O corpo de Marie Henriqueta Ferreira Cavalcante, conhecida como Irmã Henriqueta, está sendo trasladado ao Pará com apoio do Governo do Estado, por meio da Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social (Segup). A religiosa morreu no último sábado (10), aos 64 anos, vítima de um acidente de trânsito na rodovia BR-230, no estado da Paraíba.
O primeiro trecho do traslado ocorreu na tarde de domingo (11), quando o corpo saiu de João Pessoa com destino a Belém. O voo, acompanhado por familiares, pousou na capital paraense por volta das 19h30. Em seguida, o corpo foi encaminhado a uma funerária e, posteriormente, conduzido para a Assembleia Legislativa do Estado do Pará (Alepa), onde ocorre o velório.
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Segundo o Governo do Estado, o velório na Alepa acontece ao longo da madrugada e seguirá até a manhã desta segunda-feira (12). Após esse período, o corpo será levado em uma aeronave do Grupamento Aéreo de Segurança Pública (Graesp), vinculado à Segup, até o município de Soure, no Arquipélago do Marajó, onde será realizado o sepultamento.
Em nota, o secretário de Segurança Pública, Ualame Machado, informou que o governo mobilizou a estrutura necessária para viabilizar o deslocamento da religiosa desde a Paraíba até o Pará, de forma a permitir que familiares, amigos e a população do Marajó possam prestar as últimas homenagens.
Além do apoio logístico ao traslado, o Governo do Pará decretou luto oficial de três dias em razão da morte de Irmã Henriqueta, como reconhecimento à trajetória dela na defesa dos direitos humanos, especialmente de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade na região amazônica.
A morte foi confirmada pelo Instituto de Direitos Humanos Dom José Luis Azcona, entidade da qual Irmã Henriqueta era presidenta. De acordo com a instituição, o acidente ocorreu enquanto ela se deslocava de Campina Grande para João Pessoa.
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Reconhecida nacionalmente por sua atuação no enfrentamento à violência sexual e ao tráfico de pessoas, Irmã Henriqueta estava há mais de dez anos incluída no Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos, em razão de ameaças recebidas ao longo de sua trajetória. Desde 2009, coordenava o eixo de combate à violência sexual e ao tráfico de pessoas da Comissão Justiça e Paz da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) no Pará e no Amapá, período em que acompanhou milhares de denúncias e casos envolvendo vítimas em situação de risco.
O trabalho desenvolvido por ela também teve reflexos em políticas públicas, incluindo o apoio a investigações e comissões parlamentares que apuraram redes de exploração sexual no Pará.
Nascida em Eirunepé, no interior do Amazonas, Irmã Henriqueta viveu em Belém desde a adolescência, onde iniciou e consolidou sua atuação religiosa e social. Ao longo da vida, também teve formação acadêmica em Biologia e experiência religiosa no exterior, antes de retornar à capital paraense e se dedicar integralmente à causa dos direitos humanos.
O velório em Belém e o sepultamento em Soure marcam as despedidas formais de uma das principais referências na defesa de populações vulneráveis na Amazônia, com o acompanhamento e apoio institucional do Estado do Pará.
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