A Colômbia escolheu neste domingo (21) o sucessor do presidente Gustavo Petro. O resultado preliminar aponta uma virada histórica para a direita no País.
A apuração inicial da eleição presidencial colombiana indicou a vitória do advogado e empresário Abelardo de la Espriella sobre o senador esquerdista Iván Cepeda. Segundo o chamado — contagem preliminar feita pelas autoridades eleitorais a partir das atas dos locais de votação —, De la Espriella obteve 12.944.441 votos, contra 12.697.154 de Cepeda. A diferença, portanto, foi de menos de 250 mil votos.
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A eleição colombiana tem duas etapas distintas de contagem. A primeira é o preconteo, que serve para projetar o resultado, mas não tem validade oficial.
Depois disso, o resultado definitivo só é proclamado após o escrutínio, processo em que juízes e outras autoridades revisam as atas para corrigir inconsistências.
Essa contagem definitiva estava prevista para a segunda-feira (22).
Petro pede cautela e não reconhece resultado
Na noite de domingo (21), o presidente Gustavo Petro publicou nas redes sociais um alerta sobre o processo. Segundo ele, nenhum resultado deve ser considerado válido antes do fim do escrutínio.
Além disso, Petro fez um apelo à população:
- Pediu tranquilidade aos cidadãos;
- Alertou para o que chamou de 'ingerência estrangeira' no processo eleitoral;
- Defendeu um acordo nacional para preservar a paz.
O presidente reconheceu, porém, que o país se mostra dividido ao meio.
Mesmo assim, ele havia declarado antes do pleito que respeitaria o resultado. Cepeda também prometeu respeitar o veredito, mas anunciou que fará uma supervisão 'rigorosa e minuciosa' da apuração.
Quem é Abelardo de la Espriella?
De la Espriella tem 47 anos, é advogado e empresário, e não tinha experiência política antes desta campanha.
Ele se apresenta como um "salvador anti-establishment" e recebeu apoio declarado do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.
Além disso, é cidadão naturalizado norte-americano, viveu em Miami e é republicano registrado. Seu programa de governo se baseia em propostas linha-dura, entre as quais se destacam:
- Ofensiva militar contra grupos armados e construção de 10 megaprisões;
- Corte de 40% no tamanho do Estado e redução de impostos corporativos;
- Retomada da exploração de petróleo e ampliação da base tributária.
Ele é admirador declarado de Nayib Bukele, presidente de El Salvador, e de Donald Trump.
Em discurso de campanha, afirmou: "No meu governo não haverá processos de paz. Criminosos que não se submeterem serão eliminados, conforme permitido por lei."
Segurança foi o tema central da eleição
O analista político Eduardo Pizarro afirmou à Reuters que a segurança foi o fator decisivo da campanha.
De acordo com ele, a percepção de insegurança cresceu nas cidades colombianas, com aumento de casos de extorsão e pequenos crimes.
Ao mesmo tempo, grupos armados expandiram sua presença em áreas rurais, com impacto direto sobre civis. A violência, portanto, superou a economia como principal preocupação do eleitorado.
Isso ocorreu mesmo com o governo Petro tendo elevado o salário mínimo nominal em 75% e reduzido o desemprego durante seu mandato.
De la Espriella culpa Petro pelos problemas de segurança e pelo enfraquecimento da economia colombiana.
Tensões e temor de contestação
O processo eleitoral foi marcado por tensões desde o primeiro turno. Naquela ocasião, Petro chegou a questionar o resultado, que foi posteriormente reconhecido por Cepeda.
A postura do presidente alimentou temores de que o governo não aceitasse uma eventual vitória de Espriella no segundo turno. O Tribunal Eleitoral da Colômbia pediu que todas as partes respeitassem o resultado.
Além disso, autoridades alertaram para o risco de que contestações incentivassem protestos e ampliassem episódios de violência.
No ano anterior, o candidato direitista Miguel Uribe, um dos favoritos nas pesquisas, foi assassinado durante um comício.
O Conselho Nacional Eleitoral (CNE), contudo, informou que a votação ocorreu de forma tranquila e sem incidentes graves. Representantes da OEA e da União Europeia atuaram como observadores internacionais.
Onda da direita busca espaço na América Latina
A vitória de De la Espriella reforça o movimento de ascensão da direita no continente.
O resultado coloca a Colômbia ao lado de outros países que elegeram governos de perfil conservador nos últimos anos, como Argentina, com Javier Milei, El Salvador, com Nayib Bukele, e Chile, com José Antonio Kast.
A eleição também foi marcada pelo confronto indireto entre Petro e Trump.
Cepeda era o candidato do atual presidente colombiano, enquanto Espriella contou com o apoio público do líder norte-americano.
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O resultado, portanto, representa não apenas uma mudança interna, mas também um realinhamento ideológico do país com Washington.
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