O que começou como um episódio isolado em pequenas propriedades rurais do Agreste de Alagoas acabou se transformando em uma onda de ataques cercada por medo, especulações e prejuízos para produtores da região. Entre relatos de animais encontrados sem sangue, marcas profundas no pescoço e sons estranhos durante a madrugada, moradores passaram a reviver uma velha figura do imaginário popular brasileiro: o lendário "chupa-cabra".
Nas últimas semanas, cidades do interior como Craíbas, Igaci, São Brás, Porto Real do Colégio, Arapiraca e agora Palmeira dos Índios registraram ataques semelhantes a ovelhas, cabras, galinhas, gansos e outros animais de criação. Em comum, os casos apresentam mortes violentas ocorridas durante a noite e a ausência de uma explicação definitiva sobre o responsável pelos ataques.
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ATAQUE EM PALMEIRA DOS ÍNDIOS AUMENTA TENSÃO

O caso mais recente ocorreu na comunidade Mata da Cafurna de Baixo, na zona rural de Palmeira dos Índios. Na madrugada da última terça-feira (5), 12 ovelhas foram encontradas mortas em duas propriedades diferentes.
Em um dos sítios, sete animais morreram mesmo estando dentro do cercado. Já em outra propriedade, cinco ovelhas apresentavam ferimentos severos na cabeça e no pescoço. Criadores relataram que cães latiram intensamente durante a madrugada, mas ninguém conseguiu identificar o predador. O estado dos corpos, com pescoços dilacerados, aumentou a suspeita de ataque provocado por matilhas de cães. Ainda assim, o mistério permanece.
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MAIS DE 100 ANIMAIS MORTOS OU DESAPARECIDOS
De acordo com relatos de produtores rurais, mais de 100 animais já teriam morrido ou desaparecido desde o início da sequência de ataques no Agreste alagoano. Em algumas propriedades, os animais apareceram parcialmente devorados; em outras, apresentavam apenas perfurações no pescoço e quase nenhum vestígio de sangue no chão.
Em Igaci, moradores do povoado Coité das Pinhas encontraram cerca de dez animais mortos, entre ovelhas e gansos. Segundo os relatos, os corpos tinham perfurações na cabeça e no pescoço, o que intensificou rumores sobre a presença de uma criatura desconhecida.
Já em Craíbas, moradores do povoado Lagoa Nova afirmaram que aproximadamente 20 animais morreram em circunstâncias semelhantes. A ausência de sangue próximo aos corpos foi um dos detalhes que mais chamou atenção da população local.
VIGÍLIAS NOTURNAS E MEDO NO CAMPO
Sem respostas oficiais, moradores passaram a organizar vigílias noturnas nas comunidades rurais. Em alguns povoados, produtores se revezam durante a madrugada para tentar flagrar o responsável pelos ataques.
No Sítio Torrões, entre Craíbas e Igaci, moradores afirmam ter encontrado pegadas consideradas "incomuns", o que ajudou a alimentar ainda mais as teorias envolvendo o "chupa-cabra".
A ausência de boletins de ocorrência na maioria dos episódios também dificulta investigações formais. Muitos casos ainda não chegaram oficialmente às autoridades, o que limita o avanço de apurações técnicas sobre os ataques.
"ESTRUTURA DE CACHORRO" E "PARECIDO COM LOBISOMEM"
Um homem de 28 anos prestou depoimento à Polícia Civil após afirmar ter presenciado e interrompido um ataque contra o rebanho de ovelhas da própria família, na zona rural de Craíbas.
O caso aconteceu na madrugada do dia 7 de abril e aumentou ainda mais o clima de medo entre produtores rurais da região. Segundo Henrique, ele retornava do trabalho perto da meia-noite quando ouviu cachorros latindo no sítio da família. Minutos depois, percebeu uma movimentação estranha no curral e decidiu verificar o que estava acontecendo.
Ao chegar ao local, Henrique contou ter visto dois cães de médio porte, semelhantes a vira-latas, além de um terceiro animal que ele afirma não conseguir identificar. Em depoimento à polícia, descreveu a criatura como extremamente rápida, com "estrutura de cachorro", mas com características incomuns. "Era estrutura de um cachorro, rápido. Mas não era pata, era garra", relatou.
O delegado Manoel Acácio Júnior, responsável pela investigação, afirmou que o homem descreveu o terceiro animal como algo que "parecia um lobisomem". No ataque, seis ovelhas morreram e outras sete ficaram feridas.
VETERINÁRIO APONTA HIPÓTESES MAIS PLAUSÍVEIS
Apesar das especulações populares, especialistas apontam hipóteses mais realistas para os ataques. Entre as possibilidades levantadas estão ações de cães selvagens, onças, suçuaranas ou ataques de oportunidade realizados por matilhas durante a noite.
O médico veterinário Epitácio Correia acredita que os responsáveis mais prováveis sejam cães errantes agindo em matilha. Segundo ele, esses animais desenvolvem comportamento predatório quando vivem sem tutores e com pouco acesso a alimento.
O especialista também explicou que a ausência de grandes quantidades de sangue nos corpos não indica necessariamente um ataque incomum, já que ataques de cães podem provocar perfurações profundas e dilacerações severas sem necessariamente espalhar grandes quantidades de sangue pelo chão. Outra hipótese considerada é a de ataques por felinos, que normalmente matam as presas por asfixia.
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