Em meio à crescente preocupação global com doenças emergentes, a confirmação de dois casos do vírus Nipah em um hospital da Índia acendeu um alerta nacional e mobilizou autoridades de saúde para reforçar medidas de vigilância, quarentena e rastreamento de contatos. Considerado raro e altamente letal, o vírus, transmitido por morcegos, voltou ao centro das atenções após infectar duas enfermeiras que atuavam na linha de frente do atendimento hospitalar.
Os casos foram registrados no Hospital Privado Narayana Multispeciality, localizado em Barasat, no estado de Bengala Ocidental, a cerca de 25 quilômetros de Calcutá. Segundo o governo estadual, uma das profissionais encontra-se em estado crítico, enquanto a outra segue internada sob monitoramento rigoroso. Ambas trabalharam juntas entre os dias 28 e 30 de dezembro e passaram a apresentar febre alta e insuficiência respiratória nos dias seguintes, sendo transferidas para a UTI em 4 de janeiro, após agravamento do quadro clínico.
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As investigações iniciais apontam que as enfermeiras podem ter contraído o vírus durante o atendimento a um paciente com sintomas respiratórios graves, que morreu antes que exames específicos fossem realizados. Esse paciente é tratado pelas autoridades como o caso índice suspeito, enquanto as apurações seguem em andamento.
Diante da confirmação, as autoridades sanitárias locais adotaram medidas emergenciais, incluindo quarentena, vigilância ativa e rastreamento de contatos. Até o momento, 180 pessoas foram testadas, e 20 contatos considerados de alto risco permanecem em isolamento. Segundo o governo estadual, todos apresentaram resultado negativo até agora e seguem assintomáticos, mas novos testes serão realizados antes do término do período de 21 dias de quarentena.
O caso levou o Ministério da Saúde e Bem-Estar Familiar da Índia a emitir um alerta nacional, orientando os estados a reforçarem a detecção precoce, a vigilância epidemiológica e as medidas preventivas para evitar a disseminação do vírus. Estados como Tamil Nadu, no sul do país, já determinaram atenção redobrada a pacientes com Síndrome da Encefalite Aguda (AES), condição que pode estar associada à infecção pelo Nipah.
Especialistas alertam que a semelhança dos sintomas do Nipah com outras doenças respiratórias ou neurológicas pode levar a casos não identificados, especialmente em ambientes hospitalares. “Quando a infecção não é reconhecida precocemente, os profissionais de saúde ficam entre os mais expostos ao risco, já que a transmissão entre pessoas ocorre com frequência dentro dos hospitais”, destacou um especialista em vigilância epidemiológica ouvido pela imprensa local.
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O vírus Nipah é conhecido por sua alta taxa de letalidade, que pode chegar a 75%, e por provocar sintomas que vão desde febre, vômitos e fadiga até complicações respiratórias e inflamação cerebral. Em alguns casos, sequelas neurológicas podem surgir meses ou até anos após a infecção inicial.
As autoridades de Bengala Ocidental afirmam que estão ampliando os critérios de testagem e os protocolos laboratoriais, não apenas para o Nipah, mas também para outras infecções emergentes que podem se manifestar de forma semelhante. A estratégia, segundo os gestores, busca evitar diagnósticos tardios e reduzir os riscos de transmissão silenciosa do vírus, especialmente em unidades de saúde.
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