O tempo passa, as cidades mudam e certos símbolos urbanos acabam ficando para trás. O que antes fazia parte da paisagem cotidiana - disputado em dias de chuva, usado em emergências ou para ligações rápidas - hoje sobrevive mais como memória coletiva do que como necessidade prática. É nesse cenário de transformação tecnológica e de hábitos que os orelhões vão, silenciosamente, deixando as ruas do Brasil.
A retirada dos telefones públicos deve se intensificar a partir de 2026, após o fim do modelo de concessão da telefonia fixa. Com a migração para o regime de autorização, as operadoras passaram a ter permissão para remover os aparelhos considerados não obrigatórios, já que deixaram de existir as exigências de manutenção e expansão impostas pelo regime público.
CONTEÚDO RELACIONADO
- 30 anos depois, mistério do ET de Varginha segue vivo; veja local da aparição
- Samu afasta médica que declarou morte de mulher por engano
- Caso PC Siqueira: Justiça reabre investigação sobre morte do youtuber
FIM DA TELEFONIA FIXA
Segundo reportagem da CNN Brasil, os números mostram a velocidade desse desaparecimento. Em dezembro de 2025, o país contava com 38.454 orelhões, número que representa menos da metade dos 84.938 registrados um ano antes. Antes da pandemia, em janeiro de 2020, eram mais de 200 mil aparelhos espalhados pelo território nacional. Do total atual, 88,1% estão ativos e 11,9% em manutenção.
Quer mais notícias nacionais? Acesse o canal do DOL no WhatsApp.
A mudança decorre da adaptação dos antigos contratos do Serviço Telefônico Fixo Comutado (STFC) à Lei Geral de Telecomunicações. Com isso, as empresas passaram a operar no regime privado. "Hoje, os orelhões não são mais a regra, são exceção, e são mantidos apenas onde não há um serviço de voz substituto", afirma Marcos Paulo Carozza, gerente da Anatel responsável pelo controle das obrigações de universalização.
9 MIL ORELHÕES SERÃO MANTIDOS ATÉ 2028
A Oi foi a primeira a concluir essa adaptação, ainda em novembro de 2024, e pôde iniciar a retirada dos aparelhos não obrigatórios antes das concorrentes. Algar, Claro e Telefônica só tiveram seus contratos ajustados ao longo de 2025 e, até 31 de dezembro daquele ano, ainda eram obrigadas a manter todos os orelhões em funcionamento. Desde 1º de janeiro de 2026, essas empresas também estão autorizadas a iniciar a remoção.
Apesar disso, cerca de nove mil orelhões deverão ser mantidos até 31 de dezembro de 2028, sobretudo em regiões onde a cobertura de telefonia celular é considerada insuficiente.
QUEDA NO USO DOS ORELHÕES
São Paulo lidera com folga o número de aparelhos: eram 28.810 em dezembro de 2025, dos quais 96,4% estavam ativos. No extremo oposto, o Espírito Santo contava com apenas 15 orelhões. Estados como Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Minas Gerais, Bahia e Pará também registram números cada vez mais modestos.
Responsável pelos aparelhos em São Paulo, a Telefônica/Vivo afirma que o uso dos orelhões caiu 93% nos últimos cinco anos. Segundo a empresa, o termo firmado com a Anatel prevê a manutenção dos telefones públicos até 2028 apenas em localidades atendidas exclusivamente pela operadora, evidenciando que os orelhões deixaram de fazer parte da rotina da maioria dos brasileiros.
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar