O ambiente escolar, que deveria ser um local de acolhimento e desenvolvimento para as crianças, tornou-se motivo de pesadelo e insegurança para diversas famílias no bairro de Águas Lindas, em Ananindeua. Longe de ser um espaço de cuidado com a formação de cidadãos, os relatos vindos de dentro dos muros da Escola Municipal São Judas Tadeu apontam para uma realidade onde o medo e a intimidação parecem ter virado a forma de cuidar das crianças.
O cotidiano de medo e as denúncias de abuso
As denúncias começaram a surgir após pais notarem mudanças drásticas no comportamento dos filhos, que passaram a apresentar traumas relacionados à escola e ao escuro. Tentando entender o que tinha ocorrido com a criança, um dos pais relatou como descobriu que a filha estava sendo submetida a castigos severos.
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Flávio falou sobre o medo da filha. “Nossa filha começou a ter medo de estar no escuro. Ela sempre foi de dormir no escuro e de repente pediu para acender a luz. Ela já não dorme mais, só com luz acesa", afirmou o pai, que estranhou a situação. "Mediante a isso, nós começamos a conversar aqui com outros pais, e aí o relato foi o mesmo, 'ah, minha filha também tá com medo'. A professora trancava todos os alunos, não foi só um aluno. 'Ah, vocês não vão se comportar?" Sai da sala, tranca todos os alunos dentro da sala e desliga a luz. Isso gerou esse problema”, afirmou o pai da aluna.
Além do isolamento no escuro, os pais descrevem métodos de intimidação física e verbal que seriam utilizados rotineiramente por uma das educadoras da unidade de ensino. Flávio detalhou as táticas utilizadas em sala de aula. “Ela usa um pedaço de madeira que é um cabo de vassoura. Ela usa isso e bate na mesa para amedrontá-los. Quando ela não consegue se controlar, a atitude dela é o quê? Sair de sala de aula e trancar as crianças. Fora isso, outro relato também que nós temos é que ela chama palavrões para as crianças”, relatou o pai.
Confira a reportagem completa da RBATV:
O impacto nos alunos com deficiência
A situação torna-se ainda mais grave quando envolve alunos com deficiência, que tiveram seu desenvolvimento regredido devido ao tratamento recebido na escola. Um pai, cujo filho é autista, descreveu o sofrimento da criança que antes gostava de frequentar as aulas.
“Ele nunca teve problema nenhum, sempre gostou de vir pra escola. Só que na troca da turma no começo do ano, quando foi trocado de professora, e inclusive a dieta, ele começou a apresentar um série de crises. Como todo autista, claro, tem seus seus diferenciais, mas ele nunca foi uma criança violenta, nunca precisou tomar remédio. Agora a gente foi atrás do neuro, ele começou a tomar remédio", afirmou o pai. "A gente tirou ele da escola. Só que ele não aceita nem passar na frente da escola. Ele passa, ele vira o rosto, a gente mostra o uniforme da escola, ele parece que tá vendo um bicho de sete cabeças na frente dele”, afirmou o pai.
Omissão da gestão e influência política
De acordo com os responsáveis, a direção da escola teria ignorado os relatos iniciais, recusando-se a formalizar as queixas como denúncias oficiais e tentando transferir a culpa dos problemas para as próprias famílias. Flávio comentou sobre a falta de providências da diretoria.
“A diretora não transformou em denúncia, ela transformou em relatos. Em nenhum momento ela usou o documento oficial da escola para relatar, para pegar nossa denúncia. Eu tinha informado lá na Semed que o modo da diretora agir é simplesmente esconder os problemas da escola. O grande problema dessa escola é que ela é dividida por dois grupos políticos. Essa é a grande verdade”, afirmou Flávio.
Os pais alegam que a proteção política dentro da instituição impede que medidas disciplinares sejam tomadas contra a professora e a gestão. Flávio falou sobre a proteção aos envolvidos. “Se ela tivesse tomado o papel dela de gestão, ela teria feito a única coisa que ela precisava ter feito, que era ela ter ouvido a gente ter defendido nossos filhos. Mas por medidas políticas ela resolveu não fazer isso. Por proteção política se resolveu agir de outra maneira e transformar nós em criminosos. É mais importante voto, é mais importante quem indica, é mais importante do que defender criança”, desabafou o pai.
Atualmente, o caso foi levado ao Conselho Tutelar, que deverá ouvir as crianças através de equipes especializadas e encaminhar o processo ao Ministério Público e à Secretaria Municipal de Educação de Ananindeua. As famílias aguardam uma resposta efetiva que garanta a segurança e a saúde mental dos alunos para que possam retornar ao ambiente escolar sem traumas.
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