A chegada de um bebê transforma a rotina de toda a família e os animais de estimação também precisam se adaptar às mudanças. Para quem tem cães ou gatos em casa, especialistas recomendam começar a preparação ainda durante a gestação, observando o comportamento do pet e estabelecendo limites para garantir uma convivência segura.
O assunto foi discutido durante a Materne, feira gratuita de maternidade realizada em Campo Grande, no painel “Pet Lovers: vínculo afetivo entre bebês, crianças e pets”. O encontro reuniu orientações para famílias que estão esperando um bebê e também para quem pretende adotar um animal enquanto já tem crianças pequenas em casa.
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Segundo Beatriz Mattos, farmacêutica, ainda existe preocupação entre algumas famílias sobre os riscos da convivência entre animais e crianças. Em situações de insegurança, há tutores que chegam a considerar a possibilidade de se desfazer do pet.
A proposta do painel foi justamente esclarecer dúvidas e mostrar que, com preparação e cuidados adequados, a relação pode ser construída de forma segura. Entre as recomendações está a apresentação gradual do animal ao bebê e a adaptação da rotina antes mesmo da chegada da criança.
Sinais de desconforto devem ser respeitados
A médica-veterinária Luana Pinezzi, especialista em comportamento animal, destacou que cães e gatos costumam apresentar sinais quando estão desconfortáveis com determinada situação. Identificar esses comportamentos é uma das principais formas de evitar interações inadequadas.
Entre os sinais estão se afastar do toque, virar a cabeça repetidamente, alterar a posição do rabo e demonstrar incômodo quando determinadas regiões do corpo são tocadas. Mudanças na postura e até arrepios nos pelos também podem indicar que o animal está desconfortável.
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Beatriz ressalta que conhecer a personalidade do pet facilita a identificação dessas alterações. Quando o animal demonstra incômodo, a recomendação é não insistir no contato.
As crianças também precisam aprender a respeitar os limites do animal. Puxar as orelhas, mexer nos olhos, nas patas ou em outras áreas sensíveis deve ser evitado. A interação precisa ser conduzida de maneira que tanto a criança quanto o pet se sintam seguros.
Animais agressivos precisam de avaliação profissional
Nem todos os pets respondem da mesma maneira à chegada de um bebê. Animais que apresentam comportamento agressivo ou reatividade devem receber atenção especial antes de qualquer contato direto com a criança.
Nesses casos, a orientação é procurar um profissional especializado em comportamento animal. O treinamento pode ajudar a modificar determinados comportamentos e preparar o pet para as mudanças provocadas pela chegada de um novo integrante da família.
Luana também chama atenção para a relação de dependência que alguns animais desenvolvem com os tutores. Segundo ela, esse vínculo excessivo pode resultar em comportamentos de posse e dificultar a adaptação quando a rotina da casa muda.
Por isso, a preparação deve ser individualizada. Em situações específicas, é necessário avaliar se a convivência entre determinado animal e a criança pode ocorrer com segurança.
Filhotes exigem atenção redobrada
Quando o bebê e um filhote chegam à família em períodos próximos, a relação pode ser construída desde os primeiros meses. Ainda assim, a presença de um adulto durante as interações é indispensável.
Filhotes estão em fase de aprendizado e ainda não compreendem completamente os limites das brincadeiras. Além disso, é comum que mordam objetos e pessoas durante o período de desenvolvimento dos dentes.
Embora normalmente tenham menos força física que um animal adulto, eles também podem provocar acidentes. Por isso, crianças pequenas não devem ficar sozinhas com os pets, mesmo quando o animal aparenta ser dócil.
Convivência pode fortalecer vínculos
Quando construída de maneira adequada, a relação entre crianças e animais pode contribuir para o desenvolvimento de vínculos afetivos importantes. Para Beatriz, o pet não deve ser encarado automaticamente como uma ameaça ou como algo que precisa ser afastado após o nascimento do bebê.
O animal também passa por uma mudança significativa na rotina e precisa ser preparado para a nova realidade. A adaptação deve levar em conta o temperamento do pet, os hábitos da família e a necessidade de estabelecer limites para todos os envolvidos.
Os cuidados com higiene também fazem parte desse processo. Manter o animal limpo e utilizar produtos adequados são medidas que contribuem para uma convivência mais segura dentro de casa.
A principal orientação, portanto, é evitar que o bebê seja visto como alguém que ocupará o espaço do animal ou que o pet seja tratado como uma ameaça. Com preparação, supervisão e respeito aos limites, a chegada da criança pode representar o início de uma nova etapa de convivência para toda a família.
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