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RESULTADO PREOCUPANTE

Enamed 2025: 44% das faculdades de medicina do Pará vão mal

O Enamed 2025 revela que quase metade das faculdades de medicina do Pará teve desempenho insatisfatório, gerando sanções do MEC e preocupações sobre a qualidade

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Imagem ilustrativa da notícia Enamed 2025: 44% das faculdades de medicina do Pará vão mal camera Dos nove cursos avaliados no Pará, quatro ficaram abaixo do nível considerado adequado. | Marcelo Camargo/Agência Brasil

O ensino médico no Pará entrou oficialmente em uma nova fase de cobrança e pressão por resultados. A divulgação do primeiro Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed) 2025 revelou um quadro preocupante: quase metade das faculdades de medicina do estado apresentou desempenho insatisfatório e agora terá de enfrentar sanções diretas do Ministério da Educação (MEC).

Dos nove cursos avaliados no Pará, quatro ficaram abaixo do nível considerado adequado, o que representa 44,4% das instituições. Esses cursos passarão por um rigoroso processo de supervisão, com possibilidade de redução de vagas, perda de acesso a programas federais e até restrições acadêmicas. O cenário é ainda mais delicado em relação às notas, pois 3 instituições receberam as piores notas.

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O cenário coloca em xeque a qualidade da formação de futuros médicos e acende um alerta sobre os impactos que isso pode ter no sistema de saúde da região.

O novo Enamed e suas consequências

O Enamed substitui o antigo modelo do Enade para cursos de medicina e passa a ser o principal parâmetro de avaliação da qualidade dos cursos no país. Além disso, tornou-se requisito para acesso ao Exame Nacional de Residência Médica (Enare), o que garantiu adesão praticamente total dos formandos.

Mas, para as instituições, o exame trouxe algo inédito: consequências regulatórias imediatas.

O MEC definiu que cursos com Conceito 1 e 2 — aqueles em que menos de 60% dos alunos alcançaram proficiência mínima — sofrerão medidas cautelares. E foi exatamente nessa faixa que quase metade das faculdades paraenses acabou enquadrada.

Quem são as instituições na zona de risco

O caso mais grave foi registrado no campus de Altamira da Universidade Federal do Pará (UFPA). Apenas 37,3% dos estudantes atingiram o nível esperado de proficiência, atingindo o Conceito 1, o mais baixo.

Por estar na faixa mais baixa de desempenho, o curso sofrerá as sanções mais duras:

  • Redução imediata de 50% das vagas ofertadas;
  • Proibição de abrir novas turmas;
  • Suspensão de pedidos de ampliação de vagas;
  • Restrição de acesso a programas como Fies e ProUni.

Na prática, o resultado coloca o curso sob risco real de encolhimento e exige uma profunda revisão de seu modelo pedagógico.

Outras duas instituições privadas ficaram em situação delicada:

  • UNIFAMAZ (Belém): 54,9% de proficiência
  • AFYA Marabá: 54,6% de proficiência

Embora tenham superado a barreira dos 50%, ambas ficaram abaixo dos 60% exigidos para um desempenho considerado satisfatório. Com isso, entram na chamada Faixa 2 de risco.

As consequências para elas incluem:

  • Proibição de ampliar vagas;
  • Processo administrativo de supervisão conduzido pela Seres/MEC;
  • Prazo de 30 dias para apresentar um plano de melhoria;
  • Possibilidade de novas punições caso não consigam reverter o quadro.

Sinal de alerta

A unidade da UFPA em Belém conseguiu escapar das punições mais severas por atingir 60,4% de proficiência — exatamente o limite para o Conceito 3.

Ainda assim, o resultado ficou abaixo da média nacional (64,8%), indicando que a maior universidade pública do Pará também enfrenta dificuldades na formação prática e teórica de seus alunos.

O dado mais preocupante: quatro em cada dez formandos da instituição não alcançaram o nível esperado de competência clínica.

O Campus de Santarém da UEPA e AFYA de Redenção atingiram o Conceito 3 também.

Excelência no interior

Se parte do estado vive uma crise, outra parte celebra resultados expressivos.

O grande destaque foi a UEPA Campus Marabá, que alcançou impressionantes 91,7% de proficiência, conquistando o Conceito 5 — o nível máximo da avaliação.

O desempenho coloca a unidade entre as melhores do Brasil e prova que é possível oferecer formação médica de altíssimo nível mesmo fora dos grandes centros.

Também tiveram desempenho de destaque:

  • UEPA Belém: 84% de proficiência (Conceito 4)
  • Cesupa: 78,9% de proficiência (Conceito 4)

Esses resultados mostram que o problema do Pará não é estrutural ou geográfico, mas diretamente ligado à gestão acadêmica de cada instituição.

O que muda, na prática, para as faculdades punidas

O ministro da Educação, Camilo Santana, foi claro ao apresentar as medidas: o foco não é punir alunos, mas garantir qualidade.

As sanções previstas incluem:

  • Corte de vagas entre 25% e 50%, dependendo do nível de desempenho;
  • Suspensão de participação em programas federais como Fies e ProUni;
  • Proibição de abertura de novas turmas;
  • Fiscalizações presenciais do MEC para avaliar estrutura, laboratórios e corpo docente;
  • Monitoramento contínuo até o próximo ciclo avaliativo.

Todas as instituições enquadradas terão que apresentar, em até 30 dias, um plano detalhado de saneamento e melhorias.

Uma nova era de avaliação

O Enamed inaugura um período em que a qualidade da formação médica deixa de ser mera formalidade burocrática e passa a ter efeitos concretos sobre a sobrevivência das próprias faculdades.

Para estudantes, o recado é claro: a nota do exame agora influencia não só o acesso à residência médica, mas também o prestígio e a estabilidade da instituição onde estudam.

Para as faculdades com desempenho ruim, o recado é ainda mais direto: ou melhoram rapidamente, ou verão seus cursos encolherem — e, em casos extremos, desaparecerem.

REALIDADES DISTINTAS

O retrato revelado pelo Enamed 2025 expõe duas realidades opostas no Pará: de um lado, polos de excelência que competem com o melhor do país; de outro, cursos que não conseguem garantir o mínimo de proficiência a seus formandos.

O que acontece agora com as faculdades de medicina que tiveram desempenho ruim é um processo inevitável de ajuste e cobrança. O MEC abriu a caixa-preta da formação médica — e deixou claro que, a partir de agora, qualidade não será mais opcional.

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