
Por 37 anos, a jornalista e locutora Iris Lettieri foi a voz do Aeroporto Internacional Tom Jobim, conhecido como Galeão, no Rio de Janeiro. Sua voz macia se calou nesta quinta-feira (28), dois dias após completar 84 anos, de infarto fulminante em casa, no bairro de Botafogo, na zona sul da capital fluminense.
Ela havia tido alta hospitalar um dia antes, após ter sido internada por complicações do diabetes.
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O velório está marcado para 12h45 desta sexta-feira (29) no Cemitério Parque da Colina, em Pendotiba, em Niterói.
Nascida no Rio em 26 de agosto de 1941, Iris era filha do alagoano José Avelino da Costa, locutor da Rádio Cruzeiro do Sul, e de Josélia Lettieri, professora de piano, teoria, harmonia, canto e dicção.
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Inspirada pelo pai, ela iniciou sua carreira de locutora na Rádio Continental em 1959. Nos anos seguintes, se tornou a primeira mulher a atuar como locutora de telejornais no país, atuando nas TVs Tupi, Excelsior e Manchete.
Em entrevista a Jô Soares em 1997, ela contou que em 1976 já estava louca para deixar os telejornais, por achá-los muito monótonos. Queria liberdade. Como já gravava propagandas, naquele ano ela recebeu um convite da Infraero para participar do processo seletivo para ser a locutora do Galeão. Ela foi a escolhida.
Após ela fazer alguns tipos diferentes de locução, os diretores escolheram a que ficou eternizada: uma voz com dicção muito clara que transmitisse paz, para acalmar os passageiros que têm medo de viajar de avião.
A voz aveludada passou a ser escolhida para as várias campanhas publicitárias que fazia e também para a locução de outros aeroportos, como os de Guarulhos e Congonhas (São Paulo), Eduardo Gomes (Manaus) e Foz de Iguaçu (Paraná). Em 2012, também emprestou sua voz para o BRT Rio.
Nos 37 anos que foi locutora do Galeão, ela sempre acertou um contrato de prestação de serviço autônomo, que era renovado anualmente. Com isso, tinha a obrigatoriedade de ir uma vez por mês ao aeroporto para fazer novas gravações.
Em 1993, sua voz foi considerada a mais bonita do mundo, motivo pelo qual foi entrevistada por vários meios de comunicação internacionais. Na entrevista a Jô, ela se disse surpresa pelo reconhecimento ter ocorrido somente depois de 17 anos de trabalho como locutora do Tom Jobim.
Íris recebeu diversas homenagens ao longo da carreira, como o título de Personalidade Aeroportuária pela Infraero (1995), o selo de qualidade Abrajet-Rio (1995) e a Medalha Pedro Ernesto, concedida pela Câmara dos Vereadores do Rio de Janeiro (1996).
Em nota, a concessionária RIOgaleão, que administra o terminal carioca, lamentou a morte da locutora.
"O RIOgaleão lamenta o falecimento de Íris Lettieri, voz inesquecível que marcou gerações nas rádios e nas mensagens do Aeroporto Internacional do Rio de Janeiro. Seu trabalho se tornou parte da memória afetiva de milhares de passageiros que passaram pelo Tom Jobim. Manifestamos nossa solidariedade à família, amigos e admiradores dessa profissional que ajudou a escrever a história da aviação e da comunicação no Rio de Janeiro."
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