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DÚVIDAS E DIVERGÊNCIAS

Entenda o que ainda está em aberto no acordo firmado entre EUA e Irã

Memorando anunciado por Trump promete encerrar crise e reabrir negociações, mas impasses sobre Estreito de Ormuz, programa nuclear e sanções geram dúvidas.

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Imagem ilustrativa da notícia Entenda o que ainda está em aberto no acordo firmado entre EUA e Irã camera Trump anunciou que EUA já assinaram acordo com o Irã durante reunião bilateral com o presidente Macron no G7. | Reprodução/RS/Fotos Públicas

Quando um acordo internacional é celebrado como o início de uma nova era diplomática, a expectativa costuma ser acompanhada por uma série de questionamentos. Foi exatamente esse cenário que emergiu após o anúncio do entendimento entre Estados Unidos e Irã, apresentado como um passo para reduzir tensões militares e reabrir importantes canais de comércio. No entanto, à medida que os detalhes começam a vir à tona, cresce a percepção de que muitas das questões mais delicadas ainda estão longe de uma solução definitiva.

O memorando de entendimento firmado entre Washington e Teerã prevê o fim do bloqueio dos portos iranianos pelos Estados Unidos, a reabertura do Estreito de Ormuz e o início de 60 dias de negociações sobre o programa nuclear iraniano. Apesar disso, vários aspectos fundamentais permanecem indefinidos ou são interpretados de forma diferente pelas duas partes.

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DOCUMENTO AINDA NÃO FOI DIVULGADO

Uma das primeiras incertezas envolve o próprio conteúdo do acordo. Embora o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tenha afirmado que o texto será divulgado "muito em breve", o documento ainda não foi tornado público.

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A expectativa é de que a divulgação ocorra após uma cerimônia oficial prevista para sexta-feira (19), enquanto integrantes do governo americano afirmam que o memorando poderá ser publicado nas próximas 24 a 48 horas. Até lá, muitos detalhes dependem apenas das declarações feitas por autoridades dos dois países.

DIVERGÊNCIAS SOBRE O FUTURO DO ESTREITO DE ORMUZ

O principal símbolo do acordo também é um dos seus pontos mais nebulosos. Os Estados Unidos afirmam que o Estreito de Ormuz será reaberto após a assinatura do entendimento e que a passagem permanecerá livre de cobranças. No entanto, veículos de imprensa ligados ao governo iraniano apresentam uma versão diferente. Segundo agências semioficiais de Teerã, o trânsito gratuito seria mantido apenas durante o período de negociações. Depois dos 60 dias, o Irã pretende implementar taxas para embarcações comerciais que utilizarem a rota.

A agência Fars News informou que o governo iraniano deseja obter retorno financeiro a partir do intenso fluxo de navios que atravessa a região, o que levanta dúvidas sobre como será o funcionamento da via marítima após o período inicial do acordo. Além disso, permanece sem resposta uma questão prática: a remoção de minas que teriam sido instaladas no estreito durante a crise. A definição sobre como e quando isso ocorrerá ainda depende de negociações futuras.

CESSAR-FODO ANUNCIADO, MAS COM LIMITAÇÕES

Outro ponto cercado de incertezas diz respeito ao cessar-fogo. O Paquistão, que mediou as negociações, anunciou o encerramento imediato e permanente das operações militares em todas as frentes de conflito, incluindo o Líbano.

Entretanto, o acordo não obriga Israel a retirar suas tropas do território libanês. Como o governo israelense não participa formalmente do entendimento, a permanência de suas forças na região pode continuar alimentando focos de tensão mesmo após o anúncio do cessar-fogo.

Também não está claro qual será o cronograma para a redução da presença militar americana no Oriente Médio. Autoridades dos Estados Unidos informaram apenas que qualquer diminuição do contingente dependerá do sucesso das próximas etapas das negociações.

PROGRAMA NUCLEAR FICA PARA DEPOIS

Embora autoridades americanas afirmem ter recebido garantias de que o Irã não desenvolverá armas nucleares, o acordo não apresenta mecanismos concretos para assegurar esse compromisso. Temas considerados centrais, como os níveis de enriquecimento de urânio, a fiscalização internacional e o destino dos estoques já acumulados pelo país, foram deixados para futuras negociações.

Na prática, as questões que estiveram na origem da crise permanecem sem solução imediata e dependerão dos resultados das conversas previstas para os próximos dois meses.

LIBERAÇÃO DE RECURSOS AINDA É MOTIVO DE DISPUTA

A questão econômica também está longe de um consenso. O Irã defende que as negociações nucleares só começarão após a liberação de bilhões de dólares em ativos financeiros congelados por sanções internacionais.

Os Estados Unidos, por outro lado, afirmam que nenhum recurso será desbloqueado sem que Teerã apresente compromissos concretos e verificáveis. Essa divergência cria um impasse sobre a própria implementação do cronograma anunciado pelas partes.

MERCADO REAGE, MAS EFEITOS SÃO INCERTOS

Mesmo diante das indefinições, o mercado financeiro respondeu positivamente ao anúncio. Os preços do petróleo registraram queda e atingiram os níveis mais baixos dos últimos três meses. Ainda assim, os valores permanecem cerca de US$ 10 por barril acima dos registrados antes do início do conflito, refletindo a cautela dos investidores diante das incertezas que cercam o acordo.

Por enquanto, o entendimento entre Estados Unidos e Irã representa mais uma promessa de estabilização do que uma solução consolidada. Sem a divulgação integral do documento e com divergências em temas estratégicos como Ormuz, sanções e programa nuclear, os próximos 60 dias serão decisivos para determinar se o acordo abrirá caminho para uma paz duradoura ou apenas adiará novos confrontos.

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