A decisão do governo federal de proibir as apostas de quota fixa no Brasil trouxe de volta ao debate uma declaração feita por Paulo Guedes quando ele ocupava o Ministério da Economia, durante o governo de Jair Bolsonaro.
Um trecho de uma reunião ministerial realizada em abril de 2020 passou a circular novamente nas redes sociais depois que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou uma medida provisória contra as chamadas bets.
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Na reunião, Guedes discutia a possibilidade de ampliar a oferta de jogos de azar no país. Ao defender sua posição, o então ministro argumentou que adultos deveriam ter liberdade para decidir se queriam apostar. O episódio envolveu também a então ministra Damares Alves, que se manifestou contrariamente à proposta.
A declaração ganhou nova repercussão justamente no momento em que o governo Lula adotou uma posição diferente sobre o setor. Em 25 de setembro, o presidente assinou uma medida provisória que proíbe a exploração, a oferta, a intermediação e a publicidade das apostas de quota fixa, incluindo apostas esportivas e jogos online.
A medida estabeleceu prazo para que as empresas retirem publicidade e patrocínios relacionados às apostas. As plataformas autorizadas pelo modelo anterior também devem interromper a oferta dos serviços conforme o cronograma estabelecido pelo governo. Como se trata de uma medida provisória, a decisão ainda depende de análise do Congresso Nacional para permanecer em vigor de forma definitiva.
As apostas esportivas passaram por um processo de expansão regulatória no país nos últimos anos. A atividade foi legalizada em 2018 e posteriormente regulamentada pelo governo federal.
Já em 2026, Lula passou a defender publicamente uma mudança mais restritiva. Antes da assinatura da MP, o presidente vinha afirmando que a regulamentação não havia produzido o resultado esperado. Em entrevista concedida após a decisão, declarou que o governo tentou regular o setor, mas concluiu que seria necessário interromper a atividade.
O governo relaciona a decisão principalmente ao endividamento de famílias e aos problemas associados ao vício em apostas. Durante o anúncio da medida, ministros apresentaram dados sobre os impactos sociais atribuídos ao jogo compulsivo.
Declaração de Guedes reaparece
É nesse contexto que o vídeo da reunião de 2020 voltou a ser compartilhado. Na ocasião, Guedes defendia a possibilidade de exploração de jogos de azar e argumentava que adultos deveriam ter liberdade para decidir sobre o uso do próprio dinheiro.
A posição registrada naquele encontro passou a ser confrontada, nas redes sociais e no debate eleitoral, com a política adotada atualmente pelo governo federal.
O deputado Otoni de Paula também recuperou o assunto durante a campanha de 2026. Em publicação nas redes, ele afirmou que Guedes e o senador Flávio Bolsonaro atuavam em defesa da pauta dos jogos de azar durante o governo Bolsonaro. Essa é uma declaração atribuída ao parlamentar e integra o debate político sobre o histórico da regulamentação das apostas no país.
O impacto econômico das bets
A discussão ganhou dimensão maior porque o mercado de apostas passou a movimentar valores expressivos no país. O governo sustenta que o crescimento das plataformas trouxe consequências para o orçamento das famílias e para pessoas que desenvolveram comportamento compulsivo.
A MP anunciada em setembro prevê, entre outras medidas, restrições às transferências destinadas às apostas, combate às plataformas ilegais e criação de uma estrutura institucional para fiscalizar o setor. Empresas que descumprirem as novas regras poderão sofrer sanções previstas na medida.
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A decisão também abriu uma disputa com setores que dependem economicamente das apostas, especialmente o futebol. Alguns clubes brasileiros se posicionaram contra a proibição e chegaram a discutir a participação em uma reunião com representantes do governo sobre o assunto. O encontro previsto para 29 de setembro acabou cancelado após articulações dos clubes.
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