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ABALOS SÍSMICOS

Terremotos estão mais frequentes? Podem atingir o Pará? Veja os dados

Embora terremotos na Colômbia, no Japão e na Venezuela tenham chamado atenção recentemente, registros científicos não indicam aumento global desses eventos.

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Imagem ilustrativa da notícia Terremotos estão mais frequentes? Podem atingir o Pará? Veja os dados camera Os terremotos são registrados com cada vez mais precisão graças à evolução dos equipamentos de monitoramento sísmico. | Divulgação/Redes sociais

A sequência recente de terremotos registrados em diferentes partes do mundo pode passar a sensação de que os abalos sísmicos estão se tornando mais frequentes. No entanto, os dados dos principais serviços geológicos não apontam para um aumento significativo na ocorrência desses fenômenos nos últimos anos. O que mudou, principalmente, foi a capacidade de detectar tremores e a velocidade com que as informações chegam à população.

Os equipamentos utilizados para monitorar a atividade sísmica estão cada vez mais precisos e foram instalados em diferentes regiões do planeta. Com isso, até mesmo tremores de baixa intensidade podem ser identificados e registrados pelos pesquisadores.

Outro fator, de acordo com os especialistas, que contribui para a sensação de que há mais terremotos acontecendo é a velocidade da informação. Atualmente, um abalo registrado em qualquer região do mundo pode virar notícia em poucos segundos, acompanhado de vídeos feitos por moradores, imagens de câmeras de segurança e relatos publicados nas redes sociais.

Mais pessoas expostas aos efeitos

A população mundial também cresceu e passou a se concentrar cada vez mais em grandes cidades. Como consequência, aumentou o número de pessoas potencialmente expostas aos efeitos de um terremoto.

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Isso não significa que o planeta esteja necessariamente registrando mais abalos, mas que os impactos podem ser percebidos por um número maior de pessoas e ganhar repercussão rapidamente.

Quantos terremotos acontecem por ano?

O Centro Nacional de Informações sobre Terremotos dos Estados Unidos estima que aproximadamente 20 mil terremotos sejam registrados no mundo todos os anos. Isso representa uma média de cerca de 55 tremores por dia, considerando eventos de diferentes magnitudes.

Já os dados do Serviço Geológico dos Estados Unidos apontam para uma média anual de aproximadamente 16 terremotos de maior magnitude. Desse total, cerca de 15 costumam superar a magnitude 7, enquanto um ultrapassa a magnitude 8.

Esses números, porém, não se repetem exatamente todos os anos. Nas últimas cinco décadas, houve pelo menos 12 anos em que a quantidade de terremotos mais fortes ficou acima ou abaixo da média.

Em 2010, por exemplo, foram registrados 23 terremotos de magnitude elevada em diferentes partes do planeta. Já em 1989, apenas seis tremores acima da magnitude 7 foram contabilizados.

Por que não é possível prever um terremoto?

Apesar dos avanços científicos, ainda não existem ferramentas capazes de indicar com precisão quando, onde e com qual magnitude um terremoto vai acontecer.

A tecnologia, entretanto, já permite identificar alguns abalos logo depois que eles começam. Sistemas de monitoramento podem detectar as primeiras ondas sísmicas e enviar alertas para áreas que ainda serão atingidas por ondas mais fortes.

Em alguns casos, isso proporciona poucos segundos de antecedência — tempo que pode ser suficiente para que as pessoas se afastem de locais de risco, interrompam determinadas atividades ou procurem um espaço mais seguro.

Assim, embora a impressão de uma escalada global de terremotos seja reforçada pela rapidez das informações e pela evolução dos sistemas de monitoramento, os registros científicos disponíveis não sustentam a ideia de que esses fenômenos estejam simplesmente se tornando mais frequentes.

E o Pará?

Em junho de 2026, o Centro de Sismologia da USP registrou uma sequência de três terremotos na região de Tucuruí. Após horas de relatos por moradores nas redes sociais, a ocorrência dos abalos sísmicos foi oficialmente confirmada por especialistas, reforçando a percepção das vibrações em diferentes pontos da cidade.

Também em junho, um terremoto de magnitude 7,5 na Venezuela foi sentido por moradores de Belém e Santarém. Na ocasião, o geofísico e pesquisador do Serviço Geológico do Brasil (SGB), Marcos Ferreira, ouvido pelo DOL, explicou que o fenômeno, embora causasse susto, era compatível com a propagação natural de ondas sísmicas em grandes eventos tectônicos.

Durante a entrevista, Marcos Ferreira explicou que, apesar da apreensão entre moradores da Região Norte, não havia motivo para preocupação, pois, segundo ele, "quando essas ondas chegam aqui, já perderam a maior parte da energia", sentindo "apenas uma vibração leve, sem capacidade de causar danos".

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