Uma dor persistente no ombro direito, atribuída com frequência a má postura ou esforço físico, pode ser um sinal de algo muito mais grave do que uma alteração muscular ou articular.
Segundo o alerta do oncologista Jiri Kubes, este sintoma pode indicar um quadro mais grave em um órgão vital: o câncer de fígado. Kubes explica o mecanismo por trás do sintoma: trata-se de um fenômeno chamado dor referida, quando um problema em um órgão interno é sentido em outra região do corpo.
Leia também:
- Frutas vermelhas podem aumentar a longevidade; aponta estudo
- A sua pele pode mostrar sinais de colesterol alto: veja quais
O fígado aumentado estimula nervos que se conectam aos do ombro, o que faz a dor ser percebida nessa região em vez de no abdômen. Além disso, a tensão da região, refletida por cadeias musculares, aumenta a tensão justamente no ombro direito.
Por isso, o sintoma é descartado com facilidade como consequência de tarefas domésticas, má postura ou posição errada ao dormir, o que atrasa a investigação médica.
Por que o câncer de fígado passa despercebido?
O câncer de fígado, especialmente nos estágios iniciais, quase não apresenta sintomas específicos. Quando surgem, os sinais são vagos e facilmente confundidos com outras condições de saúde.
Segundo Kubes, esse é o principal desafio da doença: os sinais iniciais são sutis demais para despertar preocupação, o que leva muitas pessoas a ignorá-los por meses.
Os sintomas geralmente não ocorrem nos estágios iniciais e, quando aparecem, é fundamental agir com rapidez. Afinal, o diagnóstico tardio reduz as opções de tratamento e piora o prognóstico.
Quando o câncer de fígado é descoberto precocemente, as taxas de cura são altas, com os pacientes levando uma vida normal após o tratamento.
Gordura no fígado: o passo silencioso antes do câncer
O oncologista Marcos Pontes chama atenção para um dado preocupante: a maioria das pessoas com gordura no fígado não sabe que está doente.
A condição, chamada de esteatose hepática, avança sem sintomas claros e, sem tratamento, pode progredir para cirrose e, nos casos mais graves, para o câncer. O problema está na inflamação crônica do órgão.
Quando ela se estende por muito tempo, provoca cicatrizes no tecido hepático. Essas cicatrizes comprometem o funcionamento do fígado de forma progressiva e irreversível.
Os principais fatores de risco associados ao desenvolvimento do câncer a partir dessa cadeia são:
- Consumo excessivo de álcool;
- Infecção crônica pelos vírus da hepatite B ou C;
- Obesidade e diabetes tipo 2;
- Cirrose hepática já instalada;
- Exposição a toxinas como aflatoxinas, produzidas por fungos em alimentos mal armazenados.
Sintomas que não devem ser ignorados
Um dos sinais mais comuns é a dor abdominal persistente, especialmente no lado superior direito da barriga ou no ombro direito.
Além desse, há outros sintomas que merecem atenção médica, sobretudo quando persistem por mais de duas semanas:
- Pele e olhos amarelados (icterícia);
- Urina escura ou fezes com coloração clara;
- Coceira na pele sem causa aparente;
- Perda de apetite ou náusea;
- Emagrecimento sem motivo identificável;
- Cansaço excessivo e fraqueza persistente;
- Caroço palpável no lado direito do abdômen.
Ao perceber uma ou mais dessas alterações no organismo, o recomendado é procurar um médico para investigar o quadro o quanto antes.
Quer receber mais notícias e dicas de saúde? Acesse o canal do DOL no WhatsApp!
O profissional vai avaliar o histórico clínico, solicitar exames de sangue para verificar a função hepática e, se necessário, encaminhar para um oncologista.
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar