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Alta da carne não faz venda do frango decolar em Belém

Pesquisa apontou crescimento do consumo do produto em virtude dos preços altos da carne bovina, mas vendedores discordam dos dados

sábado, 21/05/2022, 09:22 - Atualizado em 21/05/2022, 09:21 - Autor: Irlaine Nóbrega / Diário do Pará

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Comerciantes dizem que a venda da mercadoria caiu e que clientes preferem o filé ou metade do frango
Comerciantes dizem que a venda da mercadoria caiu e que clientes preferem o filé ou metade do frango | Foto: Mauro Ângelo

Os brasileiros aumentaram o consumo da carne branca. É o que revela uma pesquisa realizada pela plataforma CupoNation, que aponta que o crescimento no consumo do frango, no Brasil, está relacionado à alta no preço da carne bovina nos últimos dois anos. De acordo com a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), no último ano, cada brasileiro consumiu, em média, 45,27 quilos da proteína, quase três quilos a mais em relação a 2019.

Ainda segundo o levantamento da CupoNation, em 2022 o Brasil registrou a 20ª carne de frango mais barata do mundo, com um custo médio de R$18,72 pelo quilo. Por conta disso, a população gasta em média 3,11% do salário mínimo, no valor de R$1.212,00. A pesquisa levou em conta o consumo de 2 quilos de frango por mês em relação a uma família de quatro pessoas.

QUEDA

Nos mercados e feiras de Belém, clientes e feirantes não perceberam o aumento da venda ou consumo da carne de frango. Pelo contrário, para os vendedores a compra da mercadoria caiu significativamente, seja do frango abatido ou assado. Segundo eles, os clientes têm procurado pelo filé ou a metade do frango como forma de economizar. Já os consumidores levam a proteína em menor quantidade, por conta do preço elevado do produto. Ambas as partes estão tendo que se virar nesse cenário.

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Atualmente, conforme o feirante Edvaldo Batista, de 53 anos, que trabalha no Mercado de São Brás, o frango não tem tido grande saída. No local, o quilo do filé sai a R$ 18,80, enquanto o frango inteiro fica a R$ 10,90, o quilo. Mesmo assim, o preço não tem agradado a clientela, que tem comprado a proteína de forma fracionada.

“Eu não percebi esse consumo do frango. Aqui continua saindo, mas diminuiu a proporção. A pessoa que levava dois frangos, hoje em dia leva somente um. O que acontece é que as pessoas têm levado mais fracionado do que o frango inteiro por causa justamente do preço. Tem gente que não tem condições de comprar um frango de R$30 ou R$35 e compra metade que fica entre R$17 e R$18. A parte de filé é o que tem saído mais porque é uma parte que rende bastante, você almoça e pode sobrar para o outro dia”, afirma.

Consumidor opta pelo frango só em pequena quantidade

Há 25 anos, Seruque Souza, de 57, vende o frango assado na área atrás do Mercado de São Brás. De acordo com o feirante, nos últimos tempos a venda teve uma baixa e ele tem que contar com a venda de outras mercadorias para manter o comércio em atividade. “O frango aumentou muito o preço e caiu a venda. No domingo, a gente vendia cerca de 40 frangos e agora a gente só vende 15. E o que a gente vende, na maioria das vezes, é meio frango a vinte reais, pessoal que levava um, hoje já tá levando meio. Por dia, estão levando só uns quatro ou cinco frangos, tá bastante complicado. Estamos levando a venda da cerveja junto, que é o que cobre um pouco a despesa e ameniza, mas se fosse depender só da venda do frango a gente ia fechar”, contou.

 

Mesmo mais em conta que a carne, frango também pesa no bolso
Mesmo mais em conta que a carne, frango também pesa no bolso | Foto: Mauro Ângelo
 

O aumento da venda da proteína também não foi percebido pelo feirante Junior Santos, 39, que trabalha na Feira da Cremação. No local, são vendidos todos os tipos de derivados de frango, como coxa, filé e o peito, mas a população tem economizado bastante na hora da compra. “Aqui a venda de frango caiu bastante, apesar do frango ser sempre a comida mais em conta, mas baixou pelo menos 50% da venda. O pessoal tem levado mais o filé do peito, isso eles não negociam. As pessoas que ainda levam o frango inteiro são as pessoas mais antigas”, disse.

SUBSTITUIÇÃO

Entre os consumidores, a realidade é de substituição da carne vermelha pelo frango, mas, ainda assim, não é em grande quantidade, por conta do preço elevado. Cliente do Mercado de São Brás, o servidor público Lázaro Silva vem sentindo a alta do frango no bolso, o que tem impossibilitado o aumento do consumo da proteína. Para driblar a dificuldade, ele compra porções menores da carne branca e ajusta os pratos com verduras e legumes, mas, mesmo assim, tem saído caro no orçamento mensal.

“Tudo está caro. A gente está comprando ovo, a carne virou luxo, o bucho também virou luxo, não tem condições. Eu levo fracionado porque dos pés, das asas a gente faz uma canja e do resto faz um guisado e coloca uma batata, um pedaço de jerimum para melhorar a situação porque o frango mesmo não dá. Essa é a realidade, tudo virou luxo. Esse frango inteiro dura só dois dias em casa, é complicado”, destacou o servidor.

Na feira da Cremação, a situação é semelhante. A agrimensora Célia Oliveira, de 60 anos, costuma comprar o peito do frango em substituição a carne bovina. Esse foi o jeito que encontrou para que o custo da alimentação fosse mais em conta para o bolso. “Lá em casa, a gente tem trocado a carne pelo frango. Eu levo geralmente o peito de frango ou então levo as coxinhas pra fritar. Se eu comprar dois peitos de frango só dá para dois dias, isso pra economizar. Aqui o valor o preço tá até bacana, mas eu ainda tenho que levar batata e cenoura pra complementar. Se eu for comprar frango toda semana eu desembolso mais de R$100”, explicou.

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