O dado frio chama atenção e ajuda a explicar muito do que se vê em campo. O Clube do Remo aparece com 0,00% de minutos jogados por atletas formados na base no Brasileirão, segundo levantamento do CIES Football Observatory, centro de pesquisas suíço especializado em estatísticas do futebol, ao qual o DOL teve acesso. Em um cenário em que clubes buscam cada vez mais equilíbrio entre formação e mercado, o time paraense segue na contramão: aposta total em contratações.
Para entender o tamanho da diferença, basta olhar para alguns dos principais clubes do país. Nos 6 primeiros jogos, o Flamengo utilizou 22 jogadores na Série A e teve 5,7% dos minutos com atletas da base. Já o Palmeiras, conhecido pelo investimento em formação, usou 25 jogadores na competição e alcançou 9,7% de minutagem para atletas da casa. No topo do ranking aparece o Santos Futebol Clube, com 29 atletas utilizados e expressivos 28% de aproveitamento da base.
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Enquanto isso, o Remo utilizou 27 jogadores, número semelhante aos concorrentes, mas sem conceder um único minuto a atletas formados no clube.
No contexto geral do Campeonato Brasileiro Série A, o cenário chama ainda mais atenção. A média da competição é de 10,69% de minutos com jogadores formados no clube, enquanto o índice global chega a 12,3%. O Remo, portanto, não apenas fica abaixo; ele rompe completamente com a tendência.
O contraste evidencia que a questão não está na quantidade de jogadores utilizados, mas sim na estratégia adotada. E ela é clara: o Remo optou por montar praticamente todo o elenco no mercado.

Investimento alto em um novo time.
Para a temporada 2026, o Remo promoveu uma verdadeira reformulação no elenco, com 24 jogadores contratados, número que coloca o clube como líder absoluto em reforços entre os 20 participantes da Série A. Nenhuma outra equipe do campeonato trouxe tantos nomes. O investimento também acompanha o volume: mais de R$ 10 milhões desembolsados para montagem do grupo. Ao todo, o elenco azulino está avaliado em R$ 187,4 milhões, segundo o Transfermarkt.
A lista é extensa e cobre todos os setores do campo. Chegaram nomes como Ivan, Matheus Alexandre, João Lucas, Thalisson, Léo Andrade, Marllon, Tchamba, Cufrê e Mayk para a defesa; Zé Ricardo, Picco, Zé Welisson, Patrick, Patrick de Paula e Catarozzi para o meio; além de Bueno, David Braga, Pikachu, Alef, Jajá, Taliari, Monti, Carlinhos e Poveda para o ataque.
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O movimento evidencia uma estratégia clara: priorizar experiência imediata e reposição rápida de peças, em detrimento da utilização de jovens formados no próprio clube. O reflexo disso aparece diretamente nos números; o Remo é um dos poucos clubes do país que não utilizou sequer um minuto de atleta formado em casa na competição até aqui.
A escolha pode gerar questionamentos sobre o planejamento a longo prazo. Tradicionalmente reconhecido por revelar talentos na região Norte, o clube abre mão, ao menos neste momento, de um ativo importante: a base como fonte esportiva e também financeira.
Por outro lado, a diretoria parece ter feito uma aposta calculada. Em um campeonato altamente competitivo como o Campeonato Brasileiro Série A, a prioridade pode ser garantir desempenho imediato, ainda que isso custe o protagonismo dos jovens.
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