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RISCO CONTROLADO

Rope jump no Pará: especialista alerta para falhas humanas

Profissional de acesso por cordas destaca protocolos da NR 35, redundância de ancoragens e certificação de equipes, além de analisar acidente fatal em São Paulo

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Imagem ilustrativa da notícia Rope jump no Pará: especialista alerta para falhas humanas camera Rope jump e esportes de altura entram em debate no Pará após acidente em São Paulo; especialista detalha protocolos de segurança e afirma que, embora o risco nunca seja eliminado, ele pode ser controlado com planejamento e supervisão rigorosa. | Reprodução/Arquivo pessoal

Em um cenário no qual esportes radicais ganham cada vez mais adeptos na região Norte, especialmente no Pará, a discussão sobre segurança voltou ao centro do debate após o acidente fatal envolvendo uma jovem em São Paulo durante a prática de uma modalidade chamada "rope jump". Entre a busca por adrenalina e a necessidade de controle rigoroso de risco, especialistas reforçam que a linha entre o entretenimento e a tragédia depende, sobretudo, de protocolo, capacitação e responsabilidade técnica.

Para entender como essas atividades são conduzidas na prática, a reportagem do DOL ouviu o especialista em acesso por cordas e segurança em altura, Francigalen Figueiredo, que atua também como socorrista do SAMU Belém e supervisor de operações em ambientes de risco.

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O QUE É O ROPE JUMP

O rope jump (ou rope jumping) é uma modalidade de salto em grandes alturas realizada com o uso de cordas de escalada de baixa elasticidade, que controlam a queda e direcionam o movimento do praticante. A prática é frequentemente comparada ao bungee jumping, esporte mais conhecido em que cordas altamente elásticas provocam sucessivas oscilações verticais após a queda livre.

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No rope jump, entretanto, o comportamento do salto é diferente: em vez do efeito de “sanfona” característico da elasticidade do bungee, o praticante é conduzido para um movimento pendular, semelhante ao de um grande balanço. Isso ocorre porque o sistema de ancoragem é posicionado lateralmente ao ponto de salto, fazendo com que a queda vertical rapidamente se transforme em um arco horizontal controlado.

PROTOCOLOS DE SEGURANÇA E BASE NORMATIVA NO PARÁ

Segundo o especialista, as atividades de rope jump e esportes radicais similares no Pará se orientam principalmente pela Norma Regulamentadora 35 (NR35), que trata de trabalhos realizados acima de dois metros com risco de queda. "Mesmo tendo um item na NR que diz que ela não se aplica a salvamento e esporte, nós seguimos recomendações como as NBRs e fazemos um estudo para oferecer o máximo de segurança", afirma.

Na prática, equipes qualificadas também recorrem a normas complementares, como as NBRs brasileiras e a norma americana NFPA, especialmente no que diz respeito à resistência de cordas e sistemas de ancoragem.

ANCORAGENS, CORDAS E REDUNDÂNCIA DE SEGURANÇA

Especialista detalha a importância das ancoragens redundantes e da supervisão contínua em atividades de rope jump.
📷 Especialista detalha a importância das ancoragens redundantes e da supervisão contínua em atividades de rope jump. |Reprodução/Arquivo pessoal

Segundo Francigaleno, um dos pontos centrais do sistema de segurança está na capacidade de resistência dos equipamentos. As cordas utilizadas devem suportar até 15 vezes o peso de referência de uma pessoa de cerca de 100 kg, chegando a aproximadamente 1.500 kg de força (ou 15 kN).

As ancoragens também seguem o mesmo padrão mínimo de resistência e precisam ser duplas, garantindo redundância no sistema. Em muitos casos, utiliza-se material estático nas fixações e cordas semiestáticas certificadas nos saltos. O especialista destaca, ainda, que a lógica operacional é baseada em redundância de sistemas. "A redundância no quesito segurança é sempre bem-vinda", reforça.

Ele também faz questão de ressaltar que após cada atividade, os equipamentos passam por inspeção visual e tátil rigorosa, além de processos de higienização. Qualquer sinal de desgaste, corte ou comprometimento implica na imediata retirada do material de uso.

CAPACITAÇÃO E CERTIFICAÇÃO DAS EQUIPES

Outro ponto considerado indispensável é a qualificação da equipe operacional. Segundo o especialista, empresas devem ser legalizadas e os instrutores precisam possuir certificações específicas em atividades como rapel e acesso por cordas "Tem que ser uma empresa certificada, legalizada, e os instrutores têm que estar devidamente certificados”, ressalta.

Ele explica que, apesar de o rope jump não ser formalmente reconhecido por normas específicas, a prática é baseada em engenharia de segurança e controle de risco. "O rope jump não é reconhecido por normas. A gente pega essas informações e leva para a engenharia, avaliando fator de queda e zona livre de queda", explica.

DEMONSTRAÇÃO DOS PROTOCOLOS NA PRÁTICA

Em uma das experiências que marcaram sua atuação na área, o especialista realizou um salto de rope jump no Sul do país. O procedimento, segundo ele, seguiu rigorosamente protocolos de ancoragem, redundância de sistemas e verificação prévia de equipamentos, reforçando na prática os princípios que defende na teoria sobre a necessidade de planejamento e certificação em esportes de risco.

VEJA O VÍDEO:


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ORIGEM DO ROPE JUMP E LIMITES DA SEGURANÇA

A modalidade tem origem atribuída a experiências do escalador norte-americano Dan Osman, que realizava saltos em escaladas e acabou sofrendo um acidente fatal em 1998, aos 35 anos, praticando o esporte que ele mesmo havia criado. "Ele também sofreu uma queda durante um salto na Califórnia. Uma corda acabou cruzando com a outra e o atrito entre elas levou ao rompimento do equipamento", relembra Francigaleno.

A partir dessas experiências, o rope jump passou a ser estruturado com base em parâmetros técnicos mais rígidos. Atualmente, são considerados fatores como massa corporal do participante e zona livre de queda. Em geral, o limite de peso aceito gira em torno de 120 kg, enquanto crianças com menos de 1,20 m de altura não são autorizadas a participar. Isso porque o corpo humano suporta, em média, até seis kN de força antes de sofrer lesões graves ou risco de óbito.

PLANEJAMENTO, ORGANIZAÇÃO E EXECUÇÃO DA ATIVIDADE

A operação segura do rope jump segue três pilares fundamentais: planejamento, organização e execução. No planejamento, são avaliados número de participantes, condições físicas, possíveis comorbidades e necessidade de suporte médico. Também é elaborado um plano de emergência para eventuais incidentes. "No planejamento eu verifico quantos participantes tem, se alguém tem comorbidade, e preparo um plano de emergência para qualquer incidente", detalha o especialista.

Na fase de organização, também são definidos equipamentos, equipes e pontos de ancoragem. Já na execução, tudo depende do cumprimento rigoroso do que foi previamente estruturado. "Depois organizo o material, verifico pontos de ancoragem e só então a atividade é executada", explica.

FALHA HUMANA NO ACIDENTE EM SÃO PAULO

Ao comentar o acidente recente ocorrido em Limeira (SP), que vitimou Maria Eduarda Rodrigues de Freitas, de 21 anos, ao ser jogada sem cordas durante a prática de rope jump, o especialista avalia que não há indícios de falha de equipamento, já que cordas ou ancoragens rompidas não foram relatadas.

Na análise dele, o episódio aponta para falha humana. "Eu não posso afirmar o que aconteceu, mas posso dar sugestões", diz. Para ele, não há indícios de falha de equipamento. "Se fosse erro de equipamento, a corda teria estourado ou o ponto de ancoragem teria cedido, o que não foi o caso. Então foi falha humana", avalia.

De acordo com Francigaleno, entre os fatores que podem contribuir para esse tipo de ocorrência estão o excesso de participantes em um mesmo dia, o que pode levar à sobrecarga dos operadores e à execução automática de procedimentos sem supervisão adequada.

"Quando você tem muitos participantes no mesmo dia, fica cansativo para o operador e chega um ponto em que entra no automático", alerta, apontando que o ideal seria a presença de um supervisor exclusivo, responsável apenas por autorizar cada salto após checagem rigorosa.

ORIENTAÇÕES PARA INICIANTES E ESCOLHA DE EMPRESAS

Especialista orienta iniciantes em rope jump, bungee jump e rapel a buscar empresas certificadas, com equipamentos adequados, equipes qualificadas e plano de emergência estruturado.
📷 Especialista orienta iniciantes em rope jump, bungee jump e rapel a buscar empresas certificadas, com equipamentos adequados, equipes qualificadas e plano de emergência estruturado. |Reprodução/Arquivo pessoal

Apesar dos riscos, o especialista afirma que práticas como rope jump, bungee jump e rapel são seguras quando realizadas dentro dos protocolos corretos. Ele próprio, segundo relata, pratica e recomenda a atividade a familiares. "Eu indico rope jump, bungee jump e rapel. São esportes que proporcionam adrenalina e prazer muito grande", reconhece.

A principal recomendação para iniciantes é buscar empresas com certificação, transparência operacional, equipamentos adequados e plano de emergência estruturado. A presença de profissionais qualificados é considerada decisiva para transformar uma atividade de risco em um risco controlado. "Procure uma empresa que tenha eficiência, transparência, equipamento certificado e plano de emergência", orienta.

RISCO CONTROLADO, NÃO ELIMINADO

Por fim, a avaliação técnica reforça que esportes radicais nunca são isentos de risco. O que existe, na prática, é o controle desse risco antes, durante e depois da atividade. A segurança, portanto, não é um estado absoluto, mas um processo contínuo de verificação, disciplina e responsabilidade operacional.

"Todo risco existe. O que muda é a forma como as pessoas operam. Com equipe qualificada, o risco passa a ser controlado. O controle é antes, durante e depois da atividade, o tempo todo", conclui Francigaleno Figueiredo.

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