As ilhas privadas no Brasil podem ser compradas por investidores e milionários, mas a propriedade não significa domínio absoluto sobre toda a extensão territorial. Atualmente, há pelo menos 13 ilhas privadas anunciadas à venda no país, segundo monitoramento da plataforma Island Seeker. Entre elas está a Ilha dos Porcos Grandes, que pertenceu ao cirurgião plástico Ivo Pitanguy e foi colocada no mercado por US$ 100 milhões, cerca de R$ 515 milhões na conversão atual.
Localizada em Angra dos Reis, no Rio de Janeiro, a propriedade possui aproximadamente 299 mil metros quadrados. Pitanguy, que morreu há 10 anos, manteve a ilha por mais de cinco décadas, transformando o espaço em uma espécie de refúgio particular frequentado por personalidades internacionais.
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ILHA DE IVO PITANGUY VOLTA AO MERCADO
A Ilha dos Porcos Grandes pertenceu à família Pitanguy por mais de 50 anos. Segundo o anúncio publicado pela plataforma especializada em propriedades desse tipo, a aquisição pelo cirurgião ocorreu em 1973.
O local teria recebido convidados famosos ao longo dos anos, entre eles Jackie Onassis e Tom Cruise. Agora, a propriedade volta ao mercado pela primeira vez desde a década de 1970.
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O valor pedido coloca a ilha em uma faixa bastante superior à de outras propriedades semelhantes disponíveis no Brasil.
QUANTO CUSTA UMA ILHA PARTICULAR?
A seleção da Island Seeker mostra uma grande diferença entre os preços das ilhas brasileiras anunciadas atualmente. Há propriedades disponíveis a partir de US$ 1,5 milhão, aproximadamente R$ 7,73 milhões. Na outra ponta está a Ilha dos Porcos Grandes, avaliada em US$ 100 milhões.
Outra propriedade de alto valor é a Ilha do Arroz, também localizada em Angra dos Reis, que aparece anunciada por US$ 14,5 milhões, o equivalente a cerca de R$ 74,7 milhões.
A distância entre os valores mostra que localização, tamanho, estrutura, histórico da propriedade e características exclusivas podem fazer uma diferença significativa na avaliação desses imóveis.
COMPRAR UMA ILHA NÃO SIGNIFICA SER DONO DE TUDO
Apesar da possibilidade de aquisição, o comprador de uma ilha particular no Brasil precisa lidar com regras específicas.
Segundo o advogado Rafael Verdant, sócio do Contencioso Cível do Albuquerque Melo Advogados e especialista em Direito Imobiliário, ter uma propriedade privada em uma ilha costeira não significa necessariamente possuir domínio pleno sobre toda a área física.
Isso ocorre porque determinadas áreas relacionadas ao entorno das ilhas estão submetidas ao domínio da União. "No Brasil, ser dono de uma ilha costeira não equivale automaticamente a domínio pleno sobre toda a área física dela, diferente de sistemas comuns em partes da Europa e nos Estados Unidos", esclarece.
O QUE SÃO OS TERRENOS DE MARINHA?
Um dos pontos que precisam ser considerados pelo comprador envolve os chamados terrenos de Marinha. De acordo com Verdant, mesmo quando determinada área de uma ilha está vinculada à propriedade particular, o terreno relacionado à faixa sob domínio da União permanece submetido às regras federais.
Isso significa que o proprietário pode ter obrigações financeiras perante a União, incluindo o pagamento de foro anual e valores relacionados à transferência do imóvel.
"O terreno de Marinha funciona como se você tivesse direito a tudo acima do solo, então, o terreno segue, oficialmente sendo da União e por isso você paga um valor quando vende e um valor para utilizar anualmente", explica Verdant.
Na prática, portanto, quem compra uma ilha precisa avaliar não apenas o preço anunciado pela propriedade, mas também as obrigações jurídicas e financeiras associadas ao imóvel.
POR QUE OS DONOS DE ILHAS ESTÃO VENDENDO?
O movimento de venda de ilhas particulares não acontece apenas no Brasil. Propriedades desse tipo também estão sendo colocadas no mercado em diferentes partes do mundo.
Um exemplo é a Hay Island, em Connecticut, nos Estados Unidos. A propriedade permaneceu por mais de um século nas mãos da mesma família antes de ser vendida pela família Ziegler por US$ 26,5 milhões, cerca de R$ 136,4 milhões, em novembro deste ano.
Em Veneza, na Itália, a Ilha de Santa Cristina também está disponível. O imóvel, com aproximadamente 72 acres, é anunciado por US$ 24 milhões, cerca de R$ 123,5 milhões. A propriedade foi adquirida em 1986 pelo bisneto do fundador da Swarovski e agora está sendo colocada à venda pela família.
HERANÇA AJUDA A EXPLICAR O FENÔMENO
Para o escritor norte-americano Jim Dobson, que acompanha o mercado de luxo para a revista Forbes, uma das explicações para esse movimento está na transferência de patrimônio entre gerações.
Uma ilha pode representar um sonho para quem acumulou uma grande fortuna e teve recursos para construir uma propriedade exclusiva. Porém, para os herdeiros, o mesmo patrimônio pode se transformar em uma responsabilidade difícil de administrar.
Além do custo de manutenção, propriedades insulares costumam exigir logística própria para acesso, contratação de funcionários e realização de obras ou reparos.
HERDEIROS RECEBERÃO TRILHÕES EM IMÓVEIS
O movimento também está relacionado a uma grande transferência de patrimônio imobiliário prevista para os próximos anos.
De acordo com o relatório de tendências de 2026 da Coldwell Banker Global Luxury, as gerações X e Millennial, grupo que reúne pessoas nascidas entre 1960 e 1996, deverão herdar aproximadamente US$ 4,6 trilhões, ou cerca de R$ 23,6 trilhões, em riqueza imobiliária global ao longo da próxima década.
Nesse cenário, propriedades extremamente exclusivas, como ilhas particulares, podem deixar de ser vistas apenas como símbolos de luxo e passar a representar também um desafio patrimonial para famílias que precisam decidir entre manter, administrar ou vender grandes imóveis herdados.
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