A tentativa de Ciro Gomes de retomar o comando do Ceará terminou em derrota nas eleições, neste domingo (4). Depois de romper com o campo político que ajudou a sustentar os governos estaduais ligados ao PT, afastar-se do irmão, o senador Cid Gomes, e construir uma candidatura com apoio de forças da direita, o ex-governador não conseguiu superar Elmano de Freitas (PT), reeleito no primeiro turno.
O resultado representa mais do que a perda de uma disputa estadual para Ciro, uma vez que a eleição expôs os limites da estratégia adotada pelo candidato do PSDB, que deixou para trás uma aliança histórica com setores da esquerda na tentativa de reconstruir sua força política em seu principal reduto eleitoral.
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Ao mesmo tempo, o desfecho confirmou a continuidade do grupo governista no Ceará e produziu um contraste dentro da própria família Gomes: enquanto Ciro foi derrotado, Cid conquistou mais um mandato no Senado. Em números, Elmano de Freitas foi eleito em primeiro turno com 53,12% dos votos, enquanto que Ciro conquistou 46,30% da preferência dos eleitores.
O rompimento que mudou o cenário político
A ruptura que levou os irmãos Gomes a lados opostos da política cearense começou a ganhar força na disputa interna pela sucessão estadual de 2022, quando divergências sobre a escolha do candidato governista aprofundaram as diferenças entre Ciro, Cid e outras lideranças que integravam o mesmo campo político.
O conflito envolveu a definição de quem sucederia Camilo Santana (PT), que deixaria o governo para disputar uma vaga no Senado. A escolha de Elmano de Freitas como candidato da aliança governista consolidou uma composição que Ciro não acompanhou e abriu uma divisão que se prolongou até a eleição deste ano.
Em vez de recompor a antiga aliança, Ciro seguiu um caminho próprio, ao deixar o PDT, partido pelo qual disputou as eleições presidenciais de 2018 e 2022, voltou ao PSDB, legenda pela qual havia sido eleito governador em 1990. A mudança partidária também representou uma tentativa de recuperar espaço entre grupos políticos que se opunham ao PT no estado.
A candidatura foi sustentada por uma coligação que reuniu PSDB, PL, União Brasil, PP, DC e Avante. Ciro também recebeu apoio de lideranças identificadas com a direita, entre elas o ex-governador Tasso Jereissati, além de setores ligados ao bolsonarismo.
A composição ampliou o campo de sustentação da candidatura, mas também marcou uma mudança significativa no posicionamento político de Ciro. Conhecido por sua trajetória na centro-esquerda e por ter integrado governos e alianças desse campo, ele passou a disputar o governo contra uma chapa apoiada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), pelo ex-governador Camilo Santana e pelo próprio irmão.
A estratégia de Ciro tinha um objetivo central: recuperar o governo estadual e reassumir o protagonismo político no Ceará. A eleição também oferecia a possibilidade de reconstruir sua influência depois de quatro derrotas em disputas presidenciais, nas quais concorreu em diferentes momentos de sua trajetória.
O plano, entretanto, esbarrou na força da aliança que permaneceu ao lado de Elmano. O governador conseguiu preservar o apoio de lideranças importantes e associou sua campanha à continuidade administrativa, com o respaldo de Lula e de Camilo Santana.
A vitória no primeiro turno consolidou o quarto mandato consecutivo do PT no governo cearense. O ciclo petista começou em 2007, com Cid Gomes ainda no PSB, e prosseguiu com Camilo Santana e, posteriormente, Elmano. Embora Cid tenha construído sua própria trajetória partidária, seu grupo permaneceu integrado à base política que sustentou os governos seguintes.
O resultado também enfraquece a tentativa de Ciro de transformar o Ceará em ponto de partida para uma nova fase de sua carreira. Sem conquistar o Executivo estadual, ele deixa de alcançar o principal objetivo da candidatura e enfrenta o desafio de reorganizar sua influência política em um estado onde sua família e seus antigos aliados continuam relevantes.
Cid vence e Luizianne também chega ao Senado
O contraste mais expressivo para Ciro apareceu na disputa pelo Senado, em que Cid Gomes, que apoiou Elmano e permaneceu na aliança governista, foi reeleito e alcançou um feito inédito no Ceará: tornou-se o primeiro senador do estado a conquistar a reeleição desde que essa possibilidade passou a existir, na década de 1990.
Ele conquistou a primeira vaga, com 31,18% das intenções de voto, que representa mais de 3 milhões de votos válidos. O desempenho confirmou a força eleitoral do senador e mostrou que a ruptura familiar não impediu a manutenção de sua influência política.
A segunda vaga do Ceará no Senado ficou com Luizianne Lins (Rede), ex-prefeita de Fortaleza e aliada de Cid na composição política que apoiou Elmano. Ela teve 29,01% dos votos e superou os adversários Capitão Wagner (União Brasil) e Alcides Fernandes (PL), que eram apoiados por Ciro.
O desfecho também evidencia que a disputa não se limitou à rivalidade entre dois irmãos. De um lado, Ciro apostou em uma frente de oposição que reuniu partidos e lideranças de diferentes setores da direita. Do outro, Cid permaneceu ao lado do grupo que sustenta o governo estadual e saiu das urnas com um novo mandato.
Uma derrota com consequências para o futuro de Ciro
A eleição deixa Ciro Gomes diante de um cenário politicamente desfavorável. A tentativa de romper com antigos aliados, reposicionar-se no campo da oposição e voltar ao governo do Ceará não produziu o resultado esperado.
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Ao contrário, a vitória de Elmano e a reeleição de Cid confirmaram a força de uma articulação que o ex-governador decidiu enfrentar que, para muitos analistas políticos pode significar o fim de sua carreira política, ou seu declínio no Ceará, onde ele ainda acreditava ter relevância política.
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