Após mais de meio século desde a última vez em que humanos viajaram rumo à Lua, a NASA se prepara para escrever um novo capítulo da história da exploração espacial. Nesta quarta-feira (1º), a agência deve lançar a missão Artemis II, o primeiro voo tripulado do programa Artemis e o marco inicial de uma nova era que mira não apenas o retorno sustentável ao satélite natural da Terra, mas também futuras viagens a Marte.
O lançamento está previsto para as 19h24 (horário de Brasília), a partir da plataforma 39B do Centro Espacial Kennedy, utilizando o poderoso foguete Space Launch System (SLS) acoplado à cápsula Orion. A missão terá duração aproximada de dez dias e, apesar de não prever pouso na Lua, representa o passo mais significativo da humanidade em direção ao espaço profundo desde o fim do programa Apollo, encerrado em 1972.
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A Artemis II levará quatro astronautas a um sobrevoo ao redor da Lua, incluindo a passagem pelo lado oculto, região nunca visível da Terra. A trajetória será do tipo “retorno livre”, aproveitando a gravidade da Terra e da Lua para trazer a nave de volta com segurança, sem necessidade de grandes manobras.
Mais do que uma viagem simbólica, a missão tem caráter estratégico e científico. Durante o voo, a tripulação testará sistemas essenciais da Orion em ambiente de espaço profundo, como suporte de vida, navegação, comunicação e controle manual da cápsula — elementos indispensáveis para futuras missões tripuladas com pouso.
Esse avanço se apoia no sucesso da Artemis I, realizada em 2022, que validou o desempenho do SLS e da Orion em uma missão não tripulada ao redor da Lua.
Ciência e preparação para Marte
Além do simbolismo, a Artemis II também inaugura uma nova fase de pesquisas científicas. A partir de uma posição mais distante da Terra do que qualquer ser humano esteve nas últimas cinco décadas, os astronautas trabalharão em conjunto com cientistas em solo para conduzir experimentos e coletar dados fundamentais.
Essas informações serão cruciais para garantir segurança e eficiência em futuras missões, especialmente na Artemis III, que pretende levar astronautas novamente à superfície lunar, incluindo, pela primeira vez, uma mulher e uma pessoa negra.
O objetivo final do programa Artemis vai além da Lua: a agência espacial norte-americana vê o satélite como um campo de testes para tecnologias e estratégias que permitirão, nas próximas décadas, missões tripuladas a Marte.
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Conheça a tripulação
A equipe da Artemis II reúne nomes experientes e históricos, representando diferentes trajetórias dentro da exploração espacial:
- Reid Wiseman, comandante da missão e ex-piloto de caça da Marinha dos Estados Unidos;
- Victor Glover, piloto e aviador da Marinha, veterano de missões espaciais;
- Christina Koch, especialista de missão e recordista de voo espacial contínuo mais longo realizado por uma mulher;
- Jeremy Hansen, especialista de missão e primeiro canadense selecionado para um voo ao redor da Lua.
Juntos, eles representam uma nova geração de exploradores, em uma missão que combina experiência técnica, diversidade e simbolismo global.

Contagem regressiva e condições climáticas
A preparação para o lançamento segue um cronograma rigoroso, com uma série de procedimentos altamente coordenados conduzidos pelas equipes da NASA no Centro Espacial Kennedy. A agência informou que há cerca de 80% de probabilidade de condições climáticas favoráveis, embora fatores como nuvens, ventos e atividade solar sigam sob monitoramento constante.
A janela de lançamento terá duração de aproximadamente duas horas. Caso necessário, novas tentativas poderão ocorrer nos dias seguintes.
A cobertura ao vivo começa ainda pela manhã, com transmissão das operações de abastecimento do foguete, e segue ao longo do dia nas plataformas oficiais da NASA.
Se bem-sucedida, a Artemis II não será apenas uma missão de teste, mas o ponto de virada que recoloca a humanidade no caminho da exploração lunar. Mais do que repetir feitos do passado, o objetivo agora é estabelecer presença duradoura, desenvolver tecnologia e preparar o próximo grande salto: levar o ser humano ainda mais longe, até Marte.
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