Há dias em que o futebol se desenha no quadro tático; em outros, é rasgado pelas circunstâncias. Entre o planejamento e o imponderável, surgem partidas que dizem mais sobre resistência física do que sobre técnica. Foi assim, sob um cenário adverso, em um gramado pesado após a chuva, que o Clube do Remo viu escapar a chance de transformar expectativa em vitória na Copa Norte.
O empate em 1 a 1, longe de representar alívio, ampliou a cobrança sobre o elenco azulino. Nem a presença de titulares nem a utilização de novos reforços conseguiram fazer a equipe dar o salto esperado diante da torcida no Baenão.
CHUVA MUDA O RUMO DO JOGO
Na leitura do técnico Léo Condé, o jogo foi dividido em dois contextos distintos, e apenas um deles permitiu a prática do futebol. "É claro que a gente tinha a pretensão de vencer. Trabalhamos para isso, e a expectativa era essa. Infelizmente, tivemos apenas 25 minutos de jogo. Depois caiu uma tempestade e deixou de ser futebol, virou mais luta e disputa. Sabemos que é difícil para o torcedor assimilar, até porque vínhamos de um bom treinamento", disse.
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A mudança brusca nas condições da partida impactou diretamente o planejamento da comissão técnica. O treinador revelou que precisou frear alterações que estavam previstas, priorizando a integridade física dos atletas em meio a um calendário já apertado. "Tivemos que segurar um ou outro atleta para não correr riscos de perder jogadores para a Série A, como aconteceu com o Marllon, que acabou saindo. Vejo que esse é o foco central neste momento", acrescentou.
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AVALIAÇÃO EM MEIO ÀS DIFICULDADES
Mesmo com o cenário desfavorável, Condé destacou a entrega da equipe, ainda que distante do ideal em termos de organização. Segundo ele, o Remo conseguiu chegar ao gol adversário, mas sem a fluidez desejada, recorrendo muitas vezes a bolas longas. "A equipe brigou, lutou dentro das condições da partida, embora não da forma que gostaríamos. Criamos chances de gol, como foi contra o Bahia. Hoje, muitas jogadas saíram mais na base do lançamento, e ainda encontramos o goleiro deles em uma tarde inspirada. Fica difícil fazer uma avaliação coletiva e individual."
PÊNALTI DESPERDIÇADO AUMENTA FRUSTRAÇÃO
O momento mais emblemático da partida veio com a penalidade desperdiçada por Gabriel Poveda. A jogada, originada após falta sofrida por Yago Pikachu, poderia ter mudado o rumo do confronto. Sobre a decisão de quem bateria, o treinador explicou que a escolha foi compartilhada entre os jogadores. "O Pikachu é um bom cobrador, assim como o Poveda. Eu dei liberdade para os dois, eles conversaram e o Pikachu deixou a bola para ele. Quando perde, sempre vai haver questionamento", destacou.
Com o resultado, a caminhada do Remo na Copa Norte se torna mais delicada. A equipe passa a depender de uma combinação de vitórias e resultados paralelos para seguir com chances de classificação.
MARATONA DE JOGOS PREOCUPA
Mas o olhar do clube já está dividido com um desafio ainda maior: a maratona de jogos que se aproxima. Em abril, serão nove partidas em menos de um mês, incluindo compromissos pela Copa Norte, Campeonato Brasileiro e Copa do Brasil. "Já começamos em janeiro e, no próximo mês, teremos nove jogos em 27 dias, entre Copa Norte, Brasileiro e Copa do Brasil. Esperamos que a CBF, junto aos clubes e atletas, consiga fazer ajustes para melhorar isso", observou.
Diante desse cenário, a prioridade está bem definida internamente. A Série A ocupa o topo das atenções, especialmente pelos confrontos imediatos contra o Santos e o Grêmio. "Aproveitamos esse período de treinos para nos preparar, mas o foco principal são os jogos contra Santos e Grêmio. Dentro desse cenário, não queríamos ficar dez dias sem atuar com a equipe principal, mas também não dava para colocar todos", completou.
Agora, mais do que recuperar pontos, o Remo tenta reorganizar forças em meio ao desgaste físico e emocional. O próximo capítulo já está marcado: quinta-feira (2), na Vila Belmiro, contra o Santos. Depois, Porto Alegre no horizonte para encarar o Grêmio. Dois testes que podem redefinir o rumo da temporada azulina.
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