Há hábitos que atravessam séculos, sobrevivem às mudanças de comportamento e seguem firmes nas mesas, cozinhas e conversas do cotidiano. Entre eles, poucos ocupam lugar tão simbólico quanto o café. Presente nas primeiras horas da manhã, nos intervalos do trabalho e até nos encontros casuais, a bebida transformou-se em um ritual global. Mas, enquanto o aroma continua conquistando milhões de pessoas diariamente, uma dúvida antiga persiste entre médicos e consumidores: afinal, o café faz mal para a pressão arterial?
A resposta, segundo pesquisadores e estudos recentes, está longe de ser definitiva em tom alarmista. Embora a cafeína possa provocar elevações temporárias da pressão arterial, especialmente em pessoas hipertensas ou pouco acostumadas à bebida, grandes análises científicas indicam que o consumo moderado de café não aumenta, de forma significativa, o risco de desenvolver hipertensão.
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O EFEITO DA CAFEÍNA NO ORGANISMO
A pressão arterial corresponde à força exercida pelo sangue contra as paredes das artérias durante os batimentos cardíacos. Ela é medida por dois índices: a pressão sistólica, registrada quando o coração se contrai, e a diastólica, observada durante o relaxamento entre os batimentos.
Quando os níveis permanecem abaixo de 120 por 80 milímetros de mercúrio (mm Hg), o quadro é considerado normal. Já leituras frequentes iguais ou superiores a 140/90 configuram hipertensão, condição silenciosa que aumenta o risco de infarto, AVC e doenças renais.
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Nesse contexto, a cafeína desperta atenção por agir como estimulante muscular. A substância pode acelerar os batimentos cardíacos e estimular a liberação de adrenalina pelas glândulas suprarrenais, provocando contração dos vasos sanguíneos e aumento temporário da pressão.
Pesquisas apontam que os níveis de cafeína no sangue atingem o pico entre 30 minutos e duas horas após o consumo. Os efeitos variam conforme idade, genética e frequência de ingestão da bebida. Consumidores habituais, por exemplo, costumam metabolizar a substância com maior rapidez.
ESTUDOS AFASTAM RELAÇÃO DIRETA COM HIPERTENSÃO
Apesar dos efeitos imediatos da cafeína, análises mais amplas indicam que o café, em consumo moderado, não está diretamente associado ao desenvolvimento de hipertensão.
Uma revisão envolvendo 13 estudos e cerca de 315 mil pessoas mostrou que o consumo regular da bebida não aumentou o risco de pressão alta. Durante o acompanhamento, mais de 64 mil participantes desenvolveram hipertensão, mas os pesquisadores concluíram que o café não foi um fator determinante para a condição.
Os resultados permaneceram semelhantes mesmo após análises relacionadas a gênero, quantidade consumida, uso de café com ou sem cafeína, tabagismo e tempo de acompanhamento.
Além da cafeína, especialistas lembram que o café possui centenas de fitoquímicos capazes de influenciar o organismo. Compostos como melanoidinas e ácido quínico, por exemplo, foram associados à melhora do funcionamento dos vasos sanguíneos e à regulação de mecanismos ligados à pressão arterial.
ATENÇÃO PARA CASOS DE HIPERTENSÃO GRAVE
Embora os estudos tragam resultados tranquilizadores para a maioria da população, pesquisadores alertam que pessoas com hipertensão severa precisam ter cautela.
Um estudo realizado no Japão acompanhou mais de 18 mil adultos durante quase duas décadas. Entre participantes com hipertensão grave - pressão sistólica igual ou superior a 160 ou diastólica acima de 100 - o risco de morte por doenças cardiovasculares foi duas vezes maior entre aqueles que consumiam duas ou mais xícaras de café por dia. A mesma relação não apareceu entre pessoas com pressão normal ou hipertensão leve.
MODERAÇÃO CONTINUA SENDO A RECOMENDAÇÃO
A orientação dos especialistas é que o café não precisa ser eliminado da rotina da maioria das pessoas. O mais importante é acompanhar regularmente os níveis de pressão arterial, considerar fatores como alimentação, histórico familiar, consumo de sal e prática de atividade física, além de observar como o organismo reage à cafeína.
Os pesquisadores também recomendam evitar o consumo de café antes da medição da pressão, já que a bebida pode alterar temporariamente os resultados. Para a maioria dos adultos saudáveis, a moderação corresponde a até quatro xícaras por dia. Já pessoas com hipertensão grave devem reduzir a ingestão e buscar orientação médica.
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