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Primeiro gol da história da Inter de Milão foi feito por um paraense

Descubra a história de Achille Gama Malcher, o pioneiro brasileiro no futebol italiano, e seu legado no esporte europeu e na seleção da Itália.

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Imagem ilustrativa da notícia Primeiro gol da história da Inter de Milão foi feito por um paraense camera Giuseppe Gama Malcher, de chapéu e bigode, à direita, como dirigente nerazzurro na primeira foto oficial da equipe | Arquivo/Inter de Milão

Muito antes de o Brasil se tornar referência mundial no futebol, um paraense já escrevia seu nome na história do esporte europeu. Achille Gama Malcher foi o primeiro brasileiro a ingressar no futebol italiano, em 1909, deixando um legado que atravessa gerações e fronteiras. Natural de Belém do Pará, Gama Malcher teve impacto imediato na vida esportiva da Itália.

Ele foi um dos fundadores da Internazionale de Milão e entrou definitivamente para a história do clube no dia 10 de janeiro de 1909, ao marcar o primeiro gol da Inter em Campeonatos Italianos. O feito ocorreu logo no Derby de Milão, apesar da derrota por 3 a 2 para o Milan. Atuando como atacante, Achille Gama vestiu a camisa nerazzurra entre 1909 e 1914.

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📷 |Divulgação

No período, disputou 46 partidas e marcou 19 gols, números expressivos para a época e que ajudaram a consolidar a Inter como uma força emergente no futebol italiano. Além da carreira como jogador, Gama Malcher também teve papel fundamental na organização do futebol nacional da Itália. Ele integrou a primeira comissão técnica responsável pela formação da seleção italiana, ao lado de nomes como Umberto Meazza, Agostino Recalcati, Alberto Criveli e Giovanni Camperio.

O grupo foi encarregado de convocar a Squadra Azzurra para sua primeira partida oficial. A estreia da seleção italiana aconteceu no dia 15 de maio de 1910, na Arena di Milano, em amistoso contra a França. A Itália venceu por 6 a 2, com gols de Lana (três), Fosatti, Rizzi e Debernardi. A primeira escalação da Azzurra contou com Mario De Simoni; Francesco Calì, Franco Varisco, Domenico Capello, Virgilio Fossati; Attilio Trerè, Enrico Debernardi, Giuseppe Rizzi, Aldo Cevenini; Pietro Lana e Arturo Boiocchi.

Giuseppe Gama Malcher, de chapéu e bigode, à direita, como dirigente nerazzurro na primeira foto oficial da equipe
📷 Giuseppe Gama Malcher, de chapéu e bigode, à direita, como dirigente nerazzurro na primeira foto oficial da equipe |Arquivo/Inter de Milão

Gama Malcher se destacou dentro e fora das quatro linhas do futebol

Gama Malcher ainda comandou a seleção italiana em mais duas partidas: na derrota por 6 a 1 para a Hungria, em 27 de maio de 1910, e no revés por 1 a 0 para os húngaros, em 6 de janeiro de 1911. Após encerrar a carreira como jogador, Achille Gama Malcher seguiu no futebol como árbitro. Seu momento mais marcante nessa função ocorreu nos Jogos Olímpicos de 1928, em Amsterdã.

Representando a Federação Italiana, ele foi bandeirinha da primeira partida da final olímpica entre Uruguai e Argentina, disputada em 10 de junho, que terminou empatada em 1 a 1. Três dias depois, em novo confronto, o Uruguai venceu por 2 a 1 e conquistou o bicampeonato olímpico. Gama Malcher também teve uma breve passagem como treinador.

Na temporada 1932/33, assumiu o comando técnico do Bologna faltando 11 rodadas para o fim do Campeonato Italiano, substituindo o húngaro József Nagy, que passou a dirigir a Escola de Treinadores da Federação Italiana. Com bom desempenho, conduziu a equipe à terceira colocação do torneio. Fora dos gramados, Achille Gama Malcher pertencia a uma família de grande relevância cultural. Ele era irmão do maestro brasileiro José da Gama Malcher, importante figura da sociedade paraense, líder do Partido Liberal em Belém do Pará e regente da Companhia Lírica Italiana em São Paulo no final do século XIX.

Joaquim de Lamare e José Carneiro da Gama Malcher listados como colegas de escola. À direita, Botafogo “juventino” campeão de 1910 com cinco paraenses (dois De Lamare e três Sodré), todos descendentes de ex-governadores do Pará
📷 Joaquim de Lamare e José Carneiro da Gama Malcher listados como colegas de escola. À direita, Botafogo “juventino” campeão de 1910 com cinco paraenses (dois De Lamare e três Sodré), todos descendentes de ex-governadores do Pará |Divulgação

Legado familiar no esporte

O legado esportivo da família teve continuidade com seu sobrinho, Alberto Monard da Gama Malcher Filho. Torcedor do Clube do Remo, ele praticou remo e futebol, atuando como zagueiro. Destacou-se nas categorias de base de Flamengo e Botafogo, sendo campeão carioca juvenil pelo rubro-negro em 1936 e vice-campeão juvenil pelo alvinegro em 1937. Uma grave lesão no joelho, no entanto, interrompeu sua carreira como jogador.

Assim como o tio, Alberto Gama Malcher construiu trajetória marcante na arbitragem. Filiado à Federação Metropolitana de Futebol, apitou partidas do Campeonato Carioca e integrou os quadros da CBD (atual CBF). Ele foi um dos árbitros escolhidos pela Fifa para a Copa do Mundo de 1950, realizada no Brasil, e entrou para a história como o primeiro árbitro a apitar um jogo oficial no estádio do Maracanã.

Na ocasião, dividiu a arbitragem de um amistoso entre as seleções do Rio de Janeiro e São Paulo com Mário Gonçalves Vianna: Gama Malcher apitou o primeiro tempo, enquanto Vianna comandou a segunda etapa.

Em 1951, a pedido de Ottorino Barassi, Gama Malcher foi designado pela Fifa como representante brasileiro no quadro de árbitros da Copa Rio, considerada o Mundial de Clubes da época. Em gesto de respeito e amizade, abriu mão de receber suas cotas de arbitragem para permitir que ele e Mário Vianna participassem do torneio, vencido pela Sociedade Esportiva Palmeiras diante da Juventus de Turim.

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