
Mohamad Hussein Mourad, mais conhecido como "Primo" ou "João", é o principal alvo de uma investigação que desvendou um esquema bilionário de fraudes fiscais e lavagem de dinheiro no setor de combustíveis. O empresário é acusado de liderar uma rede criminosa associada ao Primeiro Comando da Capital (PCC), com o auxílio de familiares e sócios em diversas empresas de transporte e distribuição de combustíveis. A operação tem como objetivo desmantelar o esquema que teria inflado preços e sonegado impostos, gerando grandes lucros ilícitos.
De acordo com o juiz Sandro Nogueira de Barros Leite, em decisão judicial que levou à operação, "Mohamad Hussein Mourad é o epicentro das operações, com seus familiares e associados desempenhando papéis cruciais. A rede de Mohamad é extensa e inclui familiares, sócios, administradores e profissionais cooptados".
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A fachada de empresário de sucesso
No LinkedIn, Mourad se apresentava como CEO da G8LOG, uma empresa especializada no transporte rodoviário de cargas perigosas, como combustível. Ele também alegava ser consultor do grupo Copape, uma distribuidora de combustíveis. Na página dele, afirmava ser "um empresário e investidor que acredita na potência do trabalho, da disciplina e do comprometimento como caminho para o alcance de resultados sólidos".
No entanto, as investigações apontam que, por trás dessa imagem de sucesso, Mourad usava as empresas Copape e Aster para inflar os preços de combustíveis e realizar fraudes fiscais. O esquema envolvia a sonegação de impostos e a obtenção de créditos tributários ilegais, o que teria gerado um grande fluxo de dinheiro sujo para a rede do empresário.
Rede de familiares e associados
O envolvimento de familiares e associados de Mourad é um dos aspectos centrais da investigação. A irmã dele, Amine Mourad, é responsável pela rede de conveniências Empório Express, com 168 lojas, e também é sócia da Sudeste Terminais, que assumiu as operações da Copape após a empresa ser cassada pela Agência Nacional do Petróleo (ANP).
Já o irmão de Mohamad, Armando Mourad, é presidente da Safra Distribuidora de Petróleo e está à frente de outras empresas do setor, como a Monroy West Energy, criada para contornar a suspensão das atividades da Copape. Entre os primos de Mohamad, destaca-se Himad Mourad, fundador da Insight Participações, uma empresa usada para proteger patrimônio e lavar dinheiro, conforme as investigações. Ele também tem participação em fundos imobiliários e outras empresas, como GGX Global e Locar Locadora.
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A investigação revelou ainda que Silvana Correa, companheira de Mohamad, é dona da VM Administração de Bens, empresa usada para ocultar patrimônio. Hussein Mourad, outro membro da família, é sócio da Sudeste Terminais, e Tharek Bannout, com vínculos familiares com o empresário, está ligado a várias empresas do grupo e a postos de combustíveis em São Paulo.
Com o apoio de uma rede de familiares, sócios e associados, Mohamad Mourad é suspeito de montar um esquema complexo de fraude fiscal e lavagem de dinheiro, que operava no setor de combustíveis, movimentando milhões de reais de forma ilícita. A investigação agora busca desmantelar essa estrutura criminosa, que se estende por diversas empresas e envolve membros de uma mesma família.
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