A venda de biquíni usado por influenciadoras digitais de Belém virou assunto nas redes sociais e dividiu opiniões entre seguidores, criadores de conteúdo e especialistas. A polêmica ganhou força após blogueiras paraenses anunciarem peças de praia já utilizadas em bazares online.
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Enquanto algumas influenciadoras consideram a prática normal quando há higienização adequada, outras defendem que o biquíni deve ser tratado como uma peça íntima e não deveria ser revendido. Para esclarecer as dúvidas sobre os riscos à saúde, a reportagem conversou com o ginecologista Hamilton Franco.
A discussão começou depois que a influenciadora Geane Lorena anunciou a venda de biquínis usados durante uma viagem. A iniciativa rapidamente repercutiu e motivou uma série de vídeos nas redes sociais, com internautas criticando e defendendo a prática.
Entre as vozes contrárias está a influenciadora Hannah Aviz. Em publicação nas redes, ela afirmou que considera inadequada a revenda desse tipo de peça, mesmo quando utilizada apenas uma vez.
"É algo muito íntimo para estar vendendo. Mesmo que lave ou escalde, não. Teve contato, encostou na pele."
Hannah ressaltou que não vê problemas na comercialização de outras roupas, como vestidos e saídas de praia, mas criticou a venda de peças íntimas já bastante utilizadas e, segundo ela, oferecidas por preços elevados.
Quem também comentou o assunto foi a influenciadora Daynna Carvalho. Ela afirmou ser favorável aos bazares de roupas, mas fez ressalvas em relação aos biquínis usados.
"Nada contra quem faz bazar, mas vocês querem fazer bazar do biquíni que usaram o mês todo? Se está surrado, doa para quem precisa ou descarta."
Defesa da prática
Em resposta às críticas, Geane Lorena saiu em defesa da venda das peças e afirmou que existe um preconceito exagerado em relação às roupas usadas.
Nas redes sociais, ela comparou o receio de comprar um biquíni devidamente higienizado com a falta de cuidados que muitas pessoas têm ao iniciar relacionamentos sem conhecer o histórico de saúde do parceiro.
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Segundo a influenciadora, roupas lavadas com água e sabão passam por um processo eficiente de higienização, enquanto a prevenção de infecções sexualmente transmissíveis exige responsabilidade e outros cuidados.
"Antes de ter nojo da minha roupa de bazar, ou da roupa de outras blogueiras, tenha nojo de quem você leva para a sua cama sem exigir nada. Cada um escolhe o risco que quer correr e eu continuo confiando mais numa roupa lavada do que num príncipe por aí."
A repercussão também ganhou um tom bem-humorado. O humorista Hygo Palheta entrou na discussão com um vídeo satirizando a situação, no qual aparece anunciando a venda de um biquíni aparentemente bastante usado para arrecadar dinheiro e pagar a fatura do cartão de crédito.
Médico explica riscos e cuidados sobre o uso de biquíni usado
Para esclarecer as dúvidas sobre os possíveis riscos relacionados ao uso de biquínis já utilizados por outras pessoas, a reportagem conversou com o ginecologista Hamilton Franco. Segundo o especialista, apesar de ser uma peça de banho, o biquíni exige cuidados semelhantes aos de roupas íntimas por entrar em contato direto com uma região sensível do corpo.

“Embora seja uma roupa de banho, o biquíni entra em contato direto com a região genital, uma área que possui uma microbiota natural e é mais sensível à umidade e ao atrito. Por isso, do ponto de vista da saúde, ele deve receber os mesmos cuidados de higiene que uma peça íntima”, explicou o médico.
Sobre a possibilidade de comprar ou compartilhar um biquíni usado, Hamilton Franco afirmou que os riscos são reduzidos quando existe uma higienização adequada, mas alertou para a importância de conhecer as condições de armazenamento e limpeza da peça.
“O risco é considerado baixo quando a peça foi devidamente lavada e higienizada. No entanto, compartilhar ou comprar um biquíni usado sem saber como ele foi armazenado ou higienizado pode aumentar a possibilidade de contato com microrganismos, principalmente se houver secreções, umidade ou resíduos orgânicos na peça”, afirmou.
O ginecologista também explicou que um biquíni contaminado pode estar relacionado a alguns tipos de infecções, principalmente causadas por fungos e bactérias.
“O uso compartilhado de um biquíni contaminado pode favorecer a transmissão de alguns fungos e bactérias que causam infecções de pele ou irritações na região íntima. Em pessoas predispostas, também pode contribuir para episódios de candidíase ou vaginose bacteriana, embora essas doenças tenham múltiplos fatores envolvidos e não sejam transmitidas apenas pelo contato com roupas”, disse.

O especialista destacou ainda que as infecções sexualmente transmissíveis não costumam ser transmitidas pelo compartilhamento de biquínis.
“Já as infecções sexualmente transmissíveis, de forma geral, não costumam ser transmitidas pelo compartilhamento de biquínis”, completou.
Sobre a higienização da peça, Hamilton Franco explicou que uma lavagem correta costuma ser suficiente para reduzir significativamente a presença de microrganismos, desde que alguns cuidados sejam seguidos.
“Na maioria dos casos, uma lavagem adequada com água e sabão neutro é suficiente para remover sujeiras e reduzir significativamente a presença de microrganismos. Também é importante enxaguar bem a peça, deixá-la secar completamente de preferência ao sol ou em local bem ventilado e armazená-la em ambiente seco. Evitar guardar o biquíni úmido também é um cuidado essencial”, orientou.
O médico ressaltou que existem situações em que o compartilhamento deve ser evitado, principalmente quando há sinais de infecção ou problemas de saúde na região íntima.
“O compartilhamento deve ser evitado principalmente quando a pessoa apresenta alguma infecção ginecológica ativa, lesões na pele, feridas ou qualquer quadro infeccioso na região íntima. Também não é recomendado compartilhar peças que não passaram por uma higienização adequada ou cuja procedência seja desconhecida”, explicou.

Para quem pretende vender ou comprar um biquíni usado, o ginecologista recomenda atenção ao estado da peça e transparência entre vendedor e comprador.
“Quem pretende vender deve garantir que a peça esteja em ótimo estado de conservação, devidamente higienizada e informar isso de forma transparente ao comprador. Já quem pretende comprar deve verificar as condições do tecido, evitar peças com sinais de desgaste ou manchas e realizar uma nova lavagem antes do primeiro uso”, afirmou.
Hamilton Franco reforçou que, mesmo quando os cuidados são seguidos, a decisão de comprar ou vender um biquíni usado é individual e deve envolver bom senso.
“Também é importante lembrar que, por mais que os riscos sejam baixos quando há higiene adequada, trata-se de uma decisão pessoal e que exige bom senso”, destacou.
Por fim, o especialista alertou para um cuidado importante no uso diário das peças de banho, independentemente de serem novas ou usadas.
“Em qualquer situação, a recomendação é nunca utilizar um biquíni úmido por períodos prolongados e trocá-lo após o banho de mar ou piscina, pois a umidade prolongada favorece irritações e pode aumentar o risco de infecções na região íntima”, concluiu.
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