A Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) registrou três incêndios em um intervalo de apenas oito dias. As ocorrências foram nos dias 30 de setembro, 4 de outubro e 7 de outubro, em diferentes prédios do campus da Cidade Universitária, no Recife.
Nenhuma das ocorrências deixou feridos. Até o momento, não há confirmação de que os incêndios estejam relacionados. Apenas no primeiro caso a universidade apresentou uma hipótese inicial para a origem do fogo. Nos outros dois, as causas ainda não foram esclarecidas.
Em entrevista coletiva nesta quinta-feira (8), o reitor da UFPE, Alfredo Gomes, afirmou que a universidade ainda não tem uma causa definida para o incêndio mais recente e aguarda o resultado da perícia. A instituição também acionou a Polícia Federal (PF) para acompanhar as investigações.
Segundo o reitor, o prejuízo apenas no primeiro andar do prédio atingido na quarta-feira (7) pode chegar a R$ 100 milhões, considerando equipamentos, insumos e materiais. Entre 80 e 100 estudantes de iniciação científica, mestrado e doutorado também teriam perdido meses ou anos de pesquisas.
A Advocacia-Geral da União (AGU) determinou ainda que uma comissão de procuradores acompanhe as apurações.
30 de setembro: fogo em laboratório de Física
O primeiro incêndio ocorreu na tarde de 30 de setembro, em um laboratório de pesquisa do Departamento de Física, ligado ao Centro de Ciências Exatas e da Natureza (CCEN).
Segundo a UFPE, uma das hipóteses iniciais é de que o fogo tenha começado em um forno mufla, equipamento utilizado para aquecer substâncias a altas temperaturas. O incêndio começou por volta das 13h30, durante a manipulação de um produto químico.
Funcionários tentaram controlar as chamas com extintores, mas não conseguiram. O Corpo de Bombeiros foi acionado e a área precisou ser isolada por causa da fumaça e da presença de diferentes substâncias no laboratório.
A ocorrência provocou danos à tubulação e levou ao desligamento da energia elétrica para avaliação da estrutura e realização dos reparos.
Não houve feridos.
A hipótese relacionada ao forno mufla, no entanto, não é uma conclusão definitiva sobre a causa do incêndio.
4 de outubro: fogo no Centro de Biociências
Cinco dias depois, em 4 de outubro, outro incêndio atingiu parte do Laboratório de Citogenética e Evolução Vegetal, no Centro de Biociências da UFPE.
O fogo provocou danos materiais, mas ninguém ficou ferido.
O laboratório desenvolve pesquisas relacionadas à citogenética vegetal, genética de populações, filogeografia e evolução de plantas. Também são realizados trabalhos envolvendo análises moleculares, sequenciamento de DNA e citometria de fluxo.
Até o momento, a universidade não divulgou uma causa para o incêndio nem informações que indiquem ligação com o caso registrado no Departamento de Física.
7 de outubro: incêndio mais grave
O terceiro e mais grave incêndio aconteceu na noite de quarta-feira (7), em um prédio localizado na Cidade Universitária, próximo à Casa do Estudante.
As chamas começaram por volta das 20h e foram controladas no fim da noite. Cinco viaturas do Corpo de Bombeiros atuaram na ocorrência.
Segundo a UFPE, o fogo se espalhou rapidamente devido aos tipos de produtos armazenados no prédio.
O local havia funcionado anteriormente como restaurante universitário e foi adaptado para abrigar laboratórios de pesquisa em áreas como fármacos, genética, inovação terapêutica e informática.
Entre os estudos realizados no espaço estavam pesquisas relacionadas a câncer, obesidade, Covid-19, TDAH e autismo.
Pesquisas de 20 anos foram afetadas
De acordo com o reitor Alfredo Gomes, os laboratórios do primeiro andar foram completamente destruídos.
A estimativa inicial é de aproximadamente R$ 100 milhões em prejuízos apenas com equipamentos, insumos e materiais armazenados naquele pavimento.
O valor ainda não inclui possíveis perdas no térreo, onde funcionavam dois laboratórios de nível de biossegurança 3 (NB3), estruturas destinadas ao trabalho com agentes que podem oferecer risco à saúde e que possuem protocolos específicos de contenção.
O reitor classificou como “irreparável” a perda de parte das pesquisas. Segundo ele, o prédio armazenava dados de cerca de 20 anos de trabalhos científicos e abrigava aproximadamente 80 dissertações de mestrado e teses de doutorado em desenvolvimento.
Equipamentos, amostras e dados armazenados em computadores também foram atingidos.
Incêndios podem ter sido criminosos?
A sequência de ocorrências levantou questionamentos sobre uma possível relação entre os incêndios. Até o momento, porém, não há confirmação oficial de que os casos tenham sido provocados de forma criminosa ou estejam ligados entre si.
A possibilidade passou a ser levantada publicamente após o terceiro incêndio, que ocorreu depois de manifestações políticas realizadas por estudantes da universidade.
O deputado federal Jones Manoel (PSOL) afirmou que estudantes teriam recebido mensagens de ameaça antes do incêndio e defendeu uma investigação da Polícia Federal e do Ministério Público Federal.
As mensagens mencionadas pelo deputado, contudo, não tiveram autenticidade nem relação com o incêndio confirmadas pelas autoridades.
Por enquanto, as causas dos três incêndios permanecem sob investigação, e a perícia deverá ajudar a esclarecer a origem do fogo em cada ocorrência.
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