Mais de 50 anos após a morte de Juscelino Kubitschek, um novo relatório reacende as dúvidas sobre o episódio ocorrido na Via Dutra, em 1976. Segundo o documento, que está sob análise da Comissão de Mortos e Desaparecidos Políticos (CEMDP), o ex-presidente teria sido vítima de uma ação do Regime Militar, contrariando a versão oficial de acidente automobilístico divulgada na época.
O parecer foi elaborado pela historiadora Maria Cecília Adão e reúne mais de cinco mil páginas. Segundo a relatora, o carro em que JK viajava entre Rio de Janeiro e São Paulo não perdeu o controle após uma colisão com um ônibus, como sustentava o governo militar. A conclusão apresentada é de que houve uma interferência externa que provocou a saída do veículo da pista e, posteriormente, a batida contra uma carreta que seguia no sentido contrário da rodovia.
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Revelado pelo Folha de São Paulo, o relatório questiona diretamente a narrativa oficial de que o Opala conduzido por Geraldo Ribeiro, amigo e motorista de JK, teria sido atingido durante uma ultrapassagem. O impacto teria feito o automóvel atravessar a pista e colidir com a carreta, causando a morte dos dois ocupantes. Contudo, para Maria Cecília Adão não existem evidências que sustentem essa primeira colisão.
A análise também considera investigações realizadas posteriormente, incluindo um inquérito civil público conduzido pelo Ministério Público Federal (MPF) entre 2013 e 2019. O procedimento concluiu que o carro de JK não bateu no ônibus antes de cruzar a pista, embora tenha destacado ser “impossível afirmar ou descartar a hipótese de atentado”.
Além disso, o relatório incorpora conclusões das comissões estaduais da Verdade de São Paulo e Minas Gerais, que apontaram a possibilidade de um atentado político contra o ex-presidente. Entre as hipóteses levantadas estão sabotagem no veículo e disparos contra o automóvel.
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O documento ainda será analisado pelos demais integrantes da CEMDP e deve entrar em pauta na próxima reunião do colegiado, que ainda não teve data definida. O órgão foi criado em 1995, durante o governo Fernando Henrique Cardoso, com a missão de reconhecer mortes e desaparecimentos relacionados à repressão política no período da ditadura militar.
Juscelino Kubitschek governou o Brasil entre 1956 e 1961. O mandato dele ficou marcado pelo plano de desenvolvimento sintetizado no lema “50 anos em 5” e pela construção de Brasília, inaugurada em 1960. Após deixar a Presidência, JK foi eleito senador, mas teve os direitos políticos cassados depois do golpe militar de 1964. A morte do ex-presidente, ocorrida no dia 22 de agosto de 1976, segue cercada de questionamentos até hoje.
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