituição financeira. Segundo ele, o volume representa um forte indício de lavagem de dinheiro ligado ao crime organizado.

A ação integra a segunda fase da Operação Carbono Oculto e ocorreu simultaneamente nos estados de São Paulo, Paraná, Rio de Janeiro, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul.

O secretário também destacou que as mudanças implementadas pela Receita Federal no ano passado foram essenciais para possibilitar a investigação. Segundo Barreirinhas, havia no país um “vácuo regulatório” que permitia às fintechs atuarem sem os mesmos níveis de transparência e fiscalização exigidos dos bancos tradicionais e demais instituições financeiras.

Ele relembrou ainda que, quando a Receita buscou corrigir essas falhas regulatórias, o órgão enfrentou uma intensa disseminação de fake news. Apesar disso, defendeu que o fortalecimento da fiscalização é o caminho mais eficaz para combater organizações criminosas.

Para Barreirinhas, o enfrentamento ao crime organizado depende da destruição de sua estrutura financeira por meio da cooperação entre instituições, do compartilhamento de inteligência e de operações integradas.

De acordo com o Ministério Público de São Paulo, o PCC continuou atuando em esquemas de lavagem de dinheiro e desvio de nafta — solventes petroquímicos — mesmo após a primeira fase da Operação Carbono Oculto, realizada no ano passado.

Os promotores afirmam que a facção criminosa se reorganizou e ampliou suas atividades, mantendo o mesmo padrão de atuação identificado anteriormente. Na primeira fase da investigação, foi constatado que o grupo utilizava três fintechs para movimentar recursos ilícitos. Após a reestruturação, a organização passou a operar com outras seis instituições financeiras do mesmo tipo.

A operação desta quinta-feira teve como alvo direto essas fintechs, que utilizavam contas abertas em bancos tradicionais, conhecidas como “contas-bolsão”. Segundo as investigações, esse mecanismo permitia dificultar o rastreamento das movimentações financeiras e ocultar a origem dos recursos.

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Com o avanço das investigações, as autoridades conseguiram identificar o fluxo do dinheiro, rastreando a origem e o destino dos valores movimentados.

Ao todo, a operação cumpriu 59 mandados de busca e apreensão.

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