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TRAGÉDIA

Sobe para 70 o número de mortos pelas chuvas em Minas Gerais

Juiz de Fora concentra maior número de vítimas; buscas continuam e quase 4 mil pessoas estão fora de casa

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Imagem ilustrativa da notícia Sobe para 70 o número de mortos pelas chuvas em Minas Gerais camera Equipes do Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais atuam em área atingida por deslizamento na Zona da Mata Mineira. | Tânia Rêgo/Agência Brasil

O silêncio que restou depois da tempestade ainda é interrompido pelo barulho de sirenes e máquinas revirando lama. Na Zona da Mata Mineira, o cenário é de ruas destruídas, casas reduzidas a escombros e famílias tentando entender, entre a dor e o cansaço, a dimensão da tragédia que atingiu a região desde a noite da última segunda-feira (23).

A Polícia Civil de Minas Gerais confirmou no último sábado (28) que subiu para 70 o número de mortos em decorrência das fortes chuvas. O dado foi atualizado após o corpo de um homem de 48 anos, que estava desaparecido no bairro Linhares, ser encaminhado ao Posto Médico-Legal de Juiz de Fora.

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Com isso, o município passou a registrar 64 óbitos. Outros seis foram contabilizados em Ubá. Todas as vítimas já foram identificadas.

Buscas seguem após quase 120 horas de operação

De acordo com o Corpo de Bombeiros Militar de Minas Gerais, três pessoas continuam desaparecidas: uma em Juiz de Fora e duas em Ubá. Em Matias Barbosa, também afetada pelo temporal, não houve registro de mortes ou desaparecimentos.

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Na tarde deste sábado, o coordenador da Defesa Civil estadual informou que as equipes já somam quase 120 horas de atuação ininterrupta nas áreas atingidas. Entre os casos que mobilizam as buscas está o de um menino de 9 anos, procurado no bairro Paineiras, em operação considerada técnica e cautelosa pelas autoridades.

Apesar da redução significativa no volume de chuva nas últimas 24 horas, novos deslizamentos ainda foram registrados, pelo menos três apenas nesta manhã. As áreas, no entanto, já estavam desabitadas, o que evitou novas vítimas.

Milhares fora de casa

O impacto social também impressiona. Quase 4 mil pessoas estão desalojadas nas duas cidades, 3,5 mil em Juiz de Fora e 396 em Ubá. Outras 725 estão desabrigadas e dependem de abrigos públicos ou do apoio de familiares.

Cerca de 200 moradores foram resgatados com vida após ficarem presos em meio a desmoronamentos e alagamentos. Muitas casas foram completamente destruídas, e bairros inteiros seguem cobertos por lama e entulho.

A Defesa Civil estadual atua em conjunto com as defesas civis municipais e com apoio técnico de engenheiros para vistoriar imóveis e mapear áreas de risco. A partir de segunda-feira (2), 38 bombeiros especialistas em avaliação estrutural e riscos geológicos reforçarão as equipes em campo.

Recursos e luto oficial

O governo de Minas Gerais anunciou a antecipação de R$ 8 milhões para Ubá e R$ 38 milhões para Juiz de Fora, destinados à recuperação das cidades e assistência às famílias atingidas. Também foi decretado luto oficial de três dias em todo o estado.

O governador Romeu Zema afirmou que Minas vive um período de “grande sofrimento” e declarou mobilização total das forças estaduais para o resgate e apoio às vítimas.

Alerta permanece

A Defesa Civil de Minas Gerais e o Instituto Nacional de Meteorologia mantêm o alerta de “grande perigo” para a região devido à saturação do solo, que eleva o risco de novos deslizamentos mesmo com chuvas fracas.

Segundo o Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais, há alta possibilidade de novas ocorrências de enxurradas e alagamentos em áreas com drenagem comprometida, especialmente em Juiz de Fora.

Diante da dimensão dos estragos, os municípios decretaram estado de calamidade pública e ativaram planos de contingência. Enquanto a chuva dá uma trégua, a reconstrução (e o luto) apenas começam.

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