O Romi-Isetta completa 70 anos neste mês como um dos marcos pioneiros da indústria automobilística brasileira. Produzido pela Indústrias Romi em Santa Bárbara d’Oeste, no interior de São Paulo, o compacto chamou atenção pelo formato incomum, com uma única porta frontal, e pela forte participação de componentes nacionais em sua estrutura.
A história do modelo começou com um projeto criado na Itália. Américo Emílio Romi, proprietário da empresa que até então se dedicava à fabricação de máquinas agrícolas, obteve autorização para produzir o Isetta no Brasil e decidiu levar o empreendimento adiante.
CONTEÚDO RELACIONADO
- Por que sedans não têm limpador no vidro traseiro?
- Veja cinco carros usados que custam o mesmo que um iPhone Duo
- Ford Ka é o carro mais visado por ladrões no Brasil; veja ranking
USO DE PEÇAS NACIONAIS

A primeira unidade saiu da linha de montagem em 30 de junho de 1956. O lançamento oficial aconteceu em São Paulo em 5 de setembro daquele ano.
Quer mais notícias automotivas? Acesse o canal do DOL no WhatsApp.
O automóvel utilizava mais de 70% de seu peso em peças nacionais, característica que exigiu o desenvolvimento de uma cadeia de fornecedores e de profissionais preparados para fabricar componentes específicos.
A ESTRUTURA QUE AJUDOU A CRIAR UMA INDÚSTRIA

A experiência foi possível, em parte, graças à estrutura metalúrgica já instalada em Santa Bárbara d’Oeste. A empresa aproveitou essa capacidade para produzir peças complexas e formar trabalhadores especializados.
Para pesquisadores, esse talvez seja um dos principais legados do projeto. Mais do que colocar um pequeno automóvel nas ruas, a iniciativa contribuiu para ampliar a capacidade industrial da cidade e estimular a criação de fornecedores locais.
POR QUE NÃO FOI RECONHECIDO COMO O PRIMEIRO CARRO NACIONAL?
Apesar do pioneirismo, o Romi-Isetta não recebeu oficialmente o título de primeiro carro nacional.
Na época, o governo de Juscelino Kubitschek estabeleceu critérios para definir o automóvel brasileiro, entre eles a exigência de duas portas e quatro lugares. O compacto da Romi, com sua configuração de uma única porta frontal, ficou fora dessas regras.
O reconhecimento acabou destinado ao DKW-Vemag Universal, lançado dois meses depois.
UM CLÁSSICO ENTRE COLECIONADORES
Com o passar das décadas, o Romi-Isetta deixou de representar apenas uma experiência industrial pioneira e passou a ocupar lugar entre os veículos históricos mais emblemáticos do automobilismo brasileiro.
Hoje, o modelo é item de colecionador e preserva a memória de um período em que o país começava a construir sua própria
Seja sempre o primeiro a ficar bem informado, entre no nosso canal de notícias no WhatsApp e Telegram. Para mais informações sobre os canais do WhatsApp e seguir outros canais do DOL. Acesse: dol.com.br/n/828815.
Comentar