A Converse, marca conhecida pelos tênis All Star, retirou uma peça publicitária das redes sociais após receber críticas de que a campanha apresentava elementos que poderiam remeter a imagens associadas ao racismo e à Ku Klux Klan.
O anúncio tinha como protagonista a cantora sul-coreana Karina, integrante do grupo de K-pop aespa. Na imagem, ela aparecia usando uma saia e segurando um par de tênis Chuck 70 X.
CONTEÚDOS RELACIONADOS
- Milena é substituida em publicidade com Ana Paula e web aponta racismo
- Ludmilla recusa homenagem do SBT por emissora dar "espaço para racista"
- Fifa multa Argentina após cantos racistas e manifestação política na Copa
Parte do público questionou principalmente a composição visual da fotografia. Segundo os críticos, a iluminação projetada sobre a saia formava uma figura triangular branca que poderia lembrar o capuz tradicionalmente associado à Ku Klux Klan, grupo supremacista branco dos Estados Unidos.
Outra interpretação apontada nas redes sociais dizia respeito à posição dos calçados nas mãos da artista. Para os críticos, a forma como os tênis foram apresentados poderia lembrar imagens de vítimas de linchamentos.
Marca reconheceu problema e retirou material
Diante da repercussão, a Converse divulgou um pedido de desculpas e informou que retirou a imagem de seus canais oficiais.
A empresa afirmou que compreendeu os motivos das críticas e classificou a peça como uma imagem que poderia causar forte perturbação.
A marca também informou que estava trabalhando para retirar o conteúdo de outros locais em que eventualmente tivesse sido publicado.
A Converse não detalhou, porém, como o material passou pelos processos internos de criação, revisão e aprovação antes de ser divulgado.
Críticas também atingiram processo interno
A repercussão não ficou restrita à imagem publicada pela marca. O advogado americano especializado em direitos civis Lee Merritt criticou a resposta da empresa e questionou os mecanismos internos responsáveis pela aprovação da campanha.
Segundo ele, um pedido de desculpas posterior não elimina a necessidade de discutir como uma peça com elementos interpretados como racistas conseguiu chegar à publicação.
O advogado defendeu que a identificação de possíveis problemas deveria ocorrer antes da divulgação de uma campanha, e não somente depois da reação negativa do público.
Converse pertence à Nike
A Converse foi fundada em 1908, em Malden, Massachusetts, nos Estados Unidos, e atualmente pertence à Nike.
A repercussão do episódio ocorre em um momento de desafios para a controladora. As ações da Nike chegaram a US$ 35,51, próximo do menor nível em 12 anos, em meio a dificuldades relacionadas às vendas na China, à concorrência e às críticas de consumidores sobre seus produtos.
O desempenho das ações, no entanto, está relacionado a fatores mais amplos enfrentados pela Nike e não há indicação de que a queda tenha sido provocada especificamente pela campanha da Converse.
A empresa não respondeu a outros questionamentos da imprensa sobre os critérios utilizados na elaboração e aprovação da publicidade.
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar