O presidente Lula voltou a comentar nesta sexta-feira (17) a decisão dos Estados Unidos de impor novas tarifas sobre produtos brasileiros. Durante um evento no Rio de Janeiro, o chefe do Executivo afirmou que o Brasil responderá com firmeza às medidas, mas disse que aguardará um posicionamento do presidente norte-americano, Donald Trump, antes de ampliar as declarações sobre o assunto.
Segundo Lula, o governo brasileiro não aceitará ataques ou acusações sem fundamento e defenderá os interesses do país diante das sanções comerciais impostas pelos Estados Unidos.
"Eu vou deixar para falar do tarifaço quando o Trump falar. Enquanto ele não falar, eu não falarei porque vamos mostrar que contra o Brasil ninguém ganha mentindo. Ou é mais verdadeiro que nós ou não vai enganar a sociedade brasileira", declarou.
CONTEÚDOS RELACIONADOS:
- Saiba quais produtos brasileiros serão afetados pelo tarifaço de Trump
- Brasil planeja responder com Lei da Reciprocidade às tarifas dos EUA
Ao encerrar o evento, o presidente voltou a defender uma postura de respeito nas relações internacionais.
"Esse país precisa estar de cabeça erguida porque não aceitamos que nenhum outro país do mundo faça desaforo para o Brasil. Nós queremos respeito, da mesma forma que vamos respeitar todo mundo", afirmou.
EUA impuseram tarifa de 25% sobre produtos brasileiros
O novo pacote de tarifas foi anunciado pelos Estados Unidos na última quarta-feira (15), após a conclusão de uma investigação conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR) sobre práticas comerciais adotadas pelo Brasil.
A medida estabelece uma tarifa adicional de 25% para parte das exportações brasileiras destinadas ao mercado norte-americano. Antes da decisão, o governo brasileiro tentou negociar com representantes dos EUA para evitar a aplicação das taxas, mas as conversas não resultaram em acordo.
Após o anúncio, o Palácio do Planalto classificou a medida como desproporcional e inaceitável, além de contestar os argumentos apresentados pelo governo norte-americano. A avaliação do Executivo é de que as sanções possuem motivação política e carecem de justificativa técnica.
Quer mais notícias do Brasil? Acesse nosso canal no WhatsApp
Governo prepara reação com Lei de Reciprocidade e OMC
Como resposta ao tarifaço, o governo federal confirmou que iniciará os procedimentos previstos na Lei de Reciprocidade Econômica, aprovada pelo Congresso Nacional, além de levar o caso novamente ao mecanismo de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC).
Em nota oficial, a Presidência da República informou que o país utilizará os instrumentos legais disponíveis para contestar as medidas adotadas pelos Estados Unidos.
"O Brasil iniciará imediatamente os trâmites para acionar os instrumentos previstos na Lei de Reciprocidade, aprovada por unanimidade pelo Congresso Nacional, e retomará o tema no âmbito do mecanismo de solução de controvérsias da OMC", informou o governo.
Impacto nas exportações brasileiras
De acordo com estimativas do governo federal, as novas tarifas devem atingir cerca de 18% das exportações brasileiras destinadas aos Estados Unidos, o equivalente a aproximadamente US$ 7,4 bilhões.
Entre os produtos afetados estão etanol, máquinas agrícolas, calçados, vestuário, açúcar, papel e diversos produtos químicos. Por outro lado, cerca de 2 mil itens brasileiros ficaram de fora da lista de produtos tarifados.
Além das medidas jurídicas, o governo informou que pretende ampliar o Plano Brasil Soberano, criado para oferecer apoio às empresas impactadas pelas novas tarifas. Paralelamente, integrantes da equipe econômica estudam a aplicação da Lei de Reciprocidade de forma cautelosa, buscando minimizar possíveis efeitos sobre a economia brasileira e sobre as relações comerciais entre os dois países.
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar