Um dos métodos mais queridos de pagamento dos brasileiros, passou por mudanças significativas para aumentar a segurança digital de contas bancárias.
O Pix passou a operar sob uma nova lógica de segurança a partir da última segunda-feira (2), com a entrada em vigor de regras que alteram a forma como valores transferidos em golpes podem ser recuperados. A principal mudança está no fortalecimento do Mecanismo Especial de Devolução (MED 2.0), que deixa de olhar apenas para a conta de origem da fraude e passa a acompanhar o trajeto do dinheiro, mesmo quando ele é rapidamente distribuído entre várias contas.
Na prática, a atualização afeta tanto quem já foi vítima quanto quem teme cair em um golpe, além de impor novas rotinas aos bancos e instituições financeiras. O MED chega à versão 2.0 com a promessa de ampliar a precisão do rastreamento, acelerar a contestação de transações e reforçar a coordenação entre os participantes do sistema para identificar contas usadas como intermediárias em fraudes e impedir que continuem operando como “pontes” para novos crimes.
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O que muda quando o Pix passa a “seguir o dinheiro” do golpe
Até agora, o processo de devolução apresentava uma limitação importante: a análise se concentrava na conta inicialmente utilizada na fraude. Como a estratégia mais comum dos criminosos é transferir ou sacar os valores com rapidez, pulverizando o dinheiro em diferentes contas, essa dinâmica frequentemente quebrava o rastro e reduzia as chances de bloqueio e recuperação.
Com as novas regras, o MED passa a rastrear o caminho do dinheiro com maior alcance. A proposta é permitir a recuperação de valores mesmo depois de eles terem saído da conta original do fraudador. Isso altera o cenário em dois aspectos centrais: amplia a probabilidade de localizar recursos ainda em circulação e desestimula o uso recorrente das mesmas contas como engrenagens de esquemas fraudulentos.
O Banco Central não apresenta o rastreio como solução automática nem como garantia de ressarcimento integral. A medida busca ganhar tempo e informação em um ambiente em que a velocidade sempre foi a principal vantagem do criminoso.
Por que o mecanismo de devolução do Pix ganha protagonismo na segurança
A expectativa do Banco Central é que o MED 2.0 contribua para ampliar a identificação de contas envolvidas em fraudes e aumentar a taxa de devolução de valores, ajudando a desestimular esse tipo de crime.
Há ainda uma segunda camada relevante: o compartilhamento da identificação de contas suspeitas entre os participantes das transações. Esse fluxo de informação tende a dificultar que uma mesma conta continue recebendo recursos de novas vítimas.
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Do ponto de vista técnico, o avanço está menos em “descobrir o golpe” e mais em fazer a informação circular entre quem pode agir. Quando uma conta é identificada como elo de fraude, o ganho está em reduzir o intervalo entre a constatação do problema e a capacidade do sistema como um todo de reagir.
Nesse desenho, o mecanismo de devolução deixa de ser apenas reativo e passa a funcionar também como instrumento de inteligência operacional, servindo não só para tentar recuperar valores, mas para mapear padrões de uso fraudulento e alimentar ações preventivas.
Contestação no aplicativo e o prazo que redefine o pedido
Desde 1º de outubro, bancos e instituições financeiras passaram a oferecer, dentro do ambiente Pix dos aplicativos, uma funcionalidade de contestação direta de transações, sem necessidade de contato humano inicial.
A mudança impacta o primeiro momento após o golpe, quando a vítima costuma estar sob estresse e cada etapa manual representa atraso. O Banco Central define esse canal de autoatendimento como o meio adequado para solicitar a devolução de valores retirados por fraude.
A justificativa é objetiva: quanto mais rápida a contestação, maior a chance de ainda existirem recursos disponíveis, seja na conta do fraudador, seja ao longo da trilha de contas por onde o dinheiro passou. Com o MED 2.0, essa identificação é compartilhada entre os participantes envolvidos e pode permitir a devolução dos valores em até 11 dias após o registro da contestação.
O prazo não elimina a ansiedade de quem perdeu dinheiro, mas estabelece uma referência clara sobre o tempo esperado para a análise e eventual restituição.
O que muda para os bancos quando o golpe acontece
O novo fluxo impõe obrigações mais amplas ao sistema financeiro. As instituições passam a ter de rastrear valores transferidos via Pix em fraudes considerando o caminho completo dos recursos, e não apenas um ponto inicial. Isso exige maior coordenação entre bancos e capacidade operacional para agir rapidamente, já que um mesmo valor pode transitar por diversas contas em poucos minutos.
Na prática, cresce também a responsabilidade das instituições na ponta do atendimento. Se o funcionamento do MED depende de contestação rápida e de compartilhamento eficiente de informações, a experiência no aplicativo, a clareza dos caminhos de contestação e o tratamento padronizado dos pedidos passam a integrar o próprio sistema de segurança.
Outro efeito esperado é a redução da reincidência. Ao ampliar a identificação de contas usadas em golpes e disseminar esse alerta entre os participantes do Pix, a tendência é diminuir a “vida útil” de contas fraudulentas. O golpe não se sustenta apenas na narrativa enganosa, mas na infraestrutura que permite receber e espalhar dinheiro.
O impacto para a vítima e os limites do sistema
Para a vítima, a principal mudança é a possibilidade concreta de recuperação mesmo quando o dinheiro já deixou a conta originalmente usada na fraude. Isso atinge diretamente a tática mais comum dos criminosos, baseada na pulverização rápida dos valores.
Ainda assim, o próprio Banco Central reconhece limites. A maior agilidade aumenta a chance de recuperação, mas o tempo continua sendo fator decisivo. Se a contestação demorar, o dinheiro pode sair do alcance do sistema, e não há promessa de que sempre haverá saldo disponível em algum ponto da trilha rastreada.
Há também um limite conceitual: as novas regras aprimoram processos e coordenação, mas não substituem a prevenção individual. Golpes mudam de formato, mas quase sempre exploram pressa, emoção e desatenção induzida. O MED 2.0 atua no “depois”, sem eliminar o risco do “antes”.
Como se adaptar às mudanças no dia a dia
No cotidiano, a principal orientação é prática. Conhecer previamente onde fica a função de contestação no aplicativo do banco, dentro do ambiente Pix, pode fazer diferença. Em situações de estresse, procurar menus significa perder tempo.
Em caso de fraude, agir rapidamente torna-se ainda mais relevante, já que o mecanismo de devolução depende da chance de ainda existirem recursos e do rastreamento do caminho do dinheiro. Formalizar a contestação pelo canal indicado é o que aciona o fluxo do MED.
Manter atenção aos sinais clássicos de golpe continua essencial: mensagens com senso de urgência, pedidos de transferência imediata, pressão para “resolver agora” e orientações para não consultar terceiros. O criminoso aposta na velocidade e no isolamento; o sistema, na contestação rápida e no rastreio.
A atualização do mecanismo de devolução do Pix para a versão 2.0 coloca o rastreamento no centro da resposta a fraudes. A devolução deixa de depender exclusivamente da primeira conta e passa a acompanhar o caminho do dinheiro, com contestação mais acessível nos aplicativos e prazo de até 11 dias para análise após o pedido.
Trata-se de uma mudança com impacto direto tanto na operação dos bancos quanto na expectativa de quem já foi vítima de golpes financeiros.
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