O planeta está mais próximo da autodestruição simbólica. Nesta terça-feira (27), cientistas ajustaram o Relógio do Apocalipse para 85 segundos antes da meia-noite, um avanço de quatro segundos que representa o agravamento das ameaças à humanidade.
O Boletim dos Cientistas Atômicos anunciou a atualização em Washington, nos Estados Unidos, durante evento realizado ao meio-dia. A organização, responsável pelo relógio desde sua criação em 1947, justificou a mudança com base no aumento dos riscos nucleares e no desenvolvimento acelerado da inteligência artificial sem regulação adequada.
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Alexandra Bell, presidente e CEO do boletim, emitiu um alerta direto sobre a situação global.
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"A mensagem não poderia ser mais clara. Os riscos catastróficos estão em ascensão, a cooperação diminui e o tempo se esgota. A mudança é necessária e possível, mas a comunidade global precisa exigir ações rápidas de seus líderes", declarou.
Múltiplas ameaças convergem
O Conselho de Ciência e Segurança apontou três frentes principais de preocupação que motivaram o ajuste:
- Políticas de risco nuclear adotadas por potências mundiais;
- Desenvolvimento de inteligência artificial sem controles internacionais;
- Ameaças biológicas emergentes e falta de preparação global
Daniel Holz, presidente do conselho, destacou um fator agravante: a fragmentação geopolítica.
"As tendências perigosas relacionadas ao risco nuclear, às mudanças climáticas, às tecnologias disruptivas como a IA e à biossegurança vêm acompanhadas de outro desenvolvimento alarmante: a ascensão de autocracias nacionalistas ao redor do mundo", afirmou.
Cooperação global em colapso
Segundo o conselho, as grandes potências adotaram posturas mais agressivas nos últimos anos.
Acordos internacionais perderam força justamente quando as ameaças existenciais se intensificam. Um cenário global dividido torna "toda a humanidade mais vulnerável", alertou Holz.
Os cientistas cobram medidas urgentes em três áreas:
- Controle efetivo de arsenais nucleares;
- Criação de regras internacionais para uso da inteligência artificial;
- Fortalecimento da cooperação contra ameaças biológicas.
O que significa o símbolo?
O Relógio do Apocalipse funciona como indicador simbólico das ameaças à sobrevivência humana. A meia-noite representa a autodestruição da espécie. Quanto mais próximo desse horário, maior o perigo iminente.
Criado há 79 anos pelo Boletim dos Cientistas Atômicos, o relógio inicialmente monitorava apenas o risco de guerra nuclear. Com o tempo, incorporou outras ameaças como mudanças climáticas, pandemias e tecnologias disruptivas.
Histórico de ajustes revela evolução das ameaças
O relógio passa por reavaliação anual, geralmente em janeiro. O ponto mais perigoso anterior aconteceu em 1953, quando marcou dois minutos para a meia-noite.
Na época, Estados Unidos e União Soviética iniciaram testes com bombas termonucleares.
Em janeiro de 2025, o relógio marcou 89 segundos, o menor intervalo já registrado até então. Já o momento de maior segurança ocorreu em 1991, no fim da Guerra Fria, quando chegou a 17 minutos da meia-noite.
Estados Unidos e União Soviética haviam assinado o Tratado de Redução de Armas Estratégicas.
Alerta, não previsão
Holz reforçou que o relógio não prevê o futuro. "Qualquer movimento em direção à meia-noite deve ser interpretado como um sinal de perigo extremo e um aviso inequívoco", explicou.
Os cientistas observam que líderes mundiais adotam políticas que "aceleram, em vez de mitigar" os riscos globais. A incapacidade de reverter esse curso aumenta a probabilidade de uma catástrofe de proporções inéditas.
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