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SOBERANIA ATACADA

Vice da Venezuela convoca resistência e afirma que país não será colônia

Delcy Rodríguez reage à captura de Nicolás Maduro, critica intervenção dos EUA e afirma que o governo venezuelano não aceitará ingerência estrangeira

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Imagem ilustrativa da notícia Vice da Venezuela convoca resistência e afirma que país não será colônia camera Delcy Rodríguez discursou em rede nacional e convocou ministros e a população a resistirem à intervenção dos Estados Unidos na Venezuela | Reprodução/TV

Em momentos de crise internacional, palavras costumam se transformar em trincheiras simbólicas. Discursos oficiais ganham peso estratégico, apelando à memória coletiva, ao sentimento nacional e à ideia de soberania como último escudo diante da força externa. Foi nesse tom que a liderança venezuelana voltou a se pronunciar, tentando conter o impacto político e social de um episódio que recolocou a América Latina no centro das disputas globais.

A vice-presidente da Venezuela, Delcy Rodríguez, convocou neste sábado (3) ministros e a população a resistirem à intervenção dos Estados Unidos no governo do país. Em pronunciamento transmitido pela televisão pública, poucas horas após a operação militar que resultou na captura de Nicolás Maduro, ela elevou o tom contra Washington e afirmou que a Venezuela "nunca será colônia de nenhuma nação", classificando a ação americana como um ataque direto à soberania nacional.

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MADURO SEGUE SENDO PRESIDENTE

Rodríguez descreveu a detenção de Maduro como um “sequestro” promovido pelo governo de Donald Trump e pediu calma à população diante do cenário de instabilidade. Segundo ela, apesar da captura, Nicolás Maduro segue sendo o único presidente legítimo da Venezuela, rejeitando qualquer tentativa de mudança de poder imposta por forças estrangeiras. A vice-presidente destacou que a continuidade do governo depende da coesão interna e do funcionamento das instituições.

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Ao insistir na legitimidade de Maduro, Delcy Rodríguez buscou reforçar a unidade política em meio à crise. Ela afirmou que a mobilização dos ministros e o apoio popular são fundamentais para impedir que o país seja submetido a controle externo. A fala também teve como objetivo sinalizar à comunidade internacional que Caracas não reconhece qualquer autoridade resultante da intervenção americana.

INGERÊNCIA INACEITÁVEL

O apelo à resistência faz parte da estratégia do governo venezuelano para enfrentar a ofensiva dos Estados Unidos, que, segundo Caracas, viola princípios básicos do direito internacional e da autodeterminação dos povos. Para Rodríguez, a ingerência de Washington é inaceitável, e a defesa da soberania será o eixo central da resposta política do chavismo nos próximos dias.

A crise se intensificou após a operação militar realizada na madrugada de 3 de janeiro, quando forças dos EUA capturaram Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores. A ação incluiu bombardeios em pontos estratégicos do país, provocou um apagão em Caracas e levou o governo venezuelano a decretar estado de emergência. Poucas horas depois, Donald Trump confirmou o ataque e afirmou que Maduro foi levado para Nova York para responder a acusações de terrorismo e tráfico de drogas.

Em declarações posteriores, Trump afirmou que os Estados Unidos vão "administrar" a Venezuela após a captura do presidente, além de dizer que a ofensiva teve como objetivo recuperar petróleo supostamente retirado do país por Caracas. A retórica ampliou a reação internacional e levantou temores sobre uma possível ocupação ou tutela política do território venezuelano.

REUNIÃO DE EMERGÊNCIA DA ONU

Diante do agravamento da situação, o governo da Venezuela solicitou uma reunião de emergência do Conselho de Segurança da ONU e exigiu provas de vida de Maduro. Internamente, a captura aprofundou a instabilidade política e econômica, com corrida a mercados e crescimento das pressões por uma transição de poder por parte de setores da oposição.

No cenário internacional, a ofensiva dos Estados Unidos recebeu apoio de aliados de Trump, mas também duras críticas. A Rússia classificou a ação como agressão armada, enquanto o Brasil condenou a captura de um chefe de Estado estrangeiro e elevou o nível de alerta militar na região Norte. Analistas avaliam que a intervenção pode representar uma escalada sem precedentes e redefinir o equilíbrio político na América Latina.

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