A lipoproteína(a), conhecida como Lp(a), pode representar um fator de risco cardíaco desconhecido para milhões de pessoas. Uma análise apresentada nas Sessões Científicas de 2026 da Sociedade de Angiografia e Intervenções Cardiovasculares (SCAI) indica que aproximadamente uma em cada cinco pessoas apresenta níveis elevados da partícula, que são determinados principalmente pela genética e normalmente não aparecem nos exames convencionais de colesterol.
O levantamento reuniu informações de 20.070 participantes de três grandes estudos clínicos financiados pelos Institutos Nacionais de Saúde dos Estados Unidos (NIH). Os resultados apontaram que concentrações muito elevadas de Lp(a) estão associadas a maior risco de eventos cardiovasculares graves, acidente vascular cerebral (AVC) e morte por causas cardiovasculares.
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O QUE É A LP(A)?
A Lp(a) é uma partícula responsável pelo transporte de colesterol pelo sangue e apresenta semelhanças com o LDL, conhecido popularmente como “colesterol ruim”.
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A diferença está na presença de uma proteína adicional. Essa característica pode favorecer a formação de placas nas artérias e contribuir para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares.
Um dos principais aspectos que tornam a Lp(a) difícil de identificar é sua origem. Diferentemente de fatores relacionados à alimentação e ao estilo de vida, seus níveis são determinados principalmente pela genética.
Isso significa que uma pessoa pode apresentar níveis controlados de colesterol LDL e, ainda assim, ter um risco cardiovascular aumentado por causa da Lp(a).
Outro ponto de atenção é que a partícula geralmente não provoca sintomas. Assim, uma pessoa pode apresentar níveis elevados sem saber que possui esse fator de risco.
PESQUISA ACOMPANHOU MAIS DE 20 MIL PESSOAS
Para realizar a análise, os pesquisadores utilizaram amostras de sangue coletadas anteriormente em três estudos do NIH: ACCORD, PEACE e SPRINT.
Os participantes tinham 40 anos ou mais e foram divididos de acordo com as concentrações de Lp(a). Os pesquisadores acompanharam a ocorrência de diferentes problemas cardiovasculares, entre eles infarto, AVC, necessidade de procedimentos de revascularização e morte por causas cardíacas.
Durante um período médio de aproximadamente quatro anos de acompanhamento, foram registrados 1.461 eventos cardiovasculares graves, o equivalente a 7,3% dos participantes avaliados.
CONCENTRAÇÃO ELEVADA ACENDE ALERTA
A análise identificou uma associação mais significativa entre problemas cardiovasculares e participantes que apresentavam níveis de Lp(a) iguais ou superiores a 175 nmol/L.
Nesse grupo, os pesquisadores observaram aumento do risco de eventos cardiovasculares graves, morte por causas cardiovasculares e AVC. Por outro lado, não foi identificado aumento significativo do risco de infarto do miocárdio relacionado aos níveis elevados da partícula.
A relação entre Lp(a) elevada e os eventos cardiovasculares também foi mais evidente entre pessoas que já tinham algum tipo de doença cardiovascular.
EXAME DE SANGUE PODE IDENTIFICAR A PARTÍCULA
Como a Lp(a) não costuma fazer parte dos exames tradicionais utilizados para avaliar o colesterol, seus níveis podem permanecer desconhecidos. Um exame de sangue específico pode identificar a concentração da partícula e ajudar a revelar esse fator de risco hereditário.
De acordo com o cardiologista intervencionista Subhash Banerjee, um dos autores do estudo, conhecer os níveis de Lp(a) pode ajudar os profissionais de saúde a intensificar o controle de outros fatores de risco, especialmente por meio da redução do colesterol LDL.
TRATAMENTOS ESPECÍFICOS AINDA ESTÃO EM ESTUDO
Atualmente, não existem terapias amplamente aprovadas especificamente para reduzir a Lp(a). Entretanto, diferentes medicamentos desenvolvidos para atuar sobre a partícula estão em fases avançadas de pesquisa clínica.
Para os pesquisadores, identificar pessoas com concentrações elevadas pode ser importante não apenas para o acompanhamento individual, mas também para selecionar pacientes que eventualmente possam se beneficiar de novas estratégias de tratamento quando elas estiverem disponíveis.
A equipe responsável pelo estudo pretende ainda ampliar as investigações para outros grupos de pacientes, incluindo pessoas com doença renal crônica e doença arterial periférica.
A avaliação desses grupos poderá ajudar os pesquisadores a compreender melhor como a Lp(a) se relaciona com diferentes condições cardiovasculares e quais populações podem apresentar maior risco.
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