Você já imaginou tentar abrir uma janela para escapar de um naufrágio e simplesmente não conseguir? Foi exatamente essa a experiência angustiante do aposentado José Antônio, de 62 anos, um dos sobreviventes do trágico acidente ocorrido no Encontro das Águas, em Manaus.
No dia 13 de fevereiro de 2026, ele enfrentou momentos de pânico e desespero a bordo da lancha "Lima de Abreu", que submergiu em meio às águas turbulentas do rio Amazonas. O que torna essa história ainda mais impactante é o relato detalhado da falta de preparo da tripulação e das condições perigosas que levaram ao desastre.
Esse episódio não apenas expõe as falhas graves na segurança das embarcações na região, mas também levanta questões urgentes sobre a responsabilidade das autoridades e empresas envolvidas no transporte fluvial. Além disso, o testemunho de José Antônio revela cenas emocionantes de solidariedade humana, como o salvamento de uma criança pequena em meio ao caos. Entender o que aconteceu naquele dia é fundamental para evitar novas tragédias e garantir a proteção dos passageiros.
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O erro fatal que colocou vidas em risco no Encontro das Águas
Logo após o início da viagem, por volta das 12h30, a lancha "Lima de Abreu" partiu com atraso de Manaus rumo a Nova Olinda do Norte. Segundo José Antônio, a pressa para cumprir o horário foi um fator decisivo para o acidente. A embarcação navegava em alta velocidade por um trecho conhecido pela agitação das águas, chamado banzeiro, onde ondas fortes podem comprometer a estabilidade.
"O banzeiro estava muito forte e a água começou a entrar porque a lancha ia com muita velocidade. Talvez aceleraram para chegar no horário em Nova Olinda do Norte. O rio estava violento e eles foram pelo meio, colocando a vida de todos em risco", afirmou o aposentado.
Durante toda a travessia, não houve qualquer orientação ou instrução de segurança por parte da tripulação aos passageiros. Quando o barco começou a submergir, os passageiros foram deixados à própria sorte, sem saber como agir diante da emergência.
"Eu tentei abrir a janela e não consegui. Se não fosse alguém ter aberto por fora, talvez eu não estivesse aqui conversando com vocês. Não tem orientação nenhuma da tripulação sobre como agir em um momento desses", desabafou José Antônio.
Mas por que isso importa? A ausência total de treinamento e comunicação pode transformar uma situação já crítica em uma tragédia ainda maior — afinal, cada segundo conta quando se está à deriva nas águas do Amazonas.
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O drama humano: salvando vidas enquanto enfrenta o desespero
No meio do caos causado pelo naufrágio, José Antônio protagonizou um ato heroico ao salvar uma criança de apenas dois anos. Ele contou que o pai do menino já não tinha forças para segurá-lo e acabou entregando-o ao aposentado.
"Fiquei com aquela criança dentro da boia até o resgate aparecer. Ficamos à deriva por cerca de meia hora", relatou José.
A cena mostra não só coragem como também humanidade diante do perigo iminente. Entretanto, nem todos tiveram essa sorte: José revelou que os avós dessa criança estão desaparecidos até hoje.
Além disso, ele descreveu outra situação dramática envolvendo um recém-nascido colocado dentro de uma caixa térmica (cooler) para evitar que afundasse nas águas agitadas. A mãe do bebê estava recém-operada e com dificuldades para se locomover, mas felizmente essa família conseguiu sobreviver.
No entanto, nem todos os envolvidos demonstraram solidariedade: uma embarcação passou pelo local logo após o acidente e jogou apenas duas boias antes de seguir viagem sem prestar socorro imediato aos náufragos. Para José Antônio, isso configura omissão grave diante da tragédia.
E você deve estar se perguntando: qual é o impacto real dessa negligência? Em situações assim, cada minuto perdido pode custar vidas humanas preciosas, algo inaceitável quando se trata da segurança pública.
A falha estrutural: ausência total de preparo e segurança na lancha Lima de Abreu
A denúncia feita por José Antônio vai além dos erros operacionais; ela aponta diretamente para uma falha estrutural grave na gestão da segurança da embarcação "Lima de Abreu". Segundo ele, nenhum tipo de instrução foi dada antes ou durante a viagem sobre procedimentos emergenciais ou uso dos equipamentos disponíveis.
- Nenhuma orientação prévia aos passageiros;
- Janelas travadas impossibilitando fuga rápida;
- Tripulação despreparada para lidar com emergências;
- Navegação em alta velocidade mesmo com condições adversas;
Tais fatores combinados criaram um cenário propício para o desastre anunciado naquela tarde no Encontro das Águas.
Ainda mais preocupante é saber que esse tipo de negligência pode ser comum em outras embarcações similares na região amazônica — onde milhares dependem diariamente desse meio para se deslocar entre cidades ribeirinhas.
"Não tem orientação nenhuma da tripulação sobre como agir em um momento desses", reforçou José Antônio durante seu relato emocionado.
Diante disso, fica claro que medidas rigorosas precisam ser implementadas urgentemente pelas autoridades competentes para garantir treinamento adequado às equipes e fiscalização efetiva das condições das embarcações comerciais na região.
E então surge outra questão importante: como garantir que esses episódios não se repitam? A resposta passa necessariamente pela combinação entre regulamentação mais rígida e conscientização dos próprios passageiros sobre seus direitos à segurança.
A decisão que vai mudar sua perspectiva sobre transporte fluvial
Lembra daquela pergunta inicial sobre tentar abrir uma janela durante um naufrágio? Agora você conhece os detalhes reais por trás desse episódio assustador no Encontro das Águas — onde pressa, descaso e falta de preparo quase custaram vidas humanas preciosas.
Com relatos diretos como os do aposentado José Antônio, fica evidente que as condições atuais do transporte fluvial na região ainda apresentam riscos significativos devido à negligência operacional e ausência total de protocolos claros para emergências.
A pergunta que fica é: você estaria preparado caso enfrentasse uma situação semelhante? E mais importante ainda — quais ações você acredita serem necessárias para evitar novos acidentes?
- Aumento rigoroso na fiscalização das embarcações;
- Treinamento obrigatório para tripulações;
- Sistemas eficazes de comunicação e instrução aos passageiros;
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