Um novo tratamento experimental pode mudar a forma como o colesterol alto é controlado atulamente. Pesquisadores dos Estados Unidos, Austrália e Nova Zelândia desenvolveram um medicamento que, administrado por meio de uma única infusão, foi capaz de reduzir os níveis de colesterol LDL, conhecido como colesterol ruim, durante pelo menos um ano.
Os resultados do primeiro estudo foram publicados nesta sexta-feira (28/8) na revista científica New England Journal of Medicine. Contudo, apesar dos dados considerados promissores, os próprios pesquisadores ressaltam que a pesquisa ainda está em estágio inicial e que serão necessários estudos maiores para avaliar a segurança e a eficácia do tratamento.
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Como funciona o novo medicamento?
O colesterol elevado está entre os problemas de saúde mais frequentes no mundo e é considerado um dos mais importantes fatores de risco para doenças cardiovasculares. Dados da Federação Mundial do Coração apontam que cerca de 4,4 milhões de mortes por ano no mundo são causadas pelo colesterol alto.
Segundo a comunidade médica, como geralmente a doença provoca poucos sintomas, a condição acaba passando despercebida por muitas pessoas. Além disso, pelo menos metade dos pacientes abandona o tratamento convencional, que exige a ingestão diária de medicamentos.
Diante desse cenário, a nova estratégia busca justamente contornar essa dificuldade. No estudo inicial, 15 voluntários receberam uma infusão de nanopartículas lipídicas, estruturas semelhantes a pequenas bolhas de gordura que transportaram até o organismo uma tecnologia de edição genética.
O objetivo dos cientistas era desativar o gene ANGOTL3, que participa do metabolismo do colesterol. Segundo os pesquisadores, os participantes receberam diferentes concentrações do tratamento.
Entre aqueles que receberam a dose mais elevada, quatro pacientes apresentaram uma redução de aproximadamente 50% nos níveis de colesterol LDL e também nos triglicerídeos, outro fator associado ao risco de doenças cardíacas.
O efeito permaneceu durante todo o primeiro ano de acompanhamento. Ainda de acordo com os pesquisadores, os benefícios podem continuar por um período ainda maior, embora seja necessário acompanhar os participantes por mais tempo para confirmar a duração do resultado.
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Próximas etapas
Segundo os cientistas, a pesquisa ainda terá uma nova etapa, envolvendo algumas dezenas de pacientes. Os resultados dessa fase estão previstos para serem divulgados até o fim do ano.
Se os dados forem positivos, a expectativa dos cientistas é avançar para um estudo de fase 3, que deverá envolver um número maior de participantes e será importante para determinar com mais precisão se o tratamento é seguro e se apresenta eficácia suficiente para uso mais amplo.
Por utilizar uma técnica de edição genética, o tratamento também exige um acompanhamento prolongado. De acordo com os pesquisadores, pacientes submetidos a terapias desse tipo precisam ser monitorados por pelo menos 15 anos.
Mesmo diante das etapas que ainda precisam ser cumpridas, a equipe responsável pelo desenvolvimento do medicamento trabalha com a expectativa de que o tratamento possa ser aprovado para o uso da população geral a partir de 2030.
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