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CONTEÚDO SENSÍVEL

Polvo, camarão, doces e até 70 ovos: o que comia a jovem chinesa que morreu aos 24 anos

Chen Ziyi tinha 24 anos e tem suspeita de déficit grave de potássio relacionado à sua morte.

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Imagem ilustrativa da notícia Polvo, camarão, doces e até 70 ovos: o que comia a jovem chinesa que morreu aos 24 anos camera Ziyi relatou, antes de morrer, que as plataformas de comércio digital pressionavam influenciadores a comer sem parar. | Reprodução / YouTube

A criadora de conteúdo chinesa Chen Ziyi, de 24 anos, popularizada pelo nome Ganfan Yingying, morreu no último mês após uma parada cardíaca. Famosa por vídeo nos quais comia grandes quantidades de comida, muitos internautas passaram a questionar o que ela consumia nas publicações.

Vale lembrar que a causa provável apontada até o momento para a morte foi a hipocalemia, condição caracterizada por níveis criticamente baixos de potássio no sangue.

Além disso, o caso expôs, de forma brutal, os riscos físicos associados às chamadas transmissões de consumo excessivo de alimentos. Dias antes da morte, Ziyi publicou seu último vídeo já hospitalizada.

Nele, ela revelou ter sido internada por episódios repetidos de ingestão compulsiva. A causa oficial do óbito ainda não foi confirmada pelas autoridades.

O que é ela comia e a relação com o mukbang

A questão começa a ser respondida ao entender o que é o mukbang, um formato de vídeo em que o criador consome grandes volumes de comida diante das câmeras.

O fenômeno nasceu na Coreia do Sul no final dos anos 2000 e se espalhou por plataformas como YouTube e TikTok. A atração do formato vai além da quantidade de alimentos.

Dois elementos centrais sustentam o apelo do conteúdo:

  • A interação em tempo real com o público durante as transmissões ao vivo;
  • Os sons de mastigação, explorados em vídeos associados ao ASMR.

Entre os alimentos mais frequentes nesse tipo de conteúdo, e que eram frequentemente consumidos por Ziyi, estão:

  • Frutos do mar, como camarão, caranguejo e polvo;
  • Frituras;
  • Hambúrgueres;
  • Pizzas;
  • Macarrão apimentado;
  • Grandes porções de doces.

A pressão sobre os criadores

Ziyi relatou, antes de morrer, que as plataformas de comércio digital pressionavam influenciadores a comer sem parar. Segundo ela, determinados produtos exigiam consumo contínuo para impulsionar as vendas.

Um exemplo é o episódio no qual, em uma única transmissão, ela afirmou ter ingerido entre 60 e 70 ovos em conserva. Além disso, ela admitiu um histórico de provocar o próprio vômito após as gravações.

A criadora também mencionou internações anteriores pelo mesmo motivo, o que indica um padrão de comportamento prolongado e grave, que sugere um possível distúrbio alimentar.

Leis na China tentam conter excessos

O governo chinês já havia tentado frear esse tipo de conteúdo. Em 2021, a Lei de Combate ao Desperdício de Alimentos proibiu vídeos que incentivassem o consumo exagerado.

No ano seguinte, um código de conduta voltado a streamers vedou práticas como a ingestão compulsiva e a indução de vômito durante transmissões ao vivo.

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A morte de Ziyi, porém, demonstra que as regulações ainda não são suficientes para proteger os criadores das pressões comerciais e dos riscos à saúde.

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