O futebol, em alguns momentos, ultrapassa a lógica da vitória e do pódio para reafirmar valores que não cabem em estatísticas ou troféus. Em decisões marcadas por emoção, o pós-jogo também pode se transformar em palco de gestos simbólicos, capazes de ressignificar o resultado e deixar marcas mais duradouras do que o próprio placar.
Na cerimônia de premiação realizada pela Federação Paraense de Futebol (FPF), o Clube do Remo abriu mão das medalhas de campeão da Supercopa Grão-Pará 2026, que haviam sido destinadas aos jogadores azulinos, e decidiu doá-las aos atletas do Águia de Marabá. O gesto foi feito em homenagem a Hecton Alves, preparador físico da equipe sub-20 do Águia, vítima de um acidente envolvendo a delegação marabaense no retorno da Copa São Paulo de Futebol Júnior.
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Sensibilizados pelo momento vivido pelo clube do interior, os jogadores do Remo optaram por transformar a premiação em um ato de solidariedade, reconhecendo o impacto emocional que acompanhou o Águia ao longo da decisão no Mangueirão. O Remo permaneceu com a taça da Supercopa Grão-Pará, símbolo da conquista dentro de campo.
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Vale destacar que não havia premiação prevista para o vice-campeão da competição. Ainda assim, a atitude do clube azulino foi recebida como um gesto de respeito e empatia, encerrando a final da Supercopa com uma demonstração de humanidade que ecoou além das quatro linhas.
TONHÃO EXPLICA GESTO DE SOLIDARIEDADE
"O gesto de doar as medalhas é a prova mais clara de que, em nenhum momento, houve má vontade do Remo em relação ao Águia de Marabá. Pelo contrário, sempre tivemos respeito pela dor que o clube atravessa e pelas circunstâncias difíceis que envolveram essa final”, afirmou o presidente do Clube do Remo, Tonhão, após a cerimônia de premiação da Supercopa Grão-Pará.
Segundo o dirigente, o episódio ocorrido na sexta-feira (16), quando a diretoria do Águia manifestou publicamente que entraria em campo sem vontade de jogar, não refletiu a postura adotada pelo clube azulino nas conversas institucionais. "Desde o início, o Remo se colocou aberto ao diálogo e aceitava, sim, o adiamento da partida", explicou. Tonhão, no entanto, ressaltou que havia limites práticos para essa possibilidade. "O que deixamos claro é que não tínhamos condições de transferir o jogo para a terça-feira, dia 20, por questões de logística já definidas", pontuou.
Para o goleiro Marcelo Rangel, a atitude tomada na premiação reforça o espírito de humanidade que deve marcar os confrontos ensportivos. "Ficamos com a taça, que é o que se ganha no campo, mas fizemos questão de dividir o simbolismo desse momento. O futebol também precisa ser humano, e essa foi a mensagem que o Remo quis deixar aos jogadores e à torcida do Águia", ressaltou o arqueiro remista.
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