O advogado Walmir Medeiros, de 62 anos, foi preso na manhã deste sábado (15) após tentar entregar um aparelho celular à policial militar Júlia Natália Girão Gomes, de 27 anos. A agente está presa e é investigada pela morte do também policial militar Raphael Sampaio da Silva, de 27 anos, encontrado carbonizado dentro de um carro em Itaitinga, na Região Metropolitana de Fortaleza, na última terça-feira (12).
Segundo a Secretaria da Segurança Pública e Defesa Social do Ceará (SSPDS), o advogado teria tentado facilitar a comunicação da policial com pessoas externas à unidade prisional. O aparelho foi apreendido, e o caso foi encaminhado à Delegacia de Repressão às Ações Criminosas Organizadas (Draco), da Polícia Civil.
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Walmir assinou um Termo Circunstanciado de Ocorrência (TCO) por ingressar ou facilitar a entrada de aparelho de comunicação em unidade prisional sem autorização legal e foi liberado posteriormente. Conforme a SSPDS, ele já responde por lesão corporal dolosa no contexto da Lei Maria da Penha.
Policial e marido estão presos
Júlia Natália teve a prisão preventiva decretada pela Justiça, enquanto o marido dela, Antoneudo Ribeiro Lima Júnior, de 35 anos, teve a prisão temporária determinada. Os dois haviam sido presos em flagrante após o caso e agora permanecem detidos por decisão judicial.
A Polícia Civil investiga a participação do casal na morte de Raphael. Uma das linhas de investigação considera a possibilidade de que o soldado e Júlia mantivessem um relacionamento extraconjugal.
O corpo de Raphael foi encontrado na manhã de terça-feira, após uma testemunha acionar as forças de segurança ao perceber um veículo em chamas no bairro Ancuri, em Itaitinga. O Corpo de Bombeiros controlou as chamas e localizou o corpo da vítima dentro do automóvel.
Horas depois, Júlia foi encontrada em uma área de mata próxima à BR-116, em Aquiraz. A policial estava com as mãos amarradas e afirmou, em depoimento, que havia sido abordada por criminosos enquanto estava com Raphael.
Segundo a versão apresentada pela agente, ela teria pegado uma carona com o colega após o expediente. Ao chegarem ao local onde ocorreu o crime, os dois teriam sido abordados por um grupo. Júlia relatou que foi retirada do veículo, amarrada e colocada no porta-malas.
A policial afirmou ainda que permaneceu presa durante toda a manhã e só conseguiu deixar a área de mata posteriormente, quando pediu ajuda a moradores.
Câmera contradiz versão apresentada pela policial
A versão apresentada por Júlia, no entanto, passou a ser questionada após imagens de uma câmera de segurança, obtidas pela TV Verdes Mares, mostrarem a policial na oficina do marido às 8h52. No registro, ela aparece sem qualquer amarra nas mãos.
A Polícia Civil passou a suspeitar que a agente poderia ter forjado a situação para se apresentar como vítima. Durante o depoimento, Júlia usava o mesmo vestido rosa que aparece nas imagens da câmera.
No velório de Raphael, realizado na quinta-feira (14), a tia da vítima, Rosilane Sampaio, afirmou que o sobrinho mantinha um relacionamento extraconjugal com a policial.
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Marido foi preso por documentos falsos e munições
Antoneudo foi preso em flagrante após serem encontrados documentos falsos e munições nos calibres .40 e .38 em um imóvel ligado a ele. O homem foi autuado por falsificação de documento público e posse irregular de munição de arma de fogo.
A defesa de Antoneudo afirmou que a prisão não ocorreu por causa da investigação sobre a morte de Raphael, mas em razão dos materiais encontrados durante as buscas.
Segundo a SSPDS, o homem possui antecedentes por estelionato, falsa identidade, lavagem ou ocultação de bens, direitos e valores, organização criminosa, receptação e posse irregular de arma de fogo de uso permitido. Júlia também responde por estelionato, lavagem ou ocultação de bens e participação em organização criminosa.
As autoridades informaram que esses registros estão relacionados a uma investigação iniciada em junho de 2025 pela Delegacia de Repressão aos Crimes Cibernéticos, após uma empresa de transporte por aplicativo denunciar um suposto esquema de criação de contas falsas.
De acordo com a investigação, Antoneudo seria responsável pela articulação do grupo, enquanto Júlia teria colaborado fornecendo dados pessoais, instrumentos financeiros e meios de comunicação. Em setembro de 2025, ele foi preso e indiciado por organização criminosa, falsa identidade, lavagem de dinheiro e fraude eletrônica. A policial foi indiciada por organização criminosa e lavagem de dinheiro.
Entrada da policial na corporação
A SSPDS informou ainda que Júlia ingressou na Polícia Militar do Ceará após aprovação em concurso público realizado em 2021. Ela foi convocada em 2022 e, naquele período, estava gestante.
Segundo a corporação, a investigação social do concurso foi concluída em fevereiro de 2022 sem reprovação da candidata. O Teste de Aptidão Física (TAF), que não pôde ser realizado inicialmente devido à gestação, foi feito posteriormente, com resultado considerado apto.
Em 2024, Júlia participou do Curso de Formação de Soldados e, após concluir a formação, passou a integrar oficialmente o efetivo da PMCE, na graduação de soldado, em novembro daquele ano.
A SSPDS ressaltou que o ingresso da policial na corporação ocorreu antes dos fatos atualmente investigados.
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