Uma mobilização coletiva reuniu cerca de 40 carros para levar eleitores de Salvador aos locais de votação no domingo (25), dia do segundo turno das eleições presidenciais, quando a circulação de ônibus ficou abaixo do normal na capital baiana. A ação foi organizada por Gabriel Mercury, filho da cantora Daniela Mercury, e reuniu mais de mil pessoas em um grupo de WhatsApp. Em entrevista ao portal A Tarde, ele estimou que mais de 600 pessoas usaram o serviço.
A falta de ônibus foi o motivo da mobilização. O Procon-BA identificou 544 ônibus parados em cinco garagens da cidade. Uma fiscalização da Polícia Federal em uma garagem registrou 42,1% menos veículos do que em um dia comum. O prefeito Bruno Reis atribuiu o atraso à retirada de adesivos considerados propaganda irregular e afirmou que a gestão liberou a frota. O presidente do TRE-BA, Mauricio Kertzman Szporer, determinou a retomada integral da frota, com gratuidade, e a Justiça Eleitoral mandou a Polícia Federal apurar quem decidiu a redução e se houve intenção de dificultar o deslocamento dos eleitores.
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Gabriel contou que a ação começou pequena, com cinco voluntários, e cresceu depois que um card foi compartilhado nas redes sociais. “Eu já estava super feliz com cinco pessoas, só que as pessoas começaram a replicar o card e o grupo começou a crescer muito rapidamente. No final, eu não sei te dizer exatamente quantos carros foram, mas foram por volta de 40 carros”, disse. O grupo, chamado Transporte Solidário, nasceu do Estação Vira Voto, movimento do qual ele participava e que já fazia ações em pontos da cidade, principalmente na Estação da Lapa. A oferta de caronas já existia antes dos problemas no transporte público.
A organização funcionou em tempo real: enquanto alguns voluntários ofereciam seus carros, outros informavam quais pontos de ônibus estavam lotados e quais regiões já tinham sido atendidas, e os motoristas eram direcionados aos locais de maior necessidade. “Mais de mil pessoas dentro do grupo, mais de 40 carros rodando por Salvador e a gente o tempo inteiro atualizando onde tinham mais pessoas”, relatou. Como transportavam desconhecidos, os participantes eram orientados a circular em duplas, com motorista e acompanhante, e a ação chegou a contar com vans.
As doações por Pix, administradas por Gabriel, pagaram combustível para os carros particulares e corridas por aplicativo para quem não tinha como pagar. “Eu comecei pagando Uber para mulher grávida, com filho, idosos, pessoas que realmente não tinham condição”, contou. Quando alguém pedia ajuda, a equipe verificava o valor estimado da viagem e repassava o dinheiro, inclusive o da volta. Segundo ele, o atendimento não dependia do voto do passageiro, e a orientação foi elaborada com acompanhamento jurídico para evitar irregularidades eleitorais: “Independente do voto, não existia esse tipo de abordagem.”
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Com o fim da disputa, Gabriel pretende manter o movimento, que deixou de se chamar Estação Vira Voto e passou a ser Estação Brasil. O foco agora é a educação política e o incentivo à participação em debates e atividades cívicas. O movimento já tem grupos em Belo Horizonte e no Rio de Janeiro. “Agora a gente vai se voltar muito pra questão da educação política. Eu acho que é uma coisa que falta muito, letramento político”, explicou.
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